RN tem o 2º maior percentual em mortes causadas por acidentes com motos

RN tem o 2º maior percentual em mortes causadas por acidentes com motos

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Uma perna quebrada e uma internação no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel são os resultados de um acidente sofrido pelo funcionário público Daniel Luiz Soares, de 44 anos, em dezembro de 2016. Ele estava em sua motocicleta, na Rua Mira Mangue, em Felipe Camarão, bairro onde mora, quando viu um pedestre em sua frente. Ao desviar, o motociclista foi parar no acostamento, repleto de brita, e acabou caindo. 
 
O deslize custou caro: ele quebrou a tíbia direita, próxima ao tornozelo, e quando recebeu a reportagem estava com hastes de fixação no local enquanto aguardava uma cirurgia, que segundo sua previsão só deveria ocorrer no início deste ano. Daniel foi mais um a entrar para as estatísticas de acidentes. Motociclistas são as maiores vítimas de violência no trânsito no Rio Grande do Norte. 
 
O funcionário público de Felipe Camarão ainda contou com a sorte, já que um levantamento da AmBev intitulado “Retrato da Segurança Viária” indica que, em 2014, 61% das mortes em acidentes de trânsito nas vias potiguares envolveram pessoas que estavam em motocicletas. Essa é a segunda maior proporção no Brasil. O estado fica apenas atrás do Piauí, que apresenta uma porcentagem de 67% de mortes envolvendo condutores dos veículos de duas rodas.
 
O estudo divulgado em dezembro ainda mostra que 22% dos óbitos no trânsito potiguar envolveram automóveis e outros 12% pedestres. Os outros 5% restantes representam acidentes fatais envolvendo outros veículos. Ao todo, naquele ano de 2014, 589 pessoas morreram após acidentes de trânsito em território potiguar, contabiliza a pesquisa. Com um índice de 17,3 mortes por 100 mil habitantes, esse é o terceiro menor indicador de óbitos em todo o país, ficando atrás apenas de São Paulo e Amazonas.
 
Comparando os números de 2014 e 2013, ano em que teriam sido registrados 620 óbitos no trânsito, houve uma redução de 5%. Essa é a quinta maior queda do país, contudo, quando se compara com o ano de 2003, houve um aumento de 48% em mortes nas estradas existentes no estado.
 
“Moto não tem para choque qualquer coisa, se pender para o lado, já era”, afirmou Daniel Soares, que pilota desde 2012, e estava em uma maca no quarto andar do Hospital Walfredo Gurgel.
 
No trânsito, as cidades potiguares mais violentas, segundo o estudo da AmBev, são Mossoró, Açu e Ceará-mirim. Campeã no ranking local, a capital do Oeste apresenta uma taxa de 45 óbitos por 100 mil habitantes. Também na Região Oeste do estado, proporcionalmente, Baraúna é a cidade com menos mortes com uma taxa de 7,5 óbitos por 100 mil habitantes, indica a pesquisa, publicada neste mês de dezembro.
 
Localizados na Região Metropolitana de Natal, Parnamirim e Nísia Floresta são os outros dois municípios menos violentos no trânsito estadual, com taxas de 7,6 mortes por 100 mil habitantes.
 
O estudo da AmBev também indica que os motociclistas são a maioria das vítimas em acidentes de trânsito em geral: 75% dos feridos nas rodovias potiguares estavam conduzindo ou na garupa de uma moto. É o caso do pintor Geraldo Lucas da Silva, 48, que caiu de sua moto após colidir com outra, em Nova Cruz. ele sofreu escoriações nos braços, teve um corte no pé direito e quebrou um dedo da mão esquerda. “Nem sei se volto a pilotar de novo depois dessa”, lamentou.
 
Imprudência gera acidentes, diz PRF
 
Segundo o inspetor Roberto Cabral, do setor de comunicação social da Polícia Rodoviária Federal (PRF), motociclistas dominam as estatísticas de acidentes de trânsito por dois motivos: a vulnerabilidade que os veículos motorizados de duas rodas possuem e a imprudência.
 
“Ciclomotores de duas são muito vulneráveis, uma queda pode provocar a morte do condutor ou do passageiro. Associado a isso temos a imprudência, o desrespeito às normas de trânsito, sobretudo em locais onde não há a presença firme do poder público”, comentou o agente da PRF.
 
Cabral diz que em cidades do interior, por exemplo, é mais comum ver quebras de normas de trânsito, como motociclistas e garupas sem capacetes, motos com capacidade de transporte de passageiros além do permitida, condutores sem habilitação, entre outras infrações de trânsito.
 
Por isso, o subcomandante do Comando de Policiamento Rodoviário Estadual (CPRE), tenente-coronel Flávio Melo, diz que cada vez mais operações de fiscalização vêm sendo feitas nas vias estaduais do interior. “Estamos interiorizando as nossas ações de trânsito. Nosso efetivo é pequeno, mas estamos deslocando efetivo de Natal para o interior para nossas operações”, disse.