Coleira auxilia os cães cegos a andar sem bater em objetos

Coleira auxilia os cães cegos a andar sem bater em objetos

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O pequeno poodle Sherlock, de 16 anos de idade, começou a perder a visão aos 9 e desde então tem dificuldade de se locomover por conta dos obstáculos que ele não enxerga em seu caminho. Contudo existe uma empresa do ramo de “pets” que, pensando em situações como a de Sherlock, desenvolveu um produto para acabar com esses problemas.
 
A BlinDog, startup potiguar fundada por três jovens recém-formados pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), criou uma coleira que vibra quando o animal que a usa se aproxima de algum obstáculo, fazendo com que ele consiga desviar.
 
Até hoje não havia qualquer produto que avisasse aos cães que não veem quando eles estão próximos de objetos que lhe impõem barreiras à movimentação. Os acessórios mais comuns são aparadores, colares de proteção, que colidem com os com as paredes e utensílios antes dos animais, evitando esse contato.
 

// O pequeno poodle Sherlock nos braços de Natália Dantas, que trabalha na coleira inteligente com Luana Wandecy e Eugênio Pacelly

// O pequeno poodle Sherlock nos braços de Natália Dantas, que trabalha na coleira inteligente com Luana Wandecy e  Eugênio Pacelly
// O pequeno poodle Sherlock nos braços de Natália Dantas, que trabalha na coleira inteligente com Luana Wandecy e Eugê
 
Quando o cão cego se adapta ao ambiente em que vive, decora onde estão os obstáculos e os evita, depois de muitas trombadas. No entanto qualquer mudança pode fazer com
que eles se atrapalhem e acabem esbarrando novamente no que estiver pela frente.
 
Uma simples mudança de lugar dos móveis, por exemplo, faz com que uma casa se torne diferente do que está configurado no cérebro dos cachorros, permitindo a ocorrência de acidentes.
 
Para evitar que os cachorros se machuquem, é preciso adequar toda a residência à sua deficiência. Como proteger quinas de móveis, retirar tapetes, colocar portões em escadas e outras medidas que venham a auxiliar no bem estar dos cachorros.
 
A administradora e designer Natália Dantas, de 26 anos, é a cuidadora de Sherlock. Ela lembra que o seu poodle sempre sofreu com os efeitos da cegueira, que foi provocada pela catarata que o cachorro adquiriu.
 
Natália e seus familiares mudaram de endereço e, em uma casa diferente, Sherlock voltou a bater rotineiramente nos móveis e também na parede. “Foi assim até se adaptar de novo”, conta.
 
Sherlock é quase membro da família Dantas, então a preocupação com ele é constante. Apesar de hoje ele já estar mais adaptado à residência, ainda bate a cabeça vez por outra andando pelo imóvel.
 
A coleira BlinDog aparece como uma alternativa moderna e eficiente para ajudar os caninos. A engenheira mecânica Luana Wandecy, 26, que junto com Natália Dantas e o engenheiro da computação Eugênio Pacelly, 25, fundou a empresa, explica que o produto é composto por sensores que detectam quando o cachorro se aproxima de um obstáculo.
 
Quando isso ocorre, de acordo com Luana Wandecy, a coleira vibra. “Então o cachorro associa a vibração ao obstáculo. No primeiro momento ele vai bater. Vai vibrar e ele vai bater. Então ele vai sentir que se vibrar e ele desviar, não bate. Vai começar a desviar a partir da vibração”, detalha.
 
Além de possíveis ferimentos e contusões externas, as colisões também podem provocar traumas neurológicos nos cães, por conta das batidas na cabeça. “A coleira vai evitar esses traumas e, consequentemente, melhorar a vida do animal”, acrescenta a engenheira.
 
A coleira BlinDog ainda está em fase de teste. No site da empresa (www.blindog.com.br), os interessados podem se cadastrar, colocando as informações sobre o cão deficiente, e aguardar a seleção para o teste.
 
Natália Dantas afirma que, neste momento, a equipe está empenhada em desenvolver o “protótipo ideal” para a realização dos testes, que estão previstos para o primeiro semestre de 2017.
 
A lista de inscritos também vai servir, segundo ela, como uma espécie de pré-venda. Quando a coleira começar a ser comercializada, também no ano que vem, as pessoas que tiverem preenchido o formulário no site terão prioridade na compra. A coleira BlinDog será vendida por um valor entre R$ 200 e R$ 300.
 
Natália Dantas conheceu Luana Wandecy em novembro de 2015 durante o evento de empreendedorismo Startup Weekend Natal. Trata-se de uma espécie de desafio, onde os participantes são estimulados a desenvolver uma ideia de produto e validá-la.
 
Luana tinha uma cachorra, que já morreu, com o mesmo problema de Sherlock. “E aí coincidiu de eu encontrar Natália no evento”, disse.
As duas então se juntaram a Eugênio Pacelly e desenvolveram a coleira BlinDog.
 
“Por experiências próprias a gente percebeu que cães cegos batem muito em obstáculos e acabam tento transtornos neurológicos que deixam a saúde bem delicada”, reforça Luana Wandecy.
 
A Startup Weekend dura três dias, período em que a equipe precisa tirar do papel a ideia de empresa. Natália, Eugênio e Luana tiveram ainda auxílio de uma oftalmologista veterinário, para o aperfeiçoamento das funcionalidades da coleira.
 
O evento Startup Weekend é uma rede global de empreendedores que têm por objetivo inspirar, educar e capacitar outras pessoas. Mais de 8 mil startups foram criadas nos eventos realizados anualmente em cerca de 100 países.
 
Todos os Startup Weekend seguem o mesmo modelo: qualquer um pode expor a sua ideia de startup e receber feedback de outros participantes.
 
A partir daí, de acordo com o site do evento, são formadas equipes em torno das melhores ideias, determinadas por votação, e se seguem 54 horas de criação de modelos de negócios, programação, design e validação de mercado.
 
O fim de semana termina com a apresentação dos projetos a empreendedores de sucesso em uma nova oportunidade para receber feedback.
 
Foi o que aconteceu com a BliDog, que agora quer figurar no mercado de pets como a única empresa potiguar a fornecer uma coleira inteligente para cães cegos.
Ideia nasce no Startup Weekend
 
Em busca de editais de financiamento
 
Para conseguir colocar na rua os produtos, relata Luana Wandecy, os sócios estão empenhados em conseguir editais de financiamento e também comercializam acessórios para cachorro com a marca BlinDog.Entre os acessórios estão as tags, uma espécie de chaveiro que pode ser usado para este fim ou também para a identificação do animal na coleira. “É um serviço à parte que oferecemos”, diz Eugênio Pacelly.
 
O engenheiro explica que as tags são impressas em impressora 3D a partir de fotografias dos cachorros. “A partir de qualquer foto a gente consegue fazer o contorno dela e imprimir com as cores” esclarece.
 
Alguns cuidadores, ele conta, usam como tag de rastreamento, com a identificação do cão e telefones para contato, em caso de perda. “Algumas outras usam como chaveiro, ou para fazer brincos e colares até com o seu cachorro. Varia bastante”.
 
A equipe conta que de novembro de 2015 até agora se reinventou diversas vezes. A BlinDog participou do Global Startup Battle e ficpu entre os 10 melhores do mundo no evento. Na etapa da América Latina e Caribe a empresa ficou entres os dois melhores.
 
“Durante esse período evoluímos muito, tivemos conselhos de diversos mentores em diferentes instituições e em julho de 2016 tivemos a oportunidade de crescermos ainda mais pelo Bedream”, afirmam.
 
O Bedream é uma plataforma dinâmica voltada para concretizar sonhos através de mentorias, incentivos e colaboração das pessoas.