Secretário Walber Virgolino diz que RN está preparado para retaliação do PCC

Secretário Walber Virgolino diz que RN está preparado para retaliação do PCC

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O massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), em Manaus que resultou em cerca de 60 mortes de detentos, a maioria membros do PCC, pode ter consequências no Rio Grande do Norte. Em entrevista ao NOVO, ontem (3), o titular da Secretaria de Estado da Justiça e da Cidadania (Sejuc), Wallber Virgolino, afirmou que ainda não recebeu nenhum comunicado do Ministério da Justiça sobre o risco de motins no sistema prisional potiguar, mas o Estado está preparado.
 
“Trabalho em cima da pior das hipóteses: fugas, motins, mortes. Mas pode anotar aí que se tentarem algo por aqui, ‘vão comer fumo’”, disparou o secretário, por telefone.
 
A informação de que o PCC pode retaliar no RN a ação ocorrida em Manaus partiu da Rádio Jovem Pan, de São Paulo. Segundo a emissora, por meio da jornalista Vera Megalhães, a facção criminosa paulista pode responder a ação da Família do Norte, sua rival no Amazonas, em presídios potiguares e de mais três estados. Isso porque a organização criminosa amazonense é aliada do Comando Vermelho, que possui alianças com o Sindicato do Crime no território potiguar.
 
Wallber Virgolino adiantou, no entanto, que no momento a situação nas unidades prisionais potiguares está tranquila. O setor tático da Sejuc vai monitorar mais atentamente a movimentação, indicou o secretário.
 
O ministro da Justiça Alexandre de Moraes, que chegou ainda na noite de segunda-feira (2) em Manaus para conversar com as autoridades do estado sobre a situação dos presídios e a disputa entre as facções Família do Norte e PCC - responsável pela chacina de detentos no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, o Compaj, afirmou que a questão prisional é de “absoluta prioridade” para o governo. 
 
Moraes apontou a criação de Núcleos Permanentes de Inteligência nos estados como ferramenta a ser criada para enfrentar o crime organizado. De acordo com o ministro, esses núcleos terão a participação de agentes de inteligência da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícias Militar e Civil e agentes prisionais. 
 
As estruturas terão como finalidade facilitar a troca de informações e dados entre as instituições que participam das ações de segurança pública para intensificar o cerco contra o crime organizado.
 
O ministro afirmou também que o governo federal transferiu cerca de R$ 1,2 bilhão para os estados que poderão ser utilizados na construção de 20 mil novas vagas no sistema prisional e na compra de equipamento como scanners - utilizados para evitar a entrada nas cadeias de armas, drogas e aparelhos celulares.
 
“A questão prisional é absoluta prioridade do nosso governo. Na última quinta- feira transferimos R$ 1,2 bilhão para os Estados, para construção de aproximadamente 20 mil novas vagas e colocação de scanners para impedir a entrada de armas e outros instrumentos. Mas o mais importante será a criação dos Núcleos Permanentes de Inteligência em cada Estado, com participação de agentes de inteligência PF, PRF, PM, PC e Agentes prisionais nos 27 Estados da Federação, para troca de informações e dados”, afirmou Moraes.