Seis policiais militares morreram este ano vítimas de criminosos

Seis policiais militares morreram este ano vítimas de criminosos

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Em menos de 24 horas, um policial militar foi assassinado e outro foi baleado nos municípios de Parnamirim, na Região Metropolitana de Natal, e Santa Maria, no Agreste Potiguar. Somente neste ano, segundo levantamento feito pela Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros Militares do RN (ASSPMBMRN), seis policiais militares morreram vítimas de criminosos. Deste total, quatro estavam na ativa e dois na reserva. É um caso a menos do que foi registrado no ano passado, quando sete PM foram mortos, seis vítimas da ativa e uma da reserva.
 
Até ontem à tarde, a última vítima das estatísticas fatais envolvendo policiais havia sido o cabo Ivan Márcio da Costa Xavier, lotado em Parnamirim. Com 39 anos de idade, 12 de corporação, ele foi morto a tiros na última segunda-feira (26) durante um assalto a uma agência do Banco do Brasil, localizada  no bairro da Cohabinal, Grande Natal.
 
Cabo Ivan estava no local quando criminosos, após roubarem um malote no BB, efetuaram vários disparos em sua direção. Na troca de tiros o PM foi atingido no peito, e apesar de ser levado ao Hospital Deoclécio Marques, no mesmo município, não resistiu aos ferimentos. Até o fechamento desta edição, ninguém havia sido preso pelo homicídio.
 
Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) afirmou que toda a estrutura da pasta foi prontamente disponibilizada para apurar o ocorrido, identificar e prender os acusados. Ontem, o secretário Caio Bezerra se reuniu com membros da Polícia Civil para acompanhar o andamento das investigações, informou a assessoria de imprensa da Sesed. A pasta pede a ajuda da população na identificação dos suspeitos, por meio do telefone do Disque Denúncia – número 181.
 
Na nota enviada à imprensa, Caio Bezerra lamentou o ocorrido: “Lamentamos profundamente o falecimento do cabo da PM Ivan. Que Deus conforte sua família e amigos”. 
 
Na mesma segunda-feira, à noite, outro cabo da PM foi vítima de criminosos. O policial militar foi baleado durante uma tentativa de assalto ocorrida na BR-304, nas proximidades do município de Santa Maria, no Agreste do estado. De acordo com a Polícia Militar, o agente estava na estrada em sua motocicleta quando foi abordado por dois homens tanbém em uma motocicleta. O militar reagiu ao assalto e disparou contra os criminosos, atingindo um deles.
 
Na troca de tiros, um assaltante ficou ferido e foi levado para o Hospital Walfredo Gurgel, em Natal, para atendimento de urgência. Em seguida, o homem foi levado para a Delegacia de Plantão da Zona Sul para os procedimentos necessários. O outro suspeito ainda não havia sindo preso até ontem à tarde. Já o policial foi atingido no capacete e sofreu pequenos ferimentos. Ele passa bem.
 
Segundo o presidente da Associação dos Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros Militares do RN, subtenente Eliabe Marques, a entidade não conta com dados específicos relacionados a policiais feridos em ações criminosas, mas ressalta que os casos seguramente ultrapassam os dez, neste ano de 2016.
 
Para o subtenente, faltam condições de trabalho para os agentes da segurança estaduais. “Faltam condições adequadas de segurança. Temos um conjunto de ações e omissões do Estado que fragilizam o trabalho policial”, criticou o presidente da Associação. Como exemplo, ele dá a crise e consequente falha do sistema prisional em manter os criminosos presos e não ressocializá-los.
 
O subtenente Eliabe também chama a atenção para o déficit de equipamentos básicos para os agentes de segurança, que segundo ele, hoje precisam revezar coletes a prova de balas, muitas vezes com a validade vencida. “É preciso prioridade na segurança pública”, ressaltou.
 
A reportagem procurou a Polícia Militar, que respondeu por meio de sua assessoria de imprensa. A corporação preferiu não comentar as críticas da Associação. Disse apenas que há coletes suficientes para o efetivo e que cada comandante é responsável por verificar a data de validade dos equipamentos de suas equipes. Sobre a morte do cabo Ivan, a PM lamentou o ocorrido e afirmou que o colete utilizado pelo agente não reteve as balas disparadas pelos criminosos porque a arma utilizada era de grande calibre, um fuzil 556.