A Califórnia (EUA) e o Nordeste podem fazer parceria energética

A Califórnia (EUA) e o Nordeste podem fazer parceria energética

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Andrew McAllister, especialista em energia e membro da Comissão Energética da Califórnia,  estado mais populoso dos Estados Unidos, disse que até 2050, o objetivo lá é se usar até 90%  da matriz  de fontes renováveis. 
 
O  especialista disse que vê grandes possibilidades de a região Nordeste do Brasil, com clima semelhante,  avançar na utilização energia fotovoltáica. Ele participou  ontem (26) do IV Fórum Estadual de Energia do Rio Grande do Norte. 
 
Na entrevista coletiva concedida na terça-feira (25), Andrew McAllister explicou que sua participação no Fórum é uma forma de se estabeler parceria no setor energético. ""É muito importante para nós ter esse troca de experiência, principalmente, porque o Nordeste é líder no setor de eólica no Brasil e, também, porque a Califórnia e o Nordeste têm clima bem parecidos", ressaltou. 
 
Segundo Andrew McAllister, a Califórnia é líder no setor de energia solar, que também é um dos setores que cresce mais rápido no estado. O Brasil, especificamente o Nordeste e Natal, com 300 dias de sol por ano, é o ambiente ideal para se investir nessa fonte, comentou. "Nossa intenção é fazer um intercâmbio, colaborar e aprender para apresentar soluções mais rápidas", frisou ele. A intenção, complementou,  é que essa parceria cause um impacto mais forte e que o resultado chegue à economia e à população. 
 
A tecnologia fotovoltaica gera milhares de empregos técnicos que requerem algum nível de capacitação e pagam bem, contextualiza especialista .  De acordo com ele, pode-se ter a fabricação de peças  em outros países como a China, por exemplo, mas a instalação e a manutenção desses equipamentos e a sua eficiência vão depender de mão de obra local, o fator gerador de emprego.
 
O aproveitamento da experiência da Califórnia com o Nordeste brasileiro, comenta McAllister, é suscetível de êxito porque a situação entre ambos é similar em relação às mudanças climáticas, principalmente, e por causa das secas prolongadas. O estado da Califórnia se prepara para a possibilidade de uma estiagem permanente o que leva os estudiosos a pensarem cada vez mais em fontes renováveis de energia para a captação de água e seu uso. 
 
A utilização dos recursos hídricos não pode estar dissociada do uso da energia, frisou o especialista. "Precisa-se de energia para puxar a água de um poço, para aquecimento", exemplificou e disse que tudo tem que ser feito economizando-se água e energia ao mesmo tempo. "Quando economizamos água também estamos economizando energia", relacionou e disse que muitos equipamentos  usados como chuveiro, toaletes, banheiros, por exemplo, já são regulados para se economizar água e energia. 
 
ECONOMIA 
 
A economia da Califórnia, citou McAllister, é baseada em tecnologia e inovação, e em agricultura. Por incrível que pareça, essas duas atividades tão diferentes têm muitas coisas em comum. A agricultura depende muito do uso da água e água é utilizada como fonte de  energia através da tecnologia.
 
Na Califórnia, o sistema, a gestão do uso da energia é muito complexa, e isso é resolvido com tecnologia e mão de obra inteligente. "É isso que se busca no desenvolvimento do sistema tecnológico, enfatizou McAllister. 
 
A matriz energética na Califórnia é diversificada, muito em função dos recursos hídricos escassos, e entram na sua composição a energia solar, eólica, térmica. Até 2050 o objetivo é que pelo menos 90% das fontes geradoras sejam renováveis. Para isso, não será possível usar as fontes que existiam antes. 
 
Será preciso  sistemas novos de gestão que será feita em tempo real e, para isso, gestão da armazenagem será chave principal desse processo, explicou. Neste sentido, o especialista acredita que o Nordeste brasileiro e a Califórnia podem caminhar juntos. 
 
O coordenador do Centro de Estratégias em Recursos Naturais & Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, disse que quando se pensa no futuro da aplicação das fontes de energia os prazos se estendem para um horizonte que oscila entre trinta e cinquenta anos.