Processo para Pico do Cabugi virar monumento natural está parado

Processo para Pico do Cabugi virar monumento natural está parado

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Uma singular formação geológica em forma de cone salta no horizonte de quem trafega pela BR-304, estrada que liga Natal ao Oeste potiguar, nas proximidades de Lajes, município distante 125 km da capital.    Não há em todo país outra estrutura natural como aquela. Isso porque o Pico do Cabugi é o único vulcão extinto que preserva sua forma original no Brasil, referência inclusive para a origem do nome em tupi-guarani que quer dizer “peito de moça”.   

O também chamado Serra de Itaretama (do tupi, serra de muitas pedras) é herança do mais jovem magmatismo continental do Brasil, ocorrido há 20 milhões de anos. Cerca de 17 milhões de anos antes dos primeiros seres humanos aparecerem por aqui.   Apesar da proximidade com o município de Lajes (7 km), o pico está oficialmente inserido no município de Angicos e é um dos pontos mais altos do Rio Grande do Norte (existem pontos de maior altitude na Serra de São José e Serra do Martins, por exemplo).   

Da estrada até o cume são 590 metros de altura, equivalente a estar na cobertura de um edifício de 150 andares, com uma vista panorâmica de 360º livres no horizonte.   

Antes cenário de erupções vulcânicas, hoje é um dos pontos mais visitados por quem pratica esportes de aventura no estado. Não há dados oficiais, mas estima-se que 300 pessoas se aventurem por ali todo mês.    A equipe do NOVO Jornal se uniu a elas com a missão de não só acompanhar, mas vivenciar na prática as experiências de quem arrisca a subida ao Pico do Cabugi.   

Um fotógrafo e uma repórter encararam juntos o desafio de explorar o local e contar, numa série de reportagens, as histórias que giram em torno de um dos mais promissores pontos de turismo ecológico (e, para a surpresa de muitos, religioso) do RN.   

Com uma área maior do que dois mil campos de futebol, o Parque Ecológico Pico do Cabugi foi criado em 1988, mas só foi regulado em março de 2000 com a publicação do Decreto Estadual nº 14.813 que falava sobre seus objetivos “de proteger um dos raros remanescentes da atividade vulcânica do território nacional; conservar uma porção do bioma caatinga do entorno da formação geológica; ordenar o uso e a ocupação da área; e estimular a atividade turística local sem comprometer o meio ambiente”.   

Quinze anos depois, o único vestígio de que o espaço é controlado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema) é uma discreta e desgastada placa às margens da BR-304 que passa despercebida para a maioria das pessoas. Não há qualquer controle na entrada e o portão de madeira e a cerca de arame farpado são as únicas barreiras para o acesso.  

“Alta temporada” no Pico começa em julho  

Sem dados oficiais sobre o turismo no Pico do Cabugi, a reportagem do NOVO Jornal seguiu pela BR-304 rumo ao balneário Cabugi, famoso por ser o ponto de apoio para quem deseja encarar a trilha de 2,5km até o topo.   

O proprietário Luís Fonseca, 52 anos, administrador do local, parece uma das poucas fontes de informações sobre o que acontece no vulcão extinto. Por muitos anos, era ele quem guiava os aventureiros pela trilha. Agora, dedicado aos cuidados da sua propriedade, que conta com banheiros, chuveiro, redes, mesas e um restaurante que serve café da manhã e almoço, ele se contenta em acolher da melhor maneira cada grupo que chega.  

“Nos fins de semana, até oitenta pessoas passam por aqui”, relata. Uma média de trezentas pessoas por mês. Comparativamente, esse número representa 3% da média de visitantes de outro Parque Estadual administrado pelo Idema, o Parque das Dunas de Natal. A dedicação e o carinho de Luís pelo trabalho são confirmados nas primeiras conversas: “Cada dia que chega gente, eu me sinto tão feliz. Já cheguei a subir até quatro vezes em um único dia só pela felicidade de acompanhar o pessoal”, conta.   

Apesar do prazer e da experiência de ser “guia”, ainda que extraoficial, há nove meses Luís Fonseca não sobe o Pico. “Fico muito triste. Não vou porque sou sozinho e preciso cuidar das coisas aqui embaixo”, conta. Hoje com outros objetivos, ele sonha com algo que, para ele, parece estar bem acima das dificuldades de vencer os 590 metros de altitude da trilha: ele quer aprender a ler e escrever.   

A alta temporada para os aventureiros costuma ser em julho, quando o clima na região é mais ameno. Nessa época, um passeio guiado - indicado para quem não conhece a trilha - chega a custar cinquenta reais por pessoa.  

O grupo Trilheiros da Caatinga é um dos mais requisitados. “Quem vier tem que assinar o termo de responsabilidade. Todos precisam ser maiores de 18 anos ou, se tiver 16, deve estar acompanhado de um responsável”, explica um dos guias.   

O mais comum é escalar o pico de manhã ou no fim da tarde e descer no mesmo dia. Há quem escolha passar a noite acampado no cume. Ficamos com esta opção. Detalhes da aventura estarão na terça-feira, na segunda reportagem da série Pico do Cabugi, Monumento Natural.