Estilista potiguar radicado nos EUA lança em Natal a nova coleção de inverno

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“O Juan comentou que só en controu esse tipo de botão, pode ser?”, pergunta uma das costureiras mostrando a tela do celular e ele confirma com a cabeça. “Esse tá bom sim, avisa a ele que pode trazer”. O clima naquela manhã é de correria. Júlio César apresentou na noite de ontem (10) em Natal a coleção de inverno que ele deve lançar nos EUA dentro dos próximos dias. 
 
Potiguar, natural de Mossoró, mas radicado nos EUA, em Nova York, há mais de 20 anos, Júlio, de 50, hoje em dia mantém dois estúdios próprios, um no bairro do Tirol, onde conversamos, e outro na Gareth Street, em Nova York, onde o ritmo é bem mais “estressante”, segundo ele mesmo, pela alta demanda de clientes em busca de roupas.
 
Batizada de “Wandering Soul”, a nova coleção começou a ser pensada no final do ano passado, inspirada inicialmente pela música River Of Sorrow, da banda norte-americana Antony and the Johnsons, liderada por Anohni. “Mas então eu tive um certo receio de a coleção ficar muito triste, aí mudei o rumo, baseado no disco Wandering Spirit, do Mick Jagger”, explica, afirmando que música é quase sempre sua inspiração.
 
Direcionada especialmente ao mercado americano e às regiões de clima frio no Brasil, a coleção é composta por peças de tons mais escuros e com vários tecidos mais encorpados, como ele mesmo mostra ao longo da conversa. Por ali as peças estão separadas de acordo com as modelos que as usarão daqui há algumas horas no desfile de estreia.
 
Ele e toda a equipe dormiram no ateliê para economizar tempo e o clima é familiar. No escritório, seu marido, o dominicano Juan Ripolli toma conta de tudo relacionado aos bastidores junto com um sobrinho e a irmã de Júlio César. 
 
“Eu fico apenas responsável por isso aqui”, diz, apontando para a mesa cheia de retalhos no seu próprio ateliê, que ele chama de “Caos Criativo”. Vários tipos de tecidos estão espalhados pelo chão e seguem uma certa concordância com um painel dividido em 4 pregado na parede no qual semanalmente Júlio troca recortes de tecidos, fotos e todas as demais referências que possa ocupar aquele espaço. Essa dinâmica serve tanto para o estúdio daqui quanto para o que ele mantém nos EUA.
 
Quarenta looks estão dispostos ao total no estúdio e todos carregam a característica mais forte de sua marca desde o início da aventura pela costura: a profusa mistura entre tecidos.
 
“Eu sempre me contive ao longo dos anos, mas acho que essa é a primeira coleção que eu deixei isso para lá e deixei rolar essa mistura intensa de tecidos”, conta, apontando para o teto forrado inteiramente por recortes de diferentes tecidos.
 
LÁ E CÁ
 
Há cerca de dois anos Júlio se divide entre os dois estúdios, passando cerca de dois meses em cada um deles. A agenda dividida desta forma faz com que suas peças sejam comercializadas tanto em território americano, quanto no Brasil. A conquista mais recente foi a capital pernambucana, a mais nova cidade a vender Júlio César.
 
Mas mesmo assim a demanda fora do país é realmente muito maior, como ele reconhece, devido às mais de duas décadas em que passou morando exclusivamente nos EUA, trabalhando tanto com sua própria clientela, quanto com o designer Koos Van Den Akker, um de seus principais incentivadores e a quem ele dedica esta coleção.
 
O percurso de sucesso começou há algum tempo, quando aos 17 Júlio saiu de Mossoró para trabalhar em São Paulo, a convite de seu irmão, no jornal A Folha de São Paulo, e por lá exerceu a extinta função de “colagista”, organizando recortes de jornais para arquivo. 
 
Ao mesmo tempo trabalhava também na equipe de edição da TV Cultura, até que aos 20 decidiu se mudar para Londres a fim de estudar mais sobre mídia, e assim permaneceu por cerca de 3 anos até chegar aos EUA, obstinado a estudar mais sobre arte no “Fashion Institute of Technology”, o FIT, em Nova York.
 
“Eu realmente tive muita sorte porque no meu primeiro dia lá conheci o Koos Van Den Akker que era amigo de alguns amigos meus. Pouco tempo depois ele precisou de alguém para o ajudar no seu ateliê e me chamou”, lembra sobre o começo da parceria profissional entre os dois encerrada apenas com o falecimento do designer, em fevereiro de 2015.
 
Pertenceu a Koos Van Den Akker, por exemplo, o boneco de Edward Mãos de Tesoura que nos observa em cima do ar condicionado do estúdio. A miniatura do personagem criado por Tim Burton lhe faz lembrar do momento em que encarou com seriedade o dom de criar roupas. Ele ainda estava em Londres, quando foi convidado para uma festa a fantasia. Indeciso sobre o que usar, resolveu se vestir de Drácula, mas ao invés de comprar ou alugar uma roupa pronta decidiu ele mesmo costurar sua própria fantasia.
 
A inspiração veio dos pais do seu melhor amigo de infância, que eram costureiros, despertando desde cedo a curiosidade por croquis, tecidos e todo esse universo. “Acho que foi essa festa que me fez voltar a essa lembrança dos pais do meu amigo e então eu vi que podia ser possível também”, diz.
 
GRAVATA EM JASON MRAZ
 
Ao longo dos anos, as peças criadas pelo potiguar já vestiram alguns artistas influentes dos EUA, como o humorista Bill Cosby, para quem desenhava peças usadas no show apresentado por ele regularmente na TV americana; e também para alguns mais jovens, como o cantor e compositor Jason Mraz, que utilizou uma gravata desenhada por Júlio durante uma premiação do Grammy.
 
A gravata aliás, fazia parte de uma das coleções de maior repercussão de Júlio nos EUA, elaborada em parceria com a designer Alyce Santoro, criadora do “Sonic Fabric”, um tecido feito a partir de fitas K7, o mesmo que ele busca, dobrado, entre as pilhas de tecido do ateliê.
 
“Ela lançou várias coleções desse tecido, uma inclusive a partir das músicas que gravava nos metrôs, com os artistas de rua”, relembra. 
 
“Deixa eu interromper só um pouquinho”, menciona uma de suas costureiras levantando os dois braços, cada um com um zíper de cor diferente. Júlio não demora muito e vai certeiro no de cor preta. Juan, seu esposo, aprova a decisão e sai da sala para resolver mais alguns detalhes do desfile.
 
Júlio e Juan se conheceram por acaso em uma tarde no Central Park, quando Júlio botou o olho em Juan e resolveu puxar conversa. “Conversamos durante horas naquele dia e eu me senti encantado. Ele deixou o número, mas pensei que nunca mais iríamos nos falar. Eis que ele ligou”, lembra, com empolgação do episódio vivido há mais de 15 anos.
 
A união só seria oficializada, no entanto, anos depois, no município de São José do Mipibu, logo após o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo ser aprovado no Brasil. 
 
 
 

Natal já tem várias “minibibliotecas” abertas para compartilhar obras literárias

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Em uma cidade que carece de bibliotecas públicas, novas formas de acessar, compartilhar e exercitar a leitura diária estão se popularizando nos últimos meses em paradas de ônibus, praças públicas e diversos outros locais até então utilizados pela população apenas como um ponto de passagem.

Seja em geladeiras antigas adaptadas ou em pequenas e charmosas casinhas de madeiras, uma pequena volta pelas principais vias públicas da cidade pode constatar que o compartilhamento de livros está sendo estimulado com ajuda da própria população.

Quase nove da manhã e uma geladeira permanece aberta cheia de livros chamando atenção em uma pequena pracinha improvisada em frente ao carro de lanches de seu Jair Alexandre, o “Penha Lanches”, localizado na parada do Circular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o ônibus que diariamente realiza várias viagens gratuitas levando ou buscando estudantes na maior universidade pública do estado, no bairro de Lagoa Nova, na zona Sul de Natal.

Estamos no bairro de Lagoa Nova e a geladeira inaugurada há pouco mais de três semanas vem chamando a atenção dos estudantes que precisam esperar pelo circular em busca de sombra ou alguma comida antes de iniciar a maratona de aulas.

É o caso de Erick Chagas (20), que esperando o circular rumo às atividades do dia no curso de educação física notou a geladeira pela primeira vez, e muito embora confesse não ter o costume de ler com muita frequência avalia que a iniciativa pode estimular pessoas a criar esse hábito. “É uma possibilidade de estimular, com certeza, ainda mais com os pockets (livros de bolso)”, comenta.
A ideia partiu do comerciante Jair Alexandre, de 45 anos. Há quase uma década ele mantém um carro de lanches na parada do circular em homenagem à sua mãe, Dona Maria da Penha, já falecida. “Por isso o nome”, explica, apontando para a plaquinha onde pode-se ler “Penha Lanches”.

Dona Maria era professora e o pai de Jair, Zé da Penha, também falecido, era mestre de obras e trabalhava com auxiliares, em sua maioria analfabetos.
“Até o dia que minha se ofereceu para alfabetizar todos eles”, lembra sobre a família com 20 irmãos, composta por 10 filhos biológicos e 10 adotados, entre eles Jair. Tanto o seu carro de lanches quanto a própria geladeira Jair garante que foram pensados para homenagem à mãe, o que lhe faz sentir até mais a vontade por lá do que em sua própria casa. “Ali atrás tem até algumas plantas que eram da minha mãe que eu fiz questão de plantar para florescer um jardim dela ali”, diz, apontando para o jardim.

Mesmo com menos de um mês de funcionamento a geladeira já recebeu tantas doações de livros que Jair já não tem mais onde guardar os exemplares. Parte fica na própria geladeira e outra parte dentro do próprio carrinho de lanches, guardados entre os utensílios da cozinha.

A utilização não tem muitas regras, mas segue o bom senso: pegou um livro? Deixa outro! “É que assim todo mundo lê”, justifica o comerciante que mantém aberto tanto a geladeira quanto o próprio estabelecimento de segunda a sexta, entre 06h e 18h, e aos sábados das 06h até meio dia.

“Até agora a história que mais me emocionou foi a de um senhor que não tinha dinheiro para comprar os livros escolares do filho, passou por aqui e viu que tinha todos os que ele precisava, somente de doações. É isso que me faz seguir em frente”, complementa.

Sua luta agora é para conseguir uma segunda geladeira que dê suporte à demanda de novas doações que chegam diariamente ao carrinho de lanches. A atual também foi fruto de uma doação, de um senhor alfabetizado na juventude pela mãe de Jair.

As mini bibliotecas da Casa das Palavras

Dez da manhã. Estamos na calçada do Shopping Midway Mall, em uma das paradas de ônibus mais movimentadas da cidade, localizada na Avenida Salgado Filho. Em meio às plantas, uma pequena casinha amarela de madeira com algumas ilustrações faz contraste com a paisagem monocromática. Ali dentro alguns livros descansam à espera de seus novos donos, como uma versão antiga de “A Casa dos Espíritos”, romance mais famoso da escritora chilena Isabel Allende. Bem mais modesta que a geladeira, a casinha comporta apenas algumas poucas edições.

O objeto acaba chamando atenção da pedagoga Ana Luzia, 59, que à espera do ônibus para casa tenta enxergar mais afastada os dizeres escritos na casinha de madeira. “É uma iniciativa que precisa ser estimulada”, considera.

A minibiblioteca instalada no Shopping é a mais recente do projeto que existe desde 2014 articulado pela empresa de comunicação Oficina da Notícia, também responsável pelo Circuito Potiguar do Livro, que por sua vez engloba outras ações, como a Feira do Livro de Mossoró e a Feira de Livros e Quadrinhos de Natal, ambas realizadas no segundo semestre.

O diferencial do projeto é que além das minibibliotecas espalhadas pela cidade, ele também realiza uma programação itinerante pelo interior do estado proporcionando oficinas gratuitas a crianças e jovens de cada lugar. O próximo destino, por exemplo, é a cidade de São Gonçalo do Amarante, nos dias 29 e 30 de março.

Em pouco mais de três anos de existência, o projeto já percorreu mais de 12 municípios (Assú, Mossoró, Angicos, Pau dos Ferros, Currais Novos, Parelhas, Jardim de Piranhas, Timbaúba dos Batistas, Macaíba, Natal, Ceará-Mirim, Santa Cruz entre outros) e instalou mais de 30 minibibliotecas por todo o estado.

A previsão é de que Natal encerre o primeiro semestre com 15 minibibliotecas espalhadas pela cidade até o mês de julho. Alguns outros locais já beneficiados pelo projeto são: a Cidade da Criança e o Parque das Dunas. A próxima será instalada na Praça Augusto Leite.

“A ideia é basicamente visitar a cidade, realizar oficinas culturais diversas e na segunda noite reunir toda a comunidade para que elas apresentem o resultado dessas oficinas e então a gente instale a minibiblioteca que passa a ser cuidada pela própria população e por uma espécie de padrinho eleito na ocasião”, comenta Osni Damásio, um dos coordenadores da iniciativa. Com patrocínio de instituições públicas e privadas, as minibibliotecas tiveram inspiração no projeto americano “Little Free Library”, que também espalha casinhas pelo país a fim de estimular a leitura e o compartilhamento daquele livro encostado no seu quarto e que você provavelmente não vai ler mais.

Biblioteca Câmara Cascudo

Enquanto isso, fechada para reforma desde maio de 2013, a Biblioteca Câmara Cascudo ganha uma nova previsão de reabertura. De acordo com a assessoria de imprensa da Fundação José Augusto (FJA), órgão responsável por administrar o local, a maior biblioteca pública do estado deve ser reaberta no final do ano.

Há cerca de 15 dias, a Presidente da FJA, Isaura Rosado, esteve em Brasília, acompanhada dos coordenadores de Projetos de Infraestrutura Cultural do Minc, Alexandre Vasconcellos e Carlos Freitas para pedir mais celeridade ao convênio referente à Biblioteca.

Ainda segundo a nota enviada pela assessoria de imprensa, ficou definido que R$ 150 mil serão destinados a aquisição de obras, assinatura de jornais e revistas, e também restauração de títulos raros. Já os novos móveis e equipamentos de informática da Biblioteca devem contar com R$ 327 mil.

Lei Rouanet: de transparência a limites de incentivo; veja o que muda

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Concentradas em um pacote de mudanças, que vão desde a participação coletiva nos processos de fiscalização de projetos culturais até a regionalização de investimentos, novas regras divulgadas pelo Ministério da Cultura alteram a Lei Rouanet (Lei 8.313/91). Além de definir limites de incentivo e prestação de contas em tempo real para empresas, artistas e produtores culturais, as alterações influenciam até o público. O valor médio de ingressos, catálogos ou livros passa a ser R$ 150.

Após denúncias de fraudes, investigadas pela Operação Boca Livre, em outubro de 2016, em projetos aprovados pela Lei Rouanet (Lei 8.313/91), o Ministério anunciou as mudanças na legislação, reunidas em uma nova instrução normativa (1/2017). De acordo com o Ministério da Cultura, cerca de R$ 16 bilhões foram captados por meio da Lei Rouanet. Nos últimos 20 anos, cresceu quase 100 vezes a captação de recursos, de R$ 111 milhões, em 1996, para R$ 1,13 bilhão, em 2016.

Veja os principais pontos da lei e o que mudou:

O que é a Lei Rouanet?

Criada em 1991, a Lei de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) é conhecida por sua política de incentivos fiscais para projetos e ações culturais: por meio dela, cidadãos (pessoas físicas) e empresas (pessoas jurídicas) podem destinar para esses fins parte do Imposto de Renda devido.

O mecanismo de incentivos fiscais da Lei Rouanet é apenas uma forma de estimular o apoio da iniciativa privada ao setor cultural. Ou seja, o governo abre mão de parte dos impostos para que esses valores sejam investidos na Cultura.

Para que setores vale a Lei Rouanet?

A lei define o enquadramento com base em segmentos culturais, que são: artes cênicas; livros de valor artístico, literário ou humanístico; música erudita ou instrumental; exposições de artes visuais; doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, bem como treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos; produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual. Também estão na lista a preservação do patrimônio cultural material e imaterial e a construção e manutenção de salas de cinema e teatro – que poderão funcionar também como centros culturais comunitários, em municípios com menos de 100 mil habitantes.

Teto de valor do ingresso e cotas

O valor médio máximo dos ingressos será R$ 150, o que equivale a três vezes o benefício do vale-cultura, R$ 50. A cota de 30% de ingressos distribuídos gratuitamente e a de 20% das entradas com preço limitado ao valor do vale-cultura não foram alteradas.

Regras para propor projetos

O proponente deve comprovar ter realizado, nos dois anos anteriores, projeto em área cultural conexa à proposta apresentada. Assim, se o produtor não tiver realizado projeto na área de música nos últimos dois anos, ele não poderá inscrever um novo projeto nesta área utilizando sua pessoa jurídica, e terá de buscar empresa que tenha atuado na área específica nos últimos 24 meses.

Serão liberados da exigência produtores que estejam se inscrevendo pela primeira vez; nesse caso, o ministério delimita um teto de R$ 200 mil por projeto. Antes, o proponente devia comprovar apenas sua atuação na área cultural nos dois anos anteriores, mas sem especificação da área.

Limites dos proponentes

Para distribuir a renúncia fiscal do governo, o ministério estabeleceu novos limites que variam de acordo com o proponente, ou seja, microempresários e pessoas físicas poderão pedir até R$ 700 mil com até quatro projetos por ano. Na outra ponta, sociedades limitadas e outras pessoas jurídicas poderão propor até R$ 40 milhões, com no máximo 10 projetos.

Custo dos projetos

Cada projeto poderá custar até R$ 10 milhões, e a receita bruta com produtos culturais não poderá ser maior do que o custo total do projeto aprovado pela pasta da Cultura. No máximo 20% poderão ser gastos com divulgação.

Além disso, o produto cultural, seja espetáculo, show, teatro, deverá custar no máximo o equivalente a R$ 250 por pessoa do público. Ou seja, um produto com o custo máximo de R$ 10 milhões deverá ter público de 40 mil pessoas para estar dentro da legislação. O objetivo é evitar que projetos muito onerosos atendam a um público restrito.

Valor máximo de captação

Foi estabelecido o valor máximo de captação de R$ 10 milhões por projeto, com limite de R$ 40 milhões a projetos simultâneos de um mesmo proponente. A exceção ao limite (R$ 10 milhões) são projetos de temática de patrimônio, da área museológica e Planos Anuais, que não terão limite do valor.

Teto para projeto audiovisual

Com relação a projetos de audiovisual, serão fixados tetos para projetos de diferentes formatos: R$ 800 mil para média-metragem; R$ 600 mil para mostras e festivais, e R$ 50 a R$ 300 mil para sites e séries na web.

Limite de lucro por projeto

De acordo com a nova instrução, o valor total da receita bruta de cada produto cultural incentivado não pode ser superior ao incentivo fiscal previsto para o projeto.

Incentivos regionais

A pasta também instituiu incentivos regionais. Atualmente, menos de 10% dos projetos apoiados por incentivo fiscal estão nas regiões Norte (0,8%), Nordeste (5,5%) ou Centro-Oeste (2,6%). Os projetos nas três regiões terão limite máximo de R$ 15 milhões, sendo que a divulgação poderá chegar a 30% desse valor. Nessas regiões, o limite de projetos por proponente será flexibilizado. Será possível captar 50% a mais do que o limite estabelecido para cada proponente. A maior parte dos incentivos está no Sudeste (80%) e Sul (11%).

Prestação de contas

Pelas novas regras, quando um projeto é aprovado, uma conta no Banco do Brasil é aberta, e a movimentação dos recursos poderá ser acompanhada em tempo real. A movimentação desses recursos poderá ser visualizada online, e os dados serão disponibilizados no Portal da Transparência. Não será mais necessário o envio de notas fiscais. O pagamento em cheque não será mais utilizado. Os recursos passam a ser movimentados por cartão magnético, e os proponentes passam a ter direito de fazer saques de até R$ 1 mil por dia.

Antes disso, o limite de saque era de R$ 100 por dia e não eram utilizados cartões para movimentar o dinheiro. Além disso, a prestação de contas era manual.

Teto para cachês artísticos

A norma determina que os valores dos cachês sejam no máximo R$ 30 mil para artista ou modelo solo (moda) e R$ 60 mil para grupos artísticos ou de modelos. No caso de orquestras, R$ 1,5 mil por músico e até R$ 30 mil ao maestro. Custos relacionados a direitos autorais e conexos continuam limitados a 10% do total do projeto. Com isso, o Ministério oficializa uma exigência prévia da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) de 2013. Valores maiores dependerão de aprovação da CNIC – órgão colegiado que subsidia as decisões do Ministério da Cultura na aprovação dos projetos submetidos à Lei Rouanet.

Regionalização

Segundo o ministério, 80% dos projetos incentivados pela Rouanet estão na Região Sudeste. Para propostas a serem realizadas integralmente no Nordeste, Norte e Centro-Oeste, o teto de captação por projeto é 50% maior, ou seja, de R$ 15 milhões. Produtores que atingirem o limite de R$ 40 milhões poderão apresentar novos projetos de até R$ 20 milhões se eles se destinarem a essas regiões. Para tais projetos, os custos de divulgação também podem ultrapassar os 20% do valor do projeto e chegar a 30%.

Artista paulista Antônio Peticov volta a expor em Natal 25 anos depois

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Aos 70 anos de idade, Antônio Peticov é artista há 56, ofício que aprendeu sozinho aos 13 anos de idade e permeou toda sua vida. Seus trabalhos vão de pinturas e esculturas a desenhos e gravuras e após 25 anos sem visitar a capital potiguar, Antônio está em Natal essa semana, visitando velhos amigos e conhecendo um pouco da produção cultural local.

Em entrevista ao NOVO, Peticov afirma que precisava sair um pouco de São Paulo, onde vive desde 1999, tanto pelo clima como pela necessidade de conhecer outras expressões artísticas e identidades culturais. “A gente fica muito concentrado entre Rio de Janeiro e São Paulo, mas o Brasil não é só Rio e São Paulo. Há muita variedade e vitalidade da produção cultural no Brasil inteiro”, ressalta Peticov.

Antônio esteve em Natal pela última vez há 25 anos, quando expôs na Pinacoteca Potiguar. Ele voltou esta semana e levou algumas gravuras para expor na pizzaria Mormaço, na zona Sul da cidade. Embora a exposição tenha durado apenas um dia, ele dispôs para aqueles que têm curiosidade em conhecer sua obra em seu site oficial, com representações de todos os seus trabalhos e uma fotografia em 360º de seu ateliê, localizado em São Paulo. 

O artista plástico nasceu em Assis, interior do estado de São Paulo, descendente de búlgaros e filho de pastor. Junto com seu pai André e sua mãe Gláucia, pregava a palavra de Deus até se descobrir pintor com apenas 13 anos de idade e começar a estudar sozinho.

A descoberta da arte aconteceu em 1960 quando seu pai organizava o X Congresso da Aliança Batista Mundial, Antônio conheceu o diretor de arte Mauro Salles Júnior e desde então, encantado com seu trabalho, começou a estudar arte sozinho, fazendo releituras de grandes pintores, totalizando mais de 100 telas repintadas por Antônio. Seus primeiros trabalhos foram vendidos nos eventos religiosos dos pais quando tinha 14 anos de idade.

Em 1970, após ser preso e torturado pela ditadura, Antônio Peticov se exilou em Londres, onde teve contato com Gilberto Gil, Caetano Veloso e Glauber Rocha, no que define como um “gueto brasileiro na Inglaterra”, onde viveu por aproximadamente um ano. Movido pela vontade de conhecer novos lugares e vivenciar outras culturas no lugar de ficar entre brasileiros, Peticov decidiu para os Estados Unidos, mas ficou na Itália enquanto aguardava a liberação de seu visto.

O documento demorou meses para ser aprovado e quando isso finalmente aconteceu, Antônio já estava encantado com as terras italianas. “Eu fui para passar um mês e morei lá durante 14 anos. Foi uma experiência que mudou a minha vida porque lá o artista é herói nacional”, relata. Após 14 anos vivendo na Itália, o artista foi para os Estados Unidos, devido à projeção que seu trabalho tinha em Nova York.

Após começar a estudar fazendo releituras, Peticov começou a desenvolver seu próprio traço e utilizar estudos em matemática e física para relacionar o a pigmentação das cores ao processo de produção artística. Embora afirme ter um trabalho muito diversificado e não gostar de se definir por um estilo, o espectro das cores e pigmentos são o aspecto mais característico de sua obra.

“Eu não tenho formação acadêmica, mas nunca deixei de estudar. Através da curiosidade, descobrimos que tudo está interligado. Minha maior inspiração é a natureza, que considero a mãe de tudo. A natureza é física e a física não existe sem a matemática e tudo isso está presente no meu trabalho, em uma relação com a composição artística”, explica.

Dentre as diversas referências artísticas, Antônio destaca o modernismo brasileiro, que trouxe a ideia de valorização da cultura nacional e cita sua admiração pelo escritor Oswald de Andrade, que rendeu uma de suas mais importantes obras, o painel “Momento Antropofágico Com Oswald de Andrade”, na estação Metrô República em São Paulo.

Dentre os temas pintados por Peticov também estão escadas, cérebros, árvores, labirintos e figuras geométricas, que apesar da diversidade de temas, se caracterizam pelas cores. Para Antônio, estilo é uma convenção do mercado, mas seu trabalho procura ser livre das convenções.

“Existe uma diferença entre mundo da arte, mercado arte – que é um mercado como qualquer outro - e arte. Eu acredito que arte é transformar o ordinário em extraordinário. O artista deveria ser o profissional mais livre do mundo, mas acaba se acorrentando nas estruturas mercadológicas. Eu sou livre. Pauto minha arte de acordo com a minha intuição”, declara Peticov.

 

Dona do hit "50 Reais", Naiara Azevedo, se apresenta em Natal e conversa com o NOVO

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Durante anos as dores de traição e amores não correspondidos na música sertaneja foram cantadas sob a ótica masculina, cenário que está sendo quebrado, no entanto, com a revolução do gênero musical a partir do “sertanejo universitário” e suas novas vozes, como a de Naiara Azevedo, que desembarca em Natal hoje trazendo na mala várias composições e um dos maiores hits do país em 2016, “50 Reais”.

Na faixa que já acumula quase 300 milhões de visualizações no Youtube, Naiara chama reforço de mais dois destaques do "Modão" em 2016, Maiara & Maraisa, para dar o troco no flagra da traição. “Que cena mais linda será que eu estou atrapalhando o casalzinho aí? Que lixo, ce tá de brincadeira?! Então é aqui o seu futebol toda quarta-feira”, esbraveja Naiara no começo do manifesto.

Um a zero para a intuição da cantora e compositora natural de Campo Mourão, interior do Paraná, que criou a música baseada em fatos reais, após uma grande volta por cima na sua vida pessoal. Hoje, mesmo após o estouro da música que também virou uma das fantasias mais usadas no carnaval de 2017, ela diz que sua relação com a nota não mudou.

“Ah, consigo usar naturalmente uma nota de 50 reais sim, tá de boa”, brinca do outro lado da linha em rápida conversa com o NOVO, antes de entrar no avião rumo à etapa nordestina de sua turnê que além de Natal também chega a João Pessoa neste final de semana.

Sobre o fato de dar voz aos questionamentos femininos em suas canções, ela encara a mis-são com tranquilidade, mas não acha que o mercado atualmente esteja dominado pelos homens. “Eu não sinto isso. Acredito que está muito igual tanto para o homem quanto a mulher, tá aberto para a música boa”, avalia, lembrando que o seu primeiro hit online também é uma composição dedicada às mulheres.

“Coitado” em menos de uma semana atingiu 300 mil visualizações há cerca de 3 anos, quando foi lançado. De acordo com a própria Naiara a faixa foi escrita em 15 minutos. Na letra ela contesta o papel do homem na relação. “Coitado! Se acha muito macho. Sou eu quem te esculacho. Te faço de capacho. Se acha o bicho! Nem era tudo aquilo que contava para os amigos”.

“Meu Deus, porque o senhor me deu essa ideia: Naiara Azevedo defendendo a mulherada? É para vocês meninas”, diz antes de começar a faixa em um dos registros ao vivo da canção no youtube, pouco tempo após ter desistido definitivamente da carreira no ramo estético. Apesar de nunca ter exercido a profissão, Naiara é graduada e pós-graduada em estética e cosmetologia na área de pós-operatório facial e corporal.

O repertório de hoje traz também a música lançada na sexta-feira passada (17), “Mordida, Beijo e Tapa”, que já acumula mais de 2 milhões de visualizações no youtube. “Eu to muito feliz de poder conhecer Natal finalmente porque sei que no nordeste também existem mui-tas versões das minhas músicas em forró porque a galera sempre manda pra mim isso pela inter-net. Esse carinho é maravilhoso”, ressalta.

Se 2017 lhe trará outros grandes hits a resposta pode chegar em junho, quando ela começa a divulgar o próximo DVD ao vivo, com gravação prevista para o mês de maio no Rio de Janeiro. “Mas por enquanto ainda não posso falar muita coisa disso. Vai ser lindo”, comenta.

“Nesse momento eu me sinto muito realizada porque vale a pena manter nossa essência. É por aí que eu procuro caminhar, porque respeito ser eu mesma, mesmo depois de todo esse reconhecimento maravilhoso que o público tem dado a mim e às minhas músicas”, conclui a cantora que já esgotou os in-gressos do show de hoje desde o começo da semana.

SHOW//



NAIARA AZEVEDO
Onde? Wood’s Natal (Av. Engenheiro Roberto Freire, 4717)

Quando? Hoje

Que horas? 22h

[+] Caddu Rodrigues e Pedro & Erick

De Whindersson Nunes a Jorge Vercillo: Confira as dicas para este FDS

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HOJE//

THE ZUEIRA

A primeira edição da The Zueira rola nesta sexta-feira prometendo ir de Alabama Shakes até Pabllo Vittar para “diferentão” nenhum botar defeito. A noite começa com as roedeiras da Banda Desventura (cover Los Hermanos) e termina com muita discotecagem e ralação de cintura no chão. Começa às 20h no Casanova Ecobar | R$ 25 | Confirme presença aqui

ROBERTA SÁ EM DELÍRIO

Reunindo canções que fazem parte de sua trajetória, em especial as lançadas em seu CD mais recente, Delírio, do ano passado, Roberta Sá volta a Natal para apresentar o show baseado no novo DVD “Delírio no Circo”. Começa às 21h no Teatro Riachuelo | R$ variando entre 120 (R$ 60/meia) e 160 (R$ 80/meia). 

NAIARA AZEVEDO NA WOOD'S NATAL!

A dona do hit “50 Reais” finalmente chega a Natal com repertório completo e música nova: “Mordida, Tapa e Beijo”. O modão da noite recebe ainda o som de Caddu Rodrigues e Pe-dro & Erick. Começa às 22h na Wood’s Natal | R$ 35

WHINDERSSON NUNES

O segundo youtuber mais influente do mundo, Whindersson Nunes, também traz a Natal nesta sexta-feira seu novo espetáculo de stand-up “Proparoxítona”. Começa às 20h no estádio Arena das Dunas | Ingressos variando entre R$ 84 (R$ 42/meia) e R$104 (R$ 52/meia).

SÁBADO//

ENIGMA PARTY

Para desvendar todos os mistérios dos boys e das boys a noite de sábado ganha a “Enigma Party” com 7 discotecagens diferentes, incluindo Ciara Leglam e Minerva del Diablo. Começa às 22h no Enigma Hall | R$ 20

MARÉ ACÚSTICA COM DUDU GALVÃO

O projeto Maré Acústica deste sábado recebe o cantor e ator Dudu Galvão para um por de sol com muito jazz. Começa às 16h30 no Nobile Suites Ponta Negra Beach | ENTRADA GRATUITA (Ingressos distribuídos 1h antes do show).

MOVIMENTO N’ABOCA

A BOCA Espaço de Teatros comemora três anos de existência e resistência, com uma super festa agitada pelo “Bando das Brenhas”, “Luisa & Os Alquimistas”, “Esquizophanque” e também discotecagens. Começa às 22h n’A BOCA (Rua Frei Miguelinho, Ribeira) | R$ 30

I LOVE CAFUÇU

Com direito a karaokê e muita catuaba a festa mais pochete de Natal está de volta neste sábado com seis discotecagens diferentes prometendo passassão até o amanhacer. Começa às 20h no Casanova Ecobar | R$ 30

JORGE VERCILLO NO NATAL SHOPPING

A Sesi Big Band Band convida Jorge Vercillo para subir ao palco do Natal Shopping neste sábado unindo o repertório do cantor e compositor carioca com a musicalidade da orquestra de jazz formada por instrutores e professores do Sesi Arte, regida pelo maestro Eugênio Graça. Começa às 19h no estacionamento do Shopping

DOMINGO//

IGAPÓ DE ALMAS NO SOM DA MATA

Unindo a música eletrônica ao universo de ritmos regionais do Norte e Nordeste, a banda Igapó de Almas sobe ao palco do Som da Mata neste domingo. Começa às 16h30 no Anfiteatro Pau Brasil | R$ 1

NOS CINEMAS// OS POWER RANGERS ESTÃO DE VOLTA

Os Power Rangers estão de volta às telonas dominando as salas escuras ao redor do mundo neste final de semana. Na relei-tura, cinco adolescentes devem buscar algo extraordinário quando tomam consciência que pequena cidade de “Angel Grove” (e o mundo) está prestes a sofrer um ataque alienígena. Escolhidos pelo destino, eles irão descobrir que são os únicos que podem salvar o planeta. Mas para isso, devem superar problemas pessoais e juntar suas forças como os Power Rangers, antes que seja tarde demais.

SESSÕES

Cinemark (Midway Mall)
[LEG] 18:30, 21:20 | [DUB] 12:45, 15:45, 16:45, 19:30 22:30.

Moviecom (Praia Shopping)
[DUB] 14h25, 16h50, 19h15, 21h40

Cinépolis (Natal Shopping)
[LEG] 16:15, 19:00, 21:45 | [DUB] 13:30