Festival Ribeira 360º começa neste sábado em Natal

Compartilhe esse conteúdo

A O bairro da Ribeira é considerado um dos maiores berços da cultura potiguar. Casas de show, escolas de dança e companhias de teatro estão entre as expressões artísticas que ganham endereço no bairro histórico de Natal. Para celebrar esta tradição, a Rua Chile, uma das mais importantes do bairro, recebe 26 bandas potiguares e sete DJs, que participam do festival Ribeira 360º neste final de semana.
 
O evento, que está em sua primeira edição, tem o objetivo de comemorar os mais de 20 anos de revitalização da Rua Chile e promover a cultura potiguar, que ganha cada vez mais destaque na cena brasileira de internacional.
 
Entre sábado (07) e domingo (08), sobem aos palcos da ribeira bandas como Plutão Já Foi Planeta, Talma & Gadelha, Luisa e Os Alquimistas, Mahmed e Rastafeeling, que fazem parte de uma programação com mais de 30 artistas locais. Além de uma participação especial que deve unir as bandas Grafith e DuSouto. 
 
“Estamos vivendo um momento muito especial da música potiguar e da produção autoral. Temos artistas com trabalhos consistentes circulando pelo Brasil e pelo mundo e de certa forma todos eles passaram pela Ribeira. Todos fazem parte da história desse bairro que há 20 anos nos proporciona cultura”, relata o produtor cultural e idealizador do evento, Marcílio Amorim.
 
Para receber os artistas, o festival conta com quatro palcos. O maior deles ficará armado no largo da Rua Chile, enquanto os outros ficaram em bares vizinhos, como Ateliê Bar e Petiscaria, Bar das Bandeiras e Galpão 29.
 
O palco principal é responsável por nomear o evento, por ser armado em uma estrutura 360º, que permite interação entre artista e público dos quatro lados do palco. Ou seja, vai ser possível assistir os shows a partir de qualquer ângulo do palco. “É uma experiência única tanto para quem está cantando como para quem está assistindo”, explica o produtor Marcílio Amorim.
 
O festival Ribeira 360º também terá um espaço desenvolvido em parceria com a Rede de Música Independente de Natal, o Palco Remuin, no Ateliê Bar e Petiscaria. O espaço terá apresentações de Veiga, Seu Ninguém, Daniel Get Up, Skarimbó, Joana Knobbe, Igapó de Almas, Talude e Joseph Little Drop.
 
No Palco Remuin, os cachês serão revertidos para a Rede, garantindo desdobramentos como formação para músicos potiguares. Com o dinheiro, a Rede de Música Independente de Natal vai realizar um laboratório composto por duas  oficinas com o músico paraibano Chico Correa Eletronic Band.
 
Os outros espaços que compõem a estrutura do festival Ribeira 360º são o Palco Blackout, no Galpão 29, voltado para música eletrônica e o Palco Alchemist, no Bar das Bandeiras. Neste último as bandas de música experimental Koogu e Mahmed ficarão responsáveis pelo “after”, com apresentações após o fim dos shows no palco principal. 
 
Além das atrações musicais, o evento conta com uma feira de artesanatos, exposição coletiva de artes visuais e barracas de alimentação. 
 
A expectativa dos organizadores é de que a partir da primeira edição, o festival possa ser ampliado para agregar cada vez mais expressões artísticas e, possivelmente, chegar a outros bairros de Natal.
 
Em sua primeira edição, o evento se propõe a ser uma alternativa para quem vai passar o feriado de Reis Magos em Natal ou para quem quer conhecer um pouco sobre a cultura e a história de Natal.
 
“Sabemos que muita gente está na praia nesse período do ano, mas existe uma lacuna para quem fica na cidade. Neste fim de semana, quem não tem como viajar vai ter uma boa opção de lazer a um preço acessível”, comenta Marcílio Amorim. 
 

Anunciados Alice Cooper, Arthur Brown e Sepultura para o Rock in Rio

Compartilhe esse conteúdo

O Palco Sunset, do Rock in Rio, anunciou nesta terça, 21, três novas atrações do mundo do metal. O primeiro show, marcado para o dia 21 de setembro, vai reunir Alice Cooper e seu mentor Arthur Brown. Já o segundo, no último dia de evento, 24, o encerramento do Sunset terá apresentação do trash metal de Sepultura, que chega ao Rock in Rio em meio à sua turnê mundial de lançamento de 14º álbum de estúdio, Machine Messiah. A apresentação inclui também o baixista Paulo Jr. e o baterista Eloy Casagrande. O Sunset será a primeira e única apresentação no Brasil com o novo álbum.

"Sem Arthur Brown, não haveria Alice Cooper." Com esta frase, o roqueiro americano confirma a influência direta do inglês em sua performance. Alice Cooper esteve no Rock in Rio 2015, com sua banda Hollywood Vampires.

Seu mentor, o inglês Arthur Brown ganhou fama nos anos 1960 ao se apresentar de maneira incomum, como, por exemplo, usando um capacete de metal que pegava fogo. Já o Sepultura chega ao Palco Sunset como convidado especial, trazendo toda sua estrutura de show, assim como aconteceu com Joss Stone, The Offspring e Jonh Legend, em edições anteriores...

As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Banda potiguar participa de concurso para concorrer a viagem ao exterior

Compartilhe esse conteúdo

A banda potiguar Joseph Little Drop está participando de um concurso nacional que pode levar o quinteto para a sua primeira apresentação internacional e ainda garante a gravação de um álbum inédito produzido pela Sony Music.

Tudo está ocorrendo de forma online, através de votação dos internautas no site EDP Live Bands Brasil, organizadora do concurso. A primeira fase se encerra no dia 24 de março, quando as bandas mais votadas passam para a semifinal, e então uma segunda rodada de votação é aberta até o dia 14 de abril.

Por enquanto a Joseph Little Drop está entre uma das seis mais votadas do site, mas já esteve por alguns dias também no topo do pódio, fato que surpreende Daniel Lucena, vocalista e dançarino do grupo de “Punk José”.

“A galera tem apoiado bastante e isso já tá sendo massa”, afirma sobre o concurso que terá a sua final programada apenas para o mês de maio, em São Paulo, onde as bandas mais votadas realizam um show ao vivo para então decidir a banda vencedora.

Esta é a segunda edição do concurso, que no ano passado reuniu mais de 1.300 bandas na disputa por uma chance de tocar em um dos maiores festivais musicais da Europa, o “Nos Alive”, em Portugal, mesmo palco que pode receber os potiguares neste ano.

Além disso, caso continuem entre as finalistas, a Joseph Little Drop pode participar também de um workshop com especialistas renomados na indústria musical junto com as demais da etapa final. No ano passado, a banda vencedora veio do Maranhão, “Soulvenir”, que atualmente se prepara para lançar o primeiro álbum de inéditas.

Com cerca de dois anos de formação, a Joseph Little Drop é formada por Filipe Marcus (baixista e vocalista), Quel Soares (bateirista), Vitor Alexander (guitarrista), João Pedro (guitarrista e vocalista) e Daniel Lucena (vocalista e dançarino).

Com alguns EPs lançados em 2015, a banda deu o passo definitivo para conquistar seu público no ano passado com o lançamento do primeiro álbum, “Punk José”. Em 14 faixas, o disco mostra um pouco mais do repertório inspirado em filmes “exploitation” e “cult/trashs”, do “cotidiano underground” e da “mitologia brego-sertaneja”, como eles mesmos se definem.

A origem da banda remonta, não por acaso, uma exibição de cinema realizada na UFRN apenas com filmes do gênero exploitation. “Eles estavam procurando uma banda para tocar e então o Filipe contou desse projeto que ele tinha, a galera topou, ele fez algumas músicas para a apresentação e assim a gente começou”, lembra Daniel.

Mesmo com o primeiro álbum lançado no ano passado, a banda já está em produção de algumas novas faixas. “A gente tá começando sim a fazer algumas coisas novas e a entrar em estúdio para ensaiar essas novas ideias”, conta, avaliando a atual fase da música potiguar como muito positiva para o mercado estrangeiro.

“A gente se anima muito com essa possibilidade de tocar fora do país porque ultimamente as portas estão se abrindo para muitas bandas daqui, como a Mahmed e a Far From Alaska que já conseguem atingir um público grande lá fora, e hoje em dia com as redes sociais isso fica realmente bem mais fácil”, opina.

Para votar na Joseph Little Drop, basta acessar o site da EDP Live Bands Brasil (edplivebands.edp.com.br) procurar pela Joseph Little Drop na aba “concurso” e então fazer login via Facebook ou e-mail, que seu voto será automaticamente computado.

Artista plástico potiguar processa Escola de Samba Paulistana por plágio

Compartilhe esse conteúdo

Uma simples pesquisa em um site de busca na internet sobre cultura nordestina, em dezembro de 2016, se transformou em um grande problema para o cientista social e artista plástico Erick Lima. Especialista em xilogravura, Erick se deparou com duas de suas obras compondo a identidade visual do enredo da Escola de Samba Dragões da Real, que integra o grupo especial das escolas de samba de São Paulo.

Com o enredo “Dragões canta Asa Branca”, homenagem ao povo nordestino, a Escola não apenas utilizou as obras para compor a identidade visual do enredo para o Carnaval 2017, como também se apropriou das mesmas para produção da sua camisa oficial do carnaval desse ano, vendida em sua loja virtual ao preço de R$ 49,90, e em canecas, vendidas à R$ 29,90. Além de ilustrar figurinos e imagens de divulgação em redes sociais.

Trabalhando há uma década com xilogravura, Erick jamais havia passado por situação semelhante, na qual suas obras fossem utilizadas sem autorização. O uso indevido do seu trabalho levou o artista plástico a entrar na justiça com uma ação de indenização por danos morais e materiais.

“Ser artista no Brasil não é uma tarefa das mais fáceis, não que se procure por facilidade, mas o que se observa na prática é que para sobreviver em nosso país o artista muitas vezes precisa desempenhar outra função no mundo do trabalho, sendo dessa outra, em regra, de onde tira o seu sustento. Para mim, é decepcionante ver o escamoteamento da minha arte dessa forma”, afirma Erick.

As obras podem ser facilmente identificadas como de autoria do artista. Ao serem pesquisadas em sites de buscas na internet, remetem direto para o blog da Casa do Cordel, o qual disponibiliza os contatos pessoais para quem se interessar pelas mesmas. É, inclusive, dessa forma, que o artista é contactado para firmar contratos de sessão de imagem e venda de obras para variados fins, seja para compor um quadro, ilustrar livros, cordéis, etc.

No último dia 13, a justiça determinou liminarmente, por meio de decisão da juíza Rossana Alzir Diógenes Macedo, da 13ª Vara Cível de Natal, “a apreensão dos exemplares que se encontrarem no endereço da empresa ré, bem como a suspensão da divulgação das obras mencionadas”. A Escola de Samba Dragões da Real foi oficialmente notificada nesta segunda-feira (20), às 13h02, mas ainda não se pronunciou sobre o assunto.

O artista aguarda agora o julgamento do mérito da ação. “Considero que o fato poderia ser um lisonjeio se fosse feito através do devido reconhecimento da minha arte por uma escola de samba do grupo de elite de um dos carnavais mais famosos do mundo, todavia, minhas obras estão sendo utilizadas sem a minha autorização, além de terem sido manipuladas graficamente, sendo transformadas em uma só imagem, e ainda retiraram as iniciais que me identificavam como autor, com o claro propósito de apropriação indevida do meu trabalho”, conclui Erick Lima.

Milton Nascimento comemora 75 anos com turnê pelo Brasil

Compartilhe esse conteúdo

Milton Nasci mento deixou o violão de lado por uns tempos. Na manhã de sexta-feira passada, 10, pegou o instrumento e cantou Caçador de Mim, momento registrado em vídeo e postado em suas redes sociais. A música de Luiz Carlos Sá e Sérgio Magrão, que ele tomou para si em antológica gravação no álbum homônimo de 1981, ilustra bem a vitalidade do compositor a caminho de seu aniversário de 75 anos, em outubro. Um mês especial, que também marca os 50 anos de lançamento de Travessia, no Festival Internacional da Canção. "Agora, sinto que estou me caçando de novo. Daqui da varanda de casa, tenho o prazer de ver bem de perto as montanhas, as nuvens e as árvores. Estou muito feliz de estar de volta", diz Milton nesta entrevista exclusiva.

Carioca criado em Três Pontas, no sul de Minas, Milton é a principal referência musical do Estado. Ele deixou o Rio de Janeiro, onde morava desde os anos 1980, há nove meses, quando se mudou para Juiz de Fora. Augusto Kesrouani, seu filho adotivo e responsável por sua carreira, estuda na cidade. Desde fevereiro de 2016, o compositor está distante dos palcos. Ao retomar o contato com suas raízes, decidiu voltar para a estrada com o show Semente da Terra. A primeira apresentação ocorre no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, no dia 25 de março.

O repertório foi montado por Danilo Nuha, seu assessor de imprensa, que escolheu clássicos do compositor com conotações políticas e sociais. A questão indígena, racismo, trabalho, e mobilização social dão a tônica das canções. O nome do espetáculo, que deve passar por São Paulo no início do segundo semestre, é o mesmo que Milton recebeu de lideranças espirituais da tribo guarani-caiová depois de uma apresentação em Campo Grande. Sua relação com os índios é antiga e gerou até um disco, Txai (1990), com o objetivo de apoiar a Aliança dos Povos da Floresta.

Para Milton, Semente da Terra é um show em que ele se coloca diante das injustiças e das turbulências contemporâneas. "O mundo todo tá danado. Esse show tem muito a ver com o que a gente sempre pensou e continua pensando da vida. É político, mas não é panfletário. Acho que o ser humano foi feito pra ser feliz, viver e criar, o que está ficando difícil para todo mundo". Ele diz que uma das razões que o levou a sair do Rio é a situação instável da cidade. "O Rio é uma cidade linda, que eu adoro, e estou muito triste com o que acontece lá. Eu já não conseguia me sentir à vontade e não saía de casa".

A estrada também cansou Milton, que teve de adiar e cancelar apresentações por motivos de saúde entre 2014 e 2015. Em Juiz de Fora, ele leva uma rotina tranquila e saudável. Faz exercícios, vê novelas e recebe amigos e admiradores como a cantora Gal Costa e o ator Alexandre Nero. Revigorado, quis se reencontrar com o público.

"Até um tempo atrás, eu estava meio sem querer mexer com essas coisas, mas agora estou querendo. Eu e meu filho começamos a tocar umas músicas aqui em casa e isso dá uma saudade enorme do povo", conta ele. Os comentários com pedidos de shows são frequentes em suas redes sociais, incentivo extra para a montagem de Semente da Terra.

 

Aniversário do “Clube da Esquina”

Quando Milton Nascimento conquistou o segundo lugar do Festival Internacional da Canção com Travessia, em outubro de 1967, a música brasileira estava rachada. Naquele mesmo mês, em outro festival, promovido pela TV Record, Caetano Veloso e Gilberto Gil plantaram as sementes da Tropicália com Alegria, Alegria e Domingo no Parque, estabelecendo tensões com colegas que queriam distância da guitarra elétrica, em nome de um som brasileiro e autêntico.

Milton havia jurado nunca mais participar de festival. Estava decepcionado com o clima de competitividade que viu nos bastidores do festival da TV Excelsior em 1965, quando defendeu Cidade Vazia, de Baden Powell e Lula Freire. O cantor Agostinho dos Santos, que lhe deu apoio em São Paulo quando Milton pensava em voltar a Minas, pediu três músicas para seu próximo disco. À revelia do compositor, Agostinho as inscreveu no FIC. Todas foram classificadas e ele foi apresentá-las para 20 mil pessoas no ginásio do Maracanãzinho.

Com Travessia, Morro Velho e Maria Minha Fé, Milton conquista admiradores dos dois polos. Quase 50 anos depois, o compositor se recorda do clima de embate e diz que o fato de unir turmas esteticamente distintas em torno dele tem a ver com sua abertura a qualquer tipo de música. “No festival, todo mundo estava achando que eu fazia uma música diferente, e eu nem achava que era tão diferente assim, porque era algo que já estava dentro de mim.” A fusão de estilos vem de múltiplas influências, dos discos do pai, Seu Josino, à necessidade de tocar de tudo nos bailes da vida. E daí surge Miles Davis.

Milton conheceu a obra do trompetista depois de se mudar para Belo Horizonte, no início dos anos 1960. O interesse por Miles permanece até hoje. Durante a entrevista ao Estado, o vinil do álbum Someday My Prince Will Come (1961), estava à vista na sala de estar, embaixo do aparelho de som. “Miles mexeu demais comigo Fui à casa de uns amigos músicos e lá o ouvi pela primeira vez. Quando escutei aquilo, falei com o pessoal que aquilo não era um trompete, era a minha voz. Até achei que eles iriam rir de mim, mas não riram. Acharam que eu estava certo e a partir daí eu me liguei mais no jazz”, relembra.

Seu primeiro álbum, gravado depois do festival, também completa 50 anos. A compositora Geni Marcondes pontua na contracapa. “Havia dois grupos inconciliáveis: aquele, remanescente da fase bossa nova, de rico balanço e rica harmonia, mas inteiramente fechado às características da música rural, por julgá-la pobre e obsoleta. O outro, herdeiro daquela velha linha dos sertanejos, também invulnerável às conquistas da bossa nova, apregoando uma fidelidade um pouco ingênua aos ritmos e modos regionais (...). Com Milton Nascimento, uma ponte se estendeu promissora entre os dois grupos até então antagônicos.” Milton escolheu o Tamba 4, formação ampliada do Tamba Trio do pianista Luiz Eça, para acompanhá-lo.

As pontes que o primeiro disco estabeleceu dão outros frutos cinco anos depois com o lançamento de Clube da Esquina. Depois de reencontrar Lô Borges, irmão de seu parceiro Márcio, em uma visita a Belo Horizonte, Milton decide fazer um disco com ele. Lô era um beatlemaníaco fanático e pede para levar um amigo chamado Beto Guedes.

O álbum, lançado há 45 anos, é um dos clássicos da música brasileira. Milton diz que até hoje não sabe dizer por que os fãs têm um carinho especial por ele. “Aquilo foi uma coisa importante para gente porque era um disco de turma. Sempre que vou em algum lugar, alguém fala desse disco com carinho. O Wagner (Tiso) e o Eumir (Deodato), que fizeram os arranjos, misturaram tudo. Rock com jazz, samba com as coisas do Lô, tudo podia. O Clube tem muito a ver com o que acontece na música dos outros países, onde ninguém impõe diferença de estilos. Mas o que eu gosto mesmo é que esse disco fez com que a amizade com Lô ficasse para sempre.”

 

 

Encontros e despedidas

Como disse Fernando Brant em uma célebre música com Milton, a vida é feita de encontros, mas também de despedidas. Falar das recentes mortes de um de seus principais letristas e do percussionista Naná Vasconcelos o emociona. Milton conta que Brant, seis meses antes de morrer, foi visitá-lo com Ronaldo Bastos, outro parceiro constante. Naquele dia, Brant iria contar que tinha um tumor no fígado. Não teve coragem. “Saber disso foi um baque. Eu e ele pensávamos juntos, foi uma pessoa maravilhosa que passou pela minha vida. Quando o conheci, ele não fazia letra. A primeira da vida dele foi Travessia, que ele só fez porque eu insisti”.

Com Naná, que participou de discos históricos como Milton (1970) e Milagre dos Peixes (1973), Milton tentou estabelecer contato por telefone durante uma internação do percussionista, que dava gargalhadas do outro lado da linha.

“Nem deu para conversarmos direito. Ele era uma loucura, tudo de bom que uma pessoa pode ser”, afirma Milton.Reconhecido como um compositor de linguagem universal, Milton é reverenciado no exterior desde o lançamento do disco Courage (1969), produzido por Creed Taylor, com arranjos de Eumir Deodato. Em maio do ano passado, ele foi a Boston receber o título de Doutor Honoris Causa na Berklee College of Music. Ele diz que aceitou o convite mineiramente desconfiado. “Uma vez, dois caras de lá vieram tocar comigo. Aí comecei a pensar que o pessoal de lá era muito cheio de pompa, nem gostava que falassem pra mim da escola. Chegando lá, vi que não era nada do que eu estava pensando”. Na Berklee, Milton recebeu um diploma e viu uma apresentação dos formandos tocando suas composições.

Depois de reouvir suas gravações antigas e voltar a tocar violão e piano, Milton já pensa em compor. Diz que as ideias já estão na cabeça e as melodias saem naturalmente. “Acho que agora já dá para começar de novo, sabe? Está do jeito que eu gosto e isso dá uma injeção de ânimo. É um barato”. Milton já não quer parar.

Caio Blat é contratado pela BBC para integrar elenco da série britânica McMafia

Compartilhe esse conteúdo

Caio Blat é mais um ator brasileiro prestes a construir uma carreira internacional. Ele foi contratado pela BBC para integrar o elenco de McMafia, produção original da rede britânica que irá expor como funciona o crime organizado no mundo.

A trama é inspirada no livro homônimo de Misha Glenny, que escolheu este nome por acreditar que as redes criminosas atuam da mesma maneira em todas as partes do mundo.

"É como o McDonald’s. Em qualquer parte do mundo você pode comer o mesmo tipo de sanduíche. Assim funciona o crime organizado. O que muda são os estereótipos, mas a mentalidade por trás de cada grupo é sempre a mesma", disse Glenny ao E+ durante o Showcase da BBC, em Liverpool.

Sobre a escalação de Caio Blat, a produção buscava um ator latino que não estivesse dentro do padrão que o mundo já conhece Em uma feira voltada ao mercado televisivo, ele viu um trabalho do brasileiro e se encantou com sua performance.

"A gente buscava atores para o cartel latino da série, mas não queríamos cair no clichê. Aí nós o vimos atuando, e ele era tão sedutor, leve e convincente. Ele é um grande ator e conhecê-lo foi uma grata surpresa", disse Hossein Amini, diretor da série.

Caio irá interpretar um gângster que se apresenta com o nome de Antonio Mendez, mas ninguém sabe exatamente quem ele é por que ele mente sobre a sua identidade.

"Antonio trabalha para o mais poderoso cartel mexicano. E, como disse, ele é misterioso e ninguém sabe sua real origem, tanto que não tem traços mexicanos. Ele seduz Alex Godman (James Norton), o protagonista, e seduz também Rebeca, sua namorada. É um personagem importante na história", explica Amini.

McMafia está em fase de gravações e deve estrear somente em 2018