O dia em que um repórter do NOVO virou aluno da professora Amanda Gurgel

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Matéria publicada originalmente em 28 de agosto de 2011
 
Cheguei com alguns minutos de antecedência à aula da professora  Amanda.  Dei  sorte porque conseguimos driblar com rapidez a série de engarrafamentos ao longo do caminho entre a sede do jornal, na Ribeira, e a Escola Estadual Myriam Coeli,  no  conjunto  Nova  Natal, Zona Norte da capital. Era terça-feira,  dia  23  de  agosto, 15h53, uma tarde de temperatura quente, quando a professora Amanda Gurgel deixou a Sala  dos  Professores e seguiu até a sala em que ministraria mais uma aula. Sua disciplina é Língua Portuguesa.
 
Antes de chegar à turma, ao cruzar com um grupo de alunas vendendo bombons, pergunta como andam as vendas. Ouve que o estoque já havia acabado: “Mas vendemos tudo fiado,  professora”,   diz  a  aluna. “Não pode, isso está errado. Você vai perder é dinheiro”, adverte Amanda. Por alguns segundos, o aluno-repórter imagina que ela vai aproveitar a ocasião para fazer um inflamado discurso, como aquele que a projetou, na Assembléia Legislativa, dessa vez para condenar o capitalismo selvagem. Ufa! A Amanda professora é mais “maternal”  do  que  a  Amanda sindicalista. É a impressão. Depois do comentário, toa seu caminho.
 
Pontualmente às 16h entra em sala de aula. Vai enfrentar a terceira turma do dia. No período vespertino, ela é responsável por seis turmas de ensino médio. Logo que encontra a turma, alguns alunos se espantam: “Já, professora”, grita um. A sala é quente e abafada, com algumas  lâmpadas queimadas e fios elétricos à mostra onde deveria haver um interruptor. Os alunos, meus colegas naquela tarde, estão mergulhados nas carteiras. Todas elas estão “entulhada” de pichações. Assim, nesse ambiente sem muita cerimônia, começa a aula.
 
A  lição  do  dia:  os  alunos têm de produzir um artigo de opinião sobre a posição da mulher nos meios de comunicação. O repórter, que agora é aluno, tem a ligeira impressão que a escolha do tema tem a ver com a presença da equipe do NOVO. Mas releva. Boa parte dos alunos, meus colegas, trouxe de casa redações sobre fatos cotidianos,  desde  músicas de duplo sentido a programas de TV que tratam a mulher como objeto sexual. “Não devemos ter medo de lutar contra o preconceito. As mulheres não devem ser inferiores”, comenta Audayane Augusto, a primeira aluna a participar do “debate”. Ela é uma dos 16 alunos presentes. Ao todo, a turma tem 29 estudantes. Portanto, treze levaram falta.
 
Todos são dispostos em círculos para facilitar a comunicação. Amanda ouve a leitura de cada um e aqui e ali faz alguma correção para formular uma tese. “ Vocês devem seguir um foco, agarrar a ideia e defendê-la”, ensina. A turma, jovem, é formada quase inteiramente por moradores do bairro. A faixa etária não supera os 18 anos. Alguns dos meus colegas ainda trazem traços infantis em seus rostos. Em quase nada lembrava uma turma do terceiro ano do ensino médio.
 
Apenas um estudante não quis “declamar” a sua redação. A professora não o expõe. Após alguma  insistência, Amanda vai até sua carteira, lê o texto para si e pede para que ele melhore a argumentação: “Me deu um trabalho tão grande escrever isso”, desabafa baixinho o aluno, para um colega. A professora não ouve.
 
A cada leitura os alunos intervêm, dão sugestões e comentam o assunto lido. É uma aula dinâmica. Uma das mais entusiasmadas é Jhuliana Magalhães, 17 anos. Quando chega sua vez de falar, ela discorre sobre a importância das mulheres lutarem por seu espaço e não mais se sujeitarem às caricaturas sexistas que inundam, diariamente, os meios de comunicação. Mora na comunidade conhecida como Nordelândia, um pouco mais ao norte de Nova Natal, e caminha todo dia cerca de vinte minutos para chegar à escola.
 
Todos são esforçados, mas é visível a dificuldade que alguns têm para ler e escrever textos simples – e até mesmo para emitir opiniões. Na camisa de alguns desses meus colegas temporários está escrito, em alusão à conclusão do ensino médio: “Que venham os bons, pois os melhores estão saindo”.
 
 
ATRASO
 
Sobre o atraso educacional dos seus alunos, a professora dirá mais tarde ao repórter: “Estou fazendo o possível para recuperar o tempo perdido; mas é esta a realidade de todo o ensino público do estado”. Amanda Gurgel tem boa oratória, o que já se sabe desde que seu discurso na Assembleia Legislativa criticando o salário da categoria ganhou o mundo, dia 5 de maio. A impressão é que ela fala mais rápido do que deveria, mas as frases fluem perfeitas aos ouvidos dos alunos. 
 
Porém, com pouco mais de uma hora de aula – a aula dela é demorada – fica quase impossível entender o que tanto ele explica aos alunos. À frente do quadro negro, a profes- sora tenta demonstrar a estrutura de um artigo de opinião. Para completar, bem ao lado da sala ocorre mais uma atividade do programa Mais Educação, um projeto da Secretaria de Educação que amplia a carga horária das instituições de ensino através de atividades esportivas e culturais. Mais: exatamente nessa tarde ocorre uma animada “pelada” com gritos e muita poeira levantada. A aula, então, se transforma num grande exercício de paciência. “É o programa Mais Educação”, brinca Jhuliana.
 
Como se nada estivesse ocorrendo, a aula segue, firme, até às 17h30 quando então – finalmente – toca o sinal indicando o encerramento. Antes que todos se dispersem, a professora Amanda avisa: dia 5 de setembro vai ter teste. A maioria se entreolha, cara de angústia.  Em  alguns,  a  aparência é de desespero.  O repórter se desobrigará da prova. Rapidamente, a sala vai esvaziando. Os alunos têm carinho pela professora. Jhuliana diz que a professora trouxe um pouco de esperança a seus colegas. “Ela nos ensinou  a  acreditar e  lutar por aquilo que gostamos”. Amanda Gurgel não chega a ouvir o afago. Recolhe seus livros e se despede.

Polícia Civil de São Paulo do Potengi prende homem por latrocínio

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Uma equipe da polícia civil de São Paulo do Potengi, com o apoio da Polícia Militar, prendeu em flagrante, na tarde desta terça-feira (21), Alexsandro França de Paiva, vulgo “Liga Preta”, 34 anos, por ter assassinado hoje Thaise Nascimento da Silva Martins, 31 anos, no centro de Santa Maria.

No crime, o homem teria entrado na residência da vítima para um roubo, e se deparado com a mesma, que reagiu e foi amarrada e estrangulada com o fio do DVD pelo invasor. Após o homicídio, Alexsandro roubou objetos e eletrônicos da casa, como televisor, celular, liquidificador, ferro de passar, bebedor, dentre outros.

A prisão foi realizada após denúncias acerca do homem, que estava em uma loja de aparelhos celulares tentando desbloquear o celular da vítima. Ele foi preso e autuado pelo crime de latrocínio, sendo encaminhado ao sistema prisional, onde ficará a disposição da Justiça.

Motoristas paralisam no Baldo em protesto ao reajuste salarial atrasado

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Protestando contra o atraso nos pagamentos dos reajustes salariais, motoristas de algumas empresas de ônibus, juntamente com o Sintro-RN, paralisaram suas atividades em frente ao Viaduto do Baldo na tarde desta terça-feira (21). A informação foi confirmada pelo primeiro-secretário do sindicato, Moises Leite.

Segundo Leite, a paralisação deve durar cerca de 30 minutos, tempo de duração da assembléia que debate o reajuste. Ainda de acordo com o primeiro-secretário, três empresas, que estão com seus pagamentos em dia, não foram paradas. São elas: Conceição, Trampolim e Cidade das Dunas. 

Tiago Iorc ganha boneco em sua homenagem e vira piada nas redes sociais

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O artista Marcus Baby é conhecido por fazer bonecos de personalidades como atores e cantores. O alvo da vez foi Tiago Iorc. Com o corpo de uma cor e o rosto de outra, a miniatura do cantor virou piada nas redes sociais.

Apesar de ter ficado parecido, o boneco é um pouco estranho e desagradou as pessoas no Twitter. Com o famoso penteado "coque samurai", alguns ainda questionaram se é Tiago Iorc ou Luan Santana.

Rapaz devolve celular perdido ao dono e pede emprego como recompensa

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Um exemplo de honestidade vem chamando atenção nas redes sociais desde a última segunda-feira, 20. Pablo Júnior, um jovem de 17 anos, encontrou um iPhone 6 em uma festa, e ao invés de pegar o aparelho para si, ou vendê-lo, resolveu ir atrás do dono

"Ele me devolveu e eu quis dar R$ 200,00 para ele, como forma de agradecimento, mas o que ele realmente está procurando é uma vaga de emprego", publicou o dono do celular, Nikolas Soares, em seu Facebook. Junto à postagem, anexou uma imagem com o currículo de Pablo, fazendo um apelo para que o garoto seja contratado.

No currículo, Pablo, 17, diz ter mais de oito anos de experiência, o que indica que ele trabalha desde quando ainda era uma criança.

Reforma da Previdência é necessária e deve haver debate, dizem especialistas

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Regimes de Previdência precisam ser revistos para se adequar à realidade. No Brasil, a reforma do sistema se faz necessária – diante de intensas mudanças demográficas – e deve ser conduzida de forma transparente. A avaliação é de especialistas em direito previdenciário que participaram hoje (21) de debate promovido pelo programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.

Especialista em saúde pública e representante brasileiro na Organização Ibero-Americana de Seguridade Social (OISS), o médico Baldur Schubert, destacou que as aposentadorias e pensões são pagas a partir das contribuições feitas pelos trabalhadores da ativa. E a tendência é o aumento do número de beneficiários em detrimento da arrecadação de recursos. “Isso significa um problema cada vez mais sério de déficit para o futuro”, disse.

A advogada e professora de direito previdenciário Cristina Aguiar defendeu o detalhamento do modelo de reforma proposto pelo governo para os trabalhadores. “A população tem que saber o que está sendo tratado. A redação da proposta não é fácil para quem atua na área”, disse Cristina Aguiar, ao destacar que a complexidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que trata da reforma da Previdência, levanta dúvidas até mesmo em grupos de estudo sobre o tema.

Já o advogado e professor de direito previdenciário Alex Sandro Oliveira defendeu alterações na Previdência, mas ressaltou que a reforma não deve ser feita forma apressada. Para Oliveira, as mudanças precisam necessariamente respeitar, por exemplo, diferenças de gênero e diversidades regionais, e ir além dos aspectos previdenciários.

“Tentar entender o que está sendo colocado à mesa é fundamental. Ninguém pode tomar uma decisão, seja para um lado ou para o outro, sem que esteja devidamente esclarecido”, disse o advogado Mauro Hauschild, especialista na área e ex-presidente do Instituto Nacional de Seguridade Social. “Faltou combinar com os russos, como diria Garrincha. Ou seja: faltou combinar com os trabalhadores. Temos que correr atrás para resgatar esse tempo perdido de falta do diálogo. Não tem que ter guerra, briga, nem nada. Tem que haver uma discussão sadia.”

O programa foi o primeiro de uma série de debates que ocorrerão no programa. Além das perguntas dos âncoras do programa - Valter Lima (Brasília), Sula Sevillis (Amazônia), César Facciolli (Rio de Janeiro) e Misslene Ferreira (Alto Solimões), participaram com questionamentos jornalistas da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e ouvintes.