Hackers de todo o Brasil se reúnem em Natal

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Durante todo dia de hoje (14), ocorre no Instituto Metrópole Digital (IMD) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o maior evento de hacking, segurança e tecnologia do continente sul americano. O Roadsec chega ao seu quinto ano e volta a reunir centenas na capital potiguar visitantes e competidores de todo o país. Trata-se de yum evento itinerante que reúne palestras, oficinas e campeonatos relacionados ao universo hacker, o objetivo é encontrar o melhor invasor de sistemas no estado.
 
O evento viaja por capitais levando palestras, cursos, oficinas e também campeonatos. O maior campeonato de hacking do continente acontece no Roadsec. Pedro Barbosa é um adepto do hacking competitivo há pouco mais de um ano. Ele é o vencedor da edição passada do campeonato Hackaflag do Roadsec em Natal. Morador de Campina Grande, na Paraíba, Pedro tem 27 anos e possui duas graduações (em Ciência da Computação e Telemática), além de ter um mestrado em computação e estar concluindo seu doutorado.
 
Apesar de estar envolvido com o hacking há relativamente pouco tempo, o paraibano conta ao NOVO, por telefone, que seu interesse pelo assunto começou há aproximadamente nove anos atrás, quando ele se interessava em tentar burlar os sistemas de jogos de videogame. Ele relata que só após descobrir a existência de competições é que pode entrar de vez no mundo dos invasores de sistema.
 
“Sempre mexi em tecnologia e nunca fiquei preso a uma área específica. Lia textos e livros sobre segurança, mas por questões éticas eu não podia praticar em sites e sistemas de verdade. Quando as competições surgiram eu tive a oportunidade de fazer aquilo que eu queria”, lembra.
 
Questionado sobre a relação geralmente feita entre hackers e crimes cibernéticos, Pedro diz que é um erro fazer tal analogia. Para ele, um hacker é mais do que tudo um curioso: “Hoje não tem mais essa associação. A palavra hacker significa ‘curioso’, e é isso que somos: curiosos. Um hacker tem que ter curiosidade com tudo envolvendo tecnologia porque todos os sistemas possuem vulnerabilidade, tem que sempre procurar burlar os sistemas, não necessariamente para o mal”.
O paraibano é um colecionador de títulos de competições espalhadas pelo país. Venceu o Hackaflag, em Natal, o Jampaflag, em João Pessoa e o Security Day, todos no ano passado. Já neste ano ele terminou em primeiro lugar na classificação nacional do Pwn2Win, uma competição online que envolve hackers de todo o mundo. A nível mundial, o brasileiro ficou em nono no ranking.
 
Pedro Barbosa se diz pronto para defender seu título hoje, no IMD-UFRN. Ele explica que, no campeonato, o competidor deve ultrapassar vários desafios propostos pelos juízes em web rede, engenharia reversa, criptografia, cada um deles com níveis diferentes. Cada missão concluída equivale a uma determinada quantidade de pontos de acordo com a dificuldade. Vence quem conseguir a melhor pontuação.
 
No Roadsec também existe a CryptoRace, uma gincana voltada para a criptografia. Este campeonato do Roadsec leva pistas físicas e virtuais aos participantes e os desafia em busca da maior pontuação. Os campeões dos estados de cada uma das competições viajam para São Paulo com tudo pago para competir numa final nacional. Neste ano o evento será em novembro.
 
 
Oportunidades para deficientes auditivos
 
O Roadsec deste ano passa por 15 capitais brasileiras e vem com a novidade do programa RoadAccess-Morphus, que vai viabilizar a participação de surdos no evento.
Em parceria com a Morphus Segurança da Informação, equipes de intérpretes de LIBRAS dão apoio para que hackers e interessados em tecnologia surdos que participem da feira acompanhem as palestras, participem das oficinas e mesmo dos campeonatos.
 
Os Roadsec não é somente para hackers. Os participantes têm a oportunidade de testar novidades tecnológicas recentes do mercado brasileiro, como óculos de realidade virtual, impressoras 3D e drones pilotados por smartphones, por exemplo.Oportunidade para deficientes auditivos
 
Sistemas brasileiros são frágeis
 
O competidor hacker Pedro Barbosa destaca a fragilidade que possuem os sistemas de segurança brasileiros, sobretudo em sites públicos ou privados. Segundo ele, a preocupação dos programadores brasileiros ainda está presa apenas na construção dos sites. E isso vem do ensino nas universidades. “Sem dúvida no Brasil a área de segurança ainda é muito vulnerável. Isso é pela graduação, onde num curso de engenharia da computação, por exemplo, ensinam a programar um sistema, mas não se preocupam com a área da segurança, de proteção”, afirmou Barbosa.
 
Um dos temas do seu doutorado é exatamente a proteção de dados. Baseado no trabalho acadêmico, “Como desenvolver aplicações de internet das coisas que preservam a privacidade dos usuários”, é o assunto da palestra que ele fará na edição de Recife do Roadsec, que ocorre próxima semana.