Os 12 meses mais violentos da história do Rio Grande do Norte

Os 12 meses mais violentos da história do Rio Grande do Norte

Compartilhe esse conteúdo

Um assalto a banco que culmina na morte de um policial quando ele tentava evitar o crime; um usuário de drogas que paga com a vida a dívida com o traficante; a bala perdida que acerta uma criança e a leva a óbito. Histórias como essas deixaram várias famílias potiguares de luto em 2016. Foram quase 2 mil.
 
O Rio Grande do Norte viveu neste ano os doze meses mais violentos de sua história. O recorde negativo deixa a população do estado assustada e causa revolta entre parentes de vítimas.
De acordo com o Observatório da Violência Letal Intencional do RN (Obvio), até a segunda-feira passada, dia 26, 1.951 pessoas foram assassinadas em diferentes cidades do estado. Isso inclui homicídios, mas também latrocínio (roubos seguidos de morte) e quaisquer outros tipos de Condutas Violentas Letais Intencionais.
 
 
Nas ruas, a população reclama também das ocorrências de assaltos e do crescimento da violência no Rio Grande do Norte. O NOVO procurou algumas autoridades que têm relação com a Segurança Pública para opinar sobre a situação.
 
O procurador geral de Justiça do Ministério Público do Estadual, Rinaldo Reis, diz que é necessário que se invista mais no Setor de Inteligência das polícias, para enfrentar a criminalidade.
Ele também argumenta sobre e a necessidade de combater o avanço das drogas. “Porque sabemos que boa parte desses crimes têm relação com as drogas”, justifica.
 
Para Rinaldo Reis, é preciso atenção do Governo do Estado para esse problema. “Esses números falam alto, esse ano temos um recorde na quantidade de homicídios”, reforça.
 
De acordo com o secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Caio Bezerra, nos últimos tempos houve no Rio Grande do Norte um acirramento da disputa de grupos criminosos rivais, principalmente no que diz respeito ao tráfico de drogas. 
 
“Para se ter uma ideia, cerca de 69% dos homicídios registrados no Estado têm algum tipo de relação com o tráfico de drogas. Trabalhamos em cima desses dados e temos realizado ações importantes”, disse.
 
Entretanto, mesmo diante desta realidade, o secretário destacou as ações que a pasta tem desenvolvido para tentar coibir a criminalidade. “Mesmo diante da crise econômica do Brasil, a Sesed seguiu fazendo investimentos”, declarou.
 
“Fomos criativos e ousados na busca por fontes de recursos. A população tem a necessidade e precisamos realizar investimentos independente da situação financeira do Estado. Utilizando recursos das multas impostas pelo Poder Judiciário conseguimos, por exemplo, adquirir um laboratório para confecção de laudos periciais no Itep, reformar delegacias no interior e montar uma Central Telefônica nova em Mossoró”, exemplifica.
 

caio_bezerra_secretario_adjunto_da_seguranca_do_rn._fm_8.jpg


Situação preocupa o secretário de Segurança do estado, Caio Bezerra | Foto: Frankie Marcone / NOVO
 
Apesar dos investimentos, Caio Bezerra reconhece que é preciso incrementar o efetivo das polícias. “As nossas forças de Segurança têm apresentado grandes resultados, mesmo diante das dificuldades que existem, mas sabemos da necessidade de aumentar o nosso efetivo”, declarou.
 
Dentre as ações, Caio Bezerra elencou também a atuação do aparato de Segurança do RN nos ataques sofridos em diferentes estados por conta da instalação de bloqueadores de telefonia móvel na Penitenciária Estadual de Parnamirim, em julho.
 
“Em agosto, por exemplo, na crise do sistema penitenciário, conseguimos desarticular o principal grupo criminoso, que era o responsável por ordenar aqueles ataques. Desde então temos feito diversas prisões, mais recentemente prendemos alguns grupos que estavam atuando nas explosões de caixa eletrônico”.
 
Em meio às atividades que vêm sendo desempenhadas pelo Estado, a Sesed tem boas expectativas para a redução da criminalidade e combate à violência a 2017.