Garotas cometem mais assassinatos e roubos seguidos de morte que garotos

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Embora sejam responsáveis por apenas 10% dos atos infracionais cometidos por jovens de até 18 anos, as mulheres têm cometido crimes mais violentos que os adolescentes do sexo masculino. A constatação é comprovada por dados apresentados pela Fundação Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac) e  Tribunal de Justiça do RN (TJRN).

“Hoje elas estão na linha de frente, estão se tornando protagonistas da ação, estão portando armas e atirando”, relata a diretora técnica da Fundac, Tomazia Araújo.

No Centro Educacional (Ceduc) Padre João Maria, único do estado exclusivo para o sexo feminino, das 14 meninas que estavam reclusas no último mês de novembro, 10 haviam sido detidas por homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte), o que equivale a 71% das internas que cumpriam medidas socioeducativas no estado.

Enquanto isso, No Ceduc Pitimbu, maior centro de internação masculina do estado, dos 23 jovens internos no mesmo período, sete haviam cometido atos considerados violentos, o que corresponde a 30% dos internos. Entre os meninos, os atos infracionais mais cometidos são aqueles contra o patrimônio, como roubos e furtos, que somam uma média de 63% dos casos registrados em Natal nos últimos quatro anos, de acordo com dados do TJRN.

“Elas estão cometendo atos infracionais graves. Inclusive a maior parte das mulheres cumprindo medidas socioeducativas é em decorrência de homicídio. Enquanto os homens cometem mais atos contra o patrimônio, como roubos e furtos, seguido por tráfico de drogas”, alerta o responsável pela Coordenadoria da Infância e da Adolescência do TJRN, José Dantas.

Os números absolutos podem variar devido a rotatividade do centro, mas de acordo com o núcleo pedagógico do Ceduc Padre João Maria, a média de atos gravosos cometidos pelas internas costuma ser de 70% da lotação.

Quando a reportagem esteve no Ceduc Padre João Maria, em dezembro de 2016, o caso mais grave era o de Ana (nome fictício), que estava reclusa no centro após cometer um homicídio. Aos 15 anos, ela foi detida por matar a ex-namorada a facadas. O crime se agrava por ter sido cometido com o uso de arma branca e pelos laços afetivos que a unia à  vítima. Ana está detida há aproximadamente três meses e ainda não sabe quanto tempo deve ficar no Ceduc.

Ela conta que esse foi o seu primeiro ato infracional. O homicídio aconteceu na Paraíba, mas ela está no Ceduc Padre João Maria porque é potiguar e seus pais moram em Caicó. A jovem saiu de casa para viver no estado vizinho com a ex-namorada. “Eu vivia lá com a minha mulher e de vez em quando visitava os meus pais. Um dia a gente brigou, ela quis me ameaçar e aconteceu”, relata a interna.

Apesar de falar do ato com naturalidade, como quem conta um evento rotineiro, Ana diz que se arrepende e que quando sair do Ceduc pretende mudar de vida, trabalhar e conquistar condições para comprar uma casa própria.

A expectativa de trabalhar e mudar de vida são as mesmas da interna Cláudia (nome fictício), que está no Ceduc Padre João Maria por participar de um latrocínio. Ela é uma das mais tímidas, não parece muito confortável em falar sobre o crime, mas conta que esse foi o seu primeiro ato infracional e que após sair do Centro pretende voltar a estudar e conseguir um emprego.

“Uma amiga me chamou pra comprar um negócio, eu fui e na hora disseram que era pra roubar. Ai a gente roubou, o homem morreu e eu to aqui até hoje”, conta a adolescente. E complementa: “Tenho vontade de ser advogada, mas ainda está longe. Tenho que estudar muito”, planeja enquanto sorri timidamente e se encolhe em uma cadeira no pátio do Centro.

Antes de ficar detida no Ceduc Padre João Maria, Cláudia vivia com a mãe e o padrasto no bairro das Quintas, em Natal. A adolescente de 16 anos cursava o 9º ano do Ensino Fundamental e estava entre as internas com mais escolarização no Centro. Ela conta que não conhece o próprio pai e que não tem uma boa relação com o padrasto, mas que convive normalmente com a mãe.

“Minha relação com a minha mãe é normal, mas com meu padrasto não porque ele quer mandar na minha vida e eu não deixo, porque ele não é meu pai”, afirma a adolescente, que muda o tom de voz e pela primeira vez demonstra um pouco de irritação. E logo em seguida se encolhe novamente sobre a cadeira para complementar: “Meu pai eu não sei nem quem é”.

 

Vida bandida com a morte da mãe

Já a adolescente Júlia (nome fictício), por sua vez, está no Ceduc pela segunda vez e alega que começou a assaltar depois da morte de sua mãe. De todas as adolescentes que estava naquela ocasião no Ceduc, Júlia era a mais simpática e a que mais demonstrou empolgação com a possibilidade de uma nova vida.

 A menina tem 16 anos e foi detida pela primeira vez em maio do ano passado, quando passou 28 dias no Ceduc após um furto. Um mês após ser liberada, foi com o ex-namorado para Fortaleza, onde roubaram uma agência dos Correios fazendo os funcionários de refém.

“Foi uma besteira. Eu tava namorando e ele me chamou pra ir à Fortaleza. Eu disse que ia, mas que não tava mais roubando e acabou acontecendo. Não sei por que eu fiz isso de novo”, confessa arrependida. “Eu tinha dez anos quando mataram a minha mãe. Depois mataram o meu irmão, que na época tinha 12 anos. Ele faria aniversário no dia seguinte. Daqui a pouco vou ser eu [quem vai morrer] se eu não sair dessa vida”, disse resignada.

E complementa: “Já já eu perco a minha avó também. Eu vou perder ela do coração se não mudar de vida. Não posso fazer isso. Ela gosta tanto de mim, vem sempre me visitar e disse que quando eu sair daqui consegue um emprego para mim em um depósito [no bairro] Cidade da Esperança”.

“Eu quero trabalhar e conquistar minhas coisas. Não quero essa vida para mim”, finaliza a jovem que cursa o 9º ano e aguardava pela divulgação das notas do último período escolar enquanto falava com a reportagem.

As perspectivas de ressocialização, no entanto, não são as mesmas para todas as meninas. Aos 14 anos, Marina (nome fictício) chegou ao Ceduc pela primeira vez para cumprir medida socioeducativa durante sete meses. Ela não fala muito e nunca aprendeu a ler ou escrever. Vivia com a irmã no município de Currais Novos e foi detida por ser reincidente em furtos. Marina desvia o olhar e diz com poucas palavras que não lembra de quando cometeu o primeiro ato infracional ou do momento em que foi detida.

De acordo com a pedagoga do Ceduc Padre João Maria, Vanuza de Souza, a adolescente foi detida por ter praticado seis furtos entre 2014 e o final de 2016.  “Ela é um dos casos que achamos que não merecia estar aqui, mas acredito que os juízes consideraram a reincidência. Também podem ter detido para investigar possíveis atos maiores. Não sabemos quais são os critérios. Ela está em uma situação muito complicada. A família é muito grande e desestruturada, tem vários irmãos envolvidos com tráfico de drogas, viveu em várias casas diferentes”, conta a pedagoga.

 

Mudança de perfil das mulheres em conflito com a lei

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça, o Rio Grande do Norte possui 3.120 processos ativos de atos infracionais cometidos por adolescentes. Os números são do Cadastro Nacional de Adolescentes em Conflito com a Lei (CNACL), que coleta informações dos jovens que cumprem medida socioeducativa desde março de 2014.

O Rio Grande do Norte ainda não possui um banco de dados que possa detalhar os números de adolescentes em conflito com a lei no estado. Todavia, dados da ocupação dos Centros Educacionais mostram uma mudança de perfil das mulheres em conflito com a lei.

De acordo com a diretora técnica da Fundac, Tomazia Araújo, nos últimos anos as mulheres começaram a protagonizar mais atos infracionais. “As meninas tinham um papel coadjuvante nos atos. Elas tinham o papel de possibilitar a morte do inimigo através da sedução. Ela seduzia o inimigo do parceiro e às vezes utilizava boa noite cinderela para entregá-lo indefeso ao namorado ou marido. Às vezes também eram usadas para carregar armas, já que a revista ocorre de forma diferente entre as mulheres, mas a agora estão protagonizando mais ações”, relata Tomazia Araújo.

A mudança de perfil ainda não possui explicações, mas preocupa tanto a equipe do Ceduc João Maria, quanto a Fundac e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte. A diretora técnica da Fundac alerta ainda para o requinte de crueldade que tem sido identificado nos atos cometidos por mulheres e na dificuldade de ressocializar as meninas.

“O ato infracional delas tem um requinte de crueldade maior que o dos meninos. Existem meninas inclusive que não vão poder voltar para suas famílias”, relata. E complementa: “De acordo com o estatuto, temos que esgotar todas as possibilidades de manter o vínculo com a família e não estamos conseguindo fazer isso em muitos casos porque a família ou a comunidade não aceita as meninas de volta”.­

Ladrão devolve cavalo após família divulgar sofrimento de menino

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Um cavalo furtado em Cubatão, no litoral sul de São Paulo, foi devolvido depois que a família fez um apelo nas redes sociais e em um jornal local. O animal era companheiro fiel de um menino de 5 anos, que tem anemia falciforme e, por causa do distúrbio, precisa evitar fortes emoções.

O cavalo Flash foi furtado no último domingo, 19, depois de ter sido deixado em um terreno, onde costumava se alimentar, preso por uma corda. Os donos do animal voltaram ao local no dia seguinte e constataram que o cavalo havia sumido.

O animal pertence à família de Kaio, um menino de 5 anos. "Desde muito pequeno, o Kaio me pedia um cavalo. Então, quando meu filho tinha três anos, eu vendi uma moto e comprei o Faísca, mas o cavalo ficou doente após sete meses e morreu", conta Deise Gabassi, mãe do menino. "Então, compramos o Troféu, que era arisco e ficamos com medo porque o Kaio gosta de montar e cavalgar. Trocamos o Troféu pelo Flash, que está conosco há seis meses.", diz.

O menino tem anemia falciforme, distúrbio sanguíneo caracterizado pela produção anormal de hemoglobina, e miocardiopatia, que provoca deterioração da função do miocárdio, o músculo do coração. Por isso, precisa evitar grandes emoções. "Quando o primeiro cavalo, o Faísca, morreu, meu filho chorou durante três dias e ficou muito doente", conta Deise.

Para tentar recuperar o animal, a família fez campanha nas redes sociais, fortalecida por publicações em um jornal local. "Eu conversei com alguns comerciantes próximos a esse terreno e deixei meu telefone. Na terça-feira à tarde recebi uma ligação, de número não identificado, e uma pessoa disse que cavalo estava de volta", relata Deise. "Acredito que a pessoa que pegou o cavalo ficou comovida com a história do Kaio", afirma.

Cientistas descobrem sistema planetário com sete 'irmãs' da Terra

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Cientistas anunciaram nesta quarta-feira, 22, a descoberta de um sistema composto por sete planetas de tamanho comparável ao da Terra, na órbita de uma estrela "vizinha" do Sistema Solar De acordo com um estudo publicado na revista Nature, que descreve a descoberta, os seis planetas mais próximos têm temperaturas entre 0ºC e 100ºC - uma característica considerada indispensável para a eventual existência de vida.

"É a primeira vez que tantos exoplanetas desse tamanho são encontrados em um sistema planetário. Eles estão em órbita muito estreita entre si e muito próximas à sua estrela, mas ela é tão pequena que é fria, o que faz com que os planetas sejam temperados", disse o autor principal do estudo, o astrofísico belga Michaël Gillon, da Universidade de Liège, na Bélgica.

Os cientistas consideram que um determinado planeta está na "zona habitável" quando ele fica a uma distância de sua estrela que permitiria, teoricamente, a existência de água líquida em sua superfície. Quanto mais a estrela é quente, mais distante fica a zona habitável.

Segundo o estudo, o novo sistema planetário fica a 39 anos-luz da Terra - uma distância pequena para os padrões astronômicos. Os novos exoplanetas - como são chamados os planetas existentes fora do Sistema Solar - têm massa semelhante à da Terra e provavelmente também sejam rochosos, segundo os autores.

A descoberta partiu de estudos liderados por Gillon, cuja equipe relatou, em maio do ano passado, a detecção de três exoplanetas que orbitavam uma estrela anã extremamente fria, chamada Trappist-1 - uma estrela é tão pequena que não chega a ser muito maior que Júpiter e seu brilho é cerca de mil vezes mais fraco que o do Sol.

A partir de então, os autores conduziram um projeto de monitoramento intenso da Trappist-1, que permitiu identificar mais quatro exoplanetas.

Para a detecção e o estudo dos planetas do Sistema Trappist-1, foram usados o telescópio espacial Spitzer, da Nasa, e o Telescópio Liverpool, da Universidade John Moore de Liverpool, no Reino Unido.

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Ilustração com o conceito de como pode ser a superfície da TRAPPIST-1

Os cientistas concluíram que pelo menos três dos planetas podem ter oceanos de água em suas superfícies, o que aumentaria a possibilidade de que o novo sistema planetário possa abrigar vida. De acordo com Gillon, no entanto, será preciso fazer novos estudos para caracterizar cada um dos planetas.

"Conseguimos obter medidas e dados de seis dos sete planetas. Em relação ao planeta mais distante da estrela, porém, ainda desconhecemos seu período orbital e sua interação com os outros seis planetas", disse Gillon.

De acordo com ele, os seis planetas mais próximos da estrelas têm períodos orbitais - isto é, o tempo que o planeta leva para dar uma volta completa em sua estrela -, que vão de 1,5 a 13 dias. O fato de um "ano" nesses planetas durar apenas alguns dias ocorre porque eles estão muito próximos de sua estrela, que é muito pequena.

O planeta mais próximo da estrela é o mais rápido de todos: quando ele completa oito órbitas, o segundo, o terceiro e o quarto planetas perfazem, respectivamente, cinco, três e duas voltas ao redor da estrela. Com essa configuração, segundo os astrônomos, cada um dos planetas tem influência gravitacional nos outros.

Abundância

Na mesma edição da Nature, o estudo foi comentado pelo astrônomo Ignas Snellen, do Observatório de Leiden, na Holanda. Segundo Snellen, a descoberta feita pela equipe de Gillon reforça a ideia de que os planetas de masssa semelhante à da Terra são abundantes na Via Láctea.

"Nos últimos anos, cresceram as evidêncais de que planetas do tamanho da Terra são abundantes na Galáxia. Mas a descoberta de Gillon e sua equipe indicam que esses planetas são ainda mais comuns do que se pensava", escreveu Snellen.

Snellen acredita que a quantidade de exoplanetas rochosos possa ser até 100 vezes maior que a prevista. Segundo ele, isso acontece por causa do método usado para detectar exoplanetas, que se baseia na detecção de "trânsitos".

Quando um planeta passa diante de uma estrela (o trânsito), ele bloqueia uma ínfima parte de sua luz, mas o suficiente para que os cientistas detectem sua existência e calculem sua massa. Quando a estrela é pequena, o trabalho se torna mais fácil, porque a fração de sua luz bloqueada pelo planeta é maior.

"Estimamos que para cada planeta observado em trânsito, devam existir de 20 a 100 planetas que, da perspectiva da Terra, nunca passam diante de sua estrela-mãe - e por isso não podem ser observados", disse Snellen.

 

Rachel Sheherazade e Gregório Duvivier discutem (e usam memes) no Twitter

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Rachel Sheherazade e Gregório Duvivier protagonizaram uma briga daquelas no Twitter na última segunda-feira, 20. A jornalista já deixou claro que não é fã do humorista ao postar uma montagem em seu Instagram com artistas, entre eles Duvivier, que são declaradamente posicionados politicamente à esquerda, chamando-os de "idiotas inúteis".

Desta vez, ela resolver provocar o humorista de forma mais direta em suas redes sociais. Tanto no Twitter quanto no Instagram, Sheherazade postou um print de uma notícia antiga em que Duvivier é acusado de ter recebido dinheiro do Banco do Brasil para escrever textos a favor da ex-presidente Dilma Rousseff.

 

ITEP já contabiliza 13 assassinatos em Ceará-Mirim

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O Instituto Técnico-Científico de Perícia (ITEP-RN) já contabilizou, entre a segunda-feira (20) até a manhã desta quarta (22), o recolhimento de 13 corpos de pessoas vítimas de crimes violentos letais intencionais, no município de Ceará Mirim.

Do total de corpos, 12 já foram identificados, sendo 9 deles através da necropapiloscopia (comparação de impressões digitais) e outros três pelo exame de arcada dentária, realizado pela odontologia legal. Uma das vítimas ainda não foi identificada devido à falta de procura dos familiares.

Vítimas identificadas:

Jacson Sidney Botelho Matos
Emanuel Klaiton Silva de Andrade, 18 anos
Kleberson Wendel Pereira da Silva, 25 anos
Eudes Costa de Andrade, 40 anos
Adelmakson Nascimento Sena, 25 anos
Marcos Antônio de Oliveira, 34 anos
Luciano Duarte Júnior, 27 anos
José Soares dá Silva, 17 anos
Marcílio Maurício Damasceno do Nascimento, 24 anos
Paulo Henrique Josué Soares, 19 anos
Wendison Silva Ferreira, 21 anos
Wanderson Emanuel Ferreira, 22 anos

Chuvas não devem abastecer os grandes reservatórios do estado em 2017, diz Emparn

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As chuvas previstas para cair no Rio Grande do Norte nos próximos três meses devem girar em torno de 500mm, o que não será suficiente para encher os grandes reservatórios. A tendência é de que as precipitações apresentem um comportamento próximo da normalidade climatológica em grande parte do norte do Nordeste, incluindo o estado.

A conclusão está no relatório da II Reunião de Análise e Previsão Climática para a Região Nordeste do Brasil, encerrada ontem (21) na sede da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN).

O encontro contou com a participação dos meteorologistas de instituições estaduais, além do INPE/INMET e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). De acordo com o gerente de Meteorologia da Emparn, Gilmar Bristot, as chuvas serão mais intensas em regiões como o Alto Oeste e Vale do Assu. Já em áreas como o Seridó, Agreste e Litoral as precipitações devem ser mais escassas.

Segundo ele, embora não sejam suficientes para abastecer os grandes reservatórios, poderão garantir, porém, “uma boa recarga de água nas pequenas bacias”

As previsões são de que choverá em quase todo o estado em condições próximas ao normal, assim como em quase todo o Ceará, Norte do Maranhão e do Piauí. Já a Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, parte norte da Bahia, central do Piauíe Sul do Ceará devem ficar com chuvas abaixo do normal e a faixa litorânia que vai do Sul potiguar ao norte baiano aparece nas previsões como área de baixa visibilidade.

No mês de março a reunião dos especialistas será realizada em Pernambuco, para a divulgação do prognóstico para a quadra chuvosa de abril a junho, para o Nordeste, evidenciando principalmente a região leste.

Para chegar ao prognóstico climático para o período de março, abril e maio de 2017 na Região Nordeste do Brasil, os meteorologistas analisaram campos atmosféricos e oceânicos de grande escala, como vento em superfície e em altitude, pressão ao nível do mar, temperatura da superfície do mar, entre outros, somados a dados estatísticos de diversas instituições de meteorologia do Brasil (como a FUNCEME, INMET, CPTEC/INPE) e do exterior.

Segundo concluíram, há uma condição de neutralidade no oceano Pacífico equatorial, com algumas pequenas áreas na parte central ainda apresentando anomalias negativas de Temperatura da Superfície do Mar (TSM) alcançando até -1ºC.

“O enfraquecimento do Fenômeno La Niña ocorreu de acordo com os resultados dos modelos de previsão de anomalia de TSM, e a condição de neutralidade deverá prevalecer no Oceano Pacifico equatorial nos meses de março, abril e maio”, diz o relatório do encontro.

Já no Oceano Atlântico, as águas estão mais aquecidas do que o normal em toda a bacia tropical, porém, com aquecimento ligeiramente mais pronunciado em termos de abrangência de áreas aquecidas na bacia norte, de forma que o dipolo do Atlântico, ou seja, fenômeno oceano/atmosférico que inibe ou aumenta a formação de nuvens, apresentou, em janeiro, índice de +0,31, indicativo de uma condição ainda não favorável ao posicionamento da Zona de Convergência Intertropical, (ZCIT), sobre o setor norte do Nordeste.

Isso indica, segundo os meteorologistas, que as áreas mais ao norte da região serão beneficiadas com as chuvas provenientes da atuação desta Zona de Convergência, enquanto que as áreas mais ao sul da região serão pouco influenciadas pelas chuvas deste sistema meteorológico. Devido a algumas variabilidades, como cobertura vegetal, proximidade do oceano e efeitos topográficos, os especialistas sugerem o acompanhamento das previsões diárias de tempo, análises e tendências climáticas semanais, divulgadas pelos Núcleos de Meteorologia.