Deficientes visuais criticam a falta de acessibilidade nas ruas

Deficientes visuais criticam a falta de acessibilidade nas ruas

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O aposentado Pedro Marcelino, 66, perdeu quase que completamente a visão há onze anos em decorrência de complicações de uma diabetes. Apesar do problema que lhe impôs limitações, ele afirma que continua tendo uma vida ativa, utilizando inclusive o transporte público para se locomover pela cidade. Reclama, porém, da falta de investimento em novos aparelhos de acessibilidade, além da má conservação dos já existentes nas ruas de Natal, o que gera transtornos a deficientes visuais como ele.

“Eu também perdi uma perna em 2011 e uso uma prótese, mas nem isso impede que eu ande a cidade inteira. O que dificulta mesmo são esses obstáculos”, conta Pedro,  referindo às calçadas desniveladas, buracos nas vias, pisos táteis obstruídos por lixo, veículos estacionados em lugares proibidos, entre outras barreiras.

“Não sinto vergonha em dizer que sou deficiente visual e físico, o que me causa vergonha, na verdade, é andar numa cidade que não está preparada para nós”, confessa.

Para estimular o debate e mostrar as dificuldades enfrentadas pelos deficientes visuais no dia a dia, a Sociedade dos Cegos do Rio Grande do Norte (Socern) está promovendo, durante todo o mês de setembro, ações para conscientizar a população e pedir mais atuação do poder público em questões fundamentais de mobilidade urbana voltada para esse segmento. 

Na semana em que se celebra o Dia Nacional da Luta das Pessoas com Deficiência, transcorrido na última segunda-feira (21), o esforço da Socern não é apenas pela ampliação dos projetos de acessibilidade, mas também pela manutenção dos que ainda existem e a reinstalação dos que existiam e que, por algum motivo, foram suprimidos. 

O presidente da entidade, Ronaldo Tavares, cita como exemplo os semáforos sonoros que auxiliavam pessoas cegas a atravessarem a via com maior segurança, uma vez que emitia mensagem avisando o deficiente visual que o sinal estava verde para os pedestres. 

Os poucos aparelhos instalados, um no Alecrim, próximo ao Colégio das Neves, e outro na Avenida Rio Branco, na altura da Escola Estadual Winston Churchill, foram desativados. Deles, restaram apenas as caixas externas, com botões que nem funcionam mais.

“Eles foram desativados com a alegação de que causavam transtornos a moradores e comerciantes da localidade, já que o semáforo fazia um barulho um pouco estridente, alarmante”, lamenta o presidente da Socern. “Mas o que deveria ter sido feito era a mudança da campainha para um som ambiente, como uma música, por exemplo. Algo que não causasse poluição sonora”, sugere.

O secretário adjunto de Mobilidade Urbana de Natal, Walter Pedro, reconhece os problemas citados. No entanto, aponta a falta de orçamento como principal impasse para a solução do problema. “Constantemente fazemos fiscalizações em locais que estejam gerando reclamação, mas as intervenções irregulares são bem maiores do que a gente consegue suprir”, afirma. E conclamou as pessoas que se sentem prejudicadas a continuar denunciando os obstáculos de acessibilidade pelo telefone 156 ou procurando a STTU.