[Jornal do BG] Adeus, Juninho

[Jornal do BG] Adeus, Juninho

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Em 1989, eu, um jovem audacioso de 15 anos de idade, presidente de bloco de carnaval em Genipabu (Genipatota), começando minha carreira de promoter, seja realizando shows na mesma praia ou em boates e festas, resolvi que precisava divulgar meus eventos nas colunas sociais. Afinal de contas, elas moviam a sociedade, davam visibilidade e agregavam valor.
 
Tomei a decisão de ir numa casa, numa rua estreita quase em Mãe Luiza, quase Areia Preta, quase Petrópolis, essa casa era do colunista muito famoso e que tinha uma audiência enorme: Jota Epifânio.
 
Não me recordo o dia, mas me lembro que foi entre setembro e outubro de 1989. Eu, com várias ideias na cabeça e projeto na mão, bati na porta de Epifânio. De pronto, atendido com o sorriso na cara e abrindo o portão, a Mana Geralda.
 
Foi nesse dia que conheci José Oliveira da Silva, ou simplesmente Jota Oliveira. Na época, apenas “Oliveira estagiário de Epifânio”, que escrevia a coluna jovem no espaço do “Pifa”. Foi amor à primeira vista.
 
Daquele dia em diante, eu e Oliveira começamos uma relação de amor e ódio, literalmente, assim como ele era com muitos que gostava e amava. Extremamente passional. Oliveira não aceitava dividir quem gostava com ninguém.
 
Foram muitas idas e vindas em todos esses anos. Oliveira me abraçou como promoter em Genipabu, na Redinha com o Portal, como sócio da Pool e, principalmente, como DJ. Fui destaque milhares de vezes em sua coluna, seja dentro da de Epifanio, seja na coluna Transa Jovem e até mesmo na Tribuna Teen. Também tive o privilégio de sair no seu Perfil dos domingos em uma oportunidade.
 
Frequentei a casa dele desde o saudoso Juscelino Kubitschek em Petrópolis, passando pelo prédio vizinho ao São Lucas e, atualmente, no prédio da Rua Pinto Martins.
 
Fui parceiro de Oliveira em mais de 20 festas durante todos esses anos, seja tocando, formatando, produzindo ou simplesmente ajudando. Foram muitas “Forever Young” pegando o sol com a mão, amanhecendo em Dalila, na casa de alguém ou até mesmo no saudoso Chambaril na Praia.
 
Quando DJ, vivemos uma fase social de intensidade única. Chegou a me acompanhar em uma viagem para São Paulo para ver esse blogueiro tocar. Em outra oportunidade, viajamos também a Sampa para visitar o compadre Fred Queiroz, que saia de uma cirurgia delicada.
 
Meu hóspede em algumas oportunidades, Oliveira era apenas uma criança necessitada de atenção. Nos últimos tempos, o brilho já não era o mesmo. Fui um dos poucos que ele pode contar na sua saída da Tribuna, também um dos poucos convidados para seu apê para brindar a chegada nas páginas do Novo.
 
São muitas lembranças. Tantos almoços no Talher. Quantos lanches no final de tarde em Dona Inês? Mais de 100 fotos digitais e em papéis ao longo desses anos. Quantas raivas não tive de Oliveira, ao ponto de um dia não ir aos fatos graças à intervenção de Henrique Fonseca e Fred Queiroz. Quantos choros não segurei. Quantas angustias não foram compartilhadas.
 
Como irei ficar sem o “Take a Note”? Como irei ficar com “De Dez Bruno Giovanni”? Como irei ficar sem “O Bunitooo”?
 
Semana passada, eu tocando na casa do amigo Ricardo Bitencourt, depois de alguns anos inativos, ele encostou e ficou bom pedaço da noite do meu lado recordando as loucuras, que só eu e alguns poucos sabem que ele passou. Já na sexta me liga para resenhar e me contar uma novidade dizendo “aguarde Bruno Giovanni...”
 
Não deu “Juninho”. Apesar de novo, estou numa época que os amigos estão indo, como tem sido comum esse sentimento que tenho sentido. No caso de José Oliveira da Silva, ou simplesmente J. Oliveira, fica também o sentimento da GRATIDÃO!!!
 
A Fred Queiroz, Renato Teles, Hilneth Correia, Toinho Silveira, Gina Monte, Mamys Inês Mota e Teresa Guerda, parceiros meus de muitos momentos compartilhados de felicidade e angustia da vida de “Juninho”, meus sentimentos. E ao seu estilo, vamos levantar, sacudir a poeira e da a volta por cima.
 
Valeu THE BEST!!!