BNB tem linha de financiamento para financiar energia solar no RN

BNB tem linha de financiamento para financiar energia solar no RN

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O Banco do Nordeste contratou R$ 6,5 milhões no Rio Grande do Norte no segundo semestre de 2016 uma linha do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste para incentivar compras de sistemas de energias renováveis (a energia solar representa maior parte),  A informação foi repassada pelo gerente da agência Natal-Centro, Thiago Dantas, ontem (8), no SolarInvest 2017, que reuniu em Natal, empresário do setor de energia solar. De acordo com o gerente, o valor foi destinado à produção distribuída – aquela feita por empresários que querem produzir sua própria energia nos seus negócios, por exemplo. Os valores contratados em todo o Nordeste ainda serão divulgados oficialmente pelo banco. A perspectiva dele é que o valor chegue aos R$ 25 milhões em 2017. 
 
Quando o assunto é a produção concentrada, o banco tem em análise projetos que somam entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões. Esses valores poderão ser liberados ainda em 2017. “Quando o contrato é de produção concentrada, os projetos são de, no mínimo, R$ 150 milhões”, exemplificou.
 
O secretário Flávio Azevedo reforçou a necessidade de os bancos abrirem cada vez mais linhas de crédito específicas com o objetivo de incentivar o investimento empresarial. “Esse setor é um dos poucos potenciais econômicos do nosso estado”, declarou. 
 
RN é quinto produtor
 
O Rio Grande do Norte é o quinto maior produtor de energia solar fotovoltaica no Brasil, de acordo com dados da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel. Os números ainda são pequenos diante da produção eólica, por exemplo. Enquanto o estado encerrou 2016 produzindo 3,3 GW com ventos, a capacidade instalada para a energia do sol é de 1.105 MW – potência quase três mil vezes menor. Apesar disso, os investimentos previstos para os próximos meses ultrapassam R$ 1 bilhão. 
 
No ranking dos estados com mais contratos de produção centralizada (aquela de larga escala, comprada pelo governo), o Rio Grande do Norte ocupa o 6º lugar. O governo federal contratou 206 megawatts a serem produzidos no estado, no leilão de 2015. De acordo com o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, o estado receberá duas usinas de energia solar, que somarão investimentos de R$ 1 bilhão. “São as primeiras usinas do estado. É o nascer da produção centralizada aqui. Elas trazem a possibilidade de instalação de fábricas para produzir equipamentos no estado”, declarou ao NOVO. 
 
Mas a atração aos fabricantes já não é apenas uma possibilidade. Ontem (8), durante o 9º Encontro de Investidores em Energia Solar (SolarInvest 2017), o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo, afirmou que o governador Robinson Faria (PSD) vai até Xangai, na China, para assinar um memorando de entendimento com uma das maiores produtoras de placas fotovoltaicas do país. O encontro é previsto para a quarta-feira (22), a pedido do próprio presidente do grupo empresarial. O nome da indústria não foi divulgado por causa de um contrato de confidencialidade.
 
Eles têm fábrica na Alemanha, no continente europeu, têm fábrica na Índia, nos Estados Unidos e terão agora a fábrica para a América Latina construída aqui no Rio Grande do Norte”, explicou. O local de instalação da fábrica e o valor do investimento também não foi informado. Azevedo ainda declarou que a fábrica será de grande porte e contará com ciclo completo, ou seja, produzirá todas as peças necessárias à produção. “Vão desde as placas fotovoltaicas a outros equipamentos necessários para a produção de energia, como inversores e transformadores, entre outros”, apontou. 
 
Para o secretário, a instalação da fábrica, que deverá gerar 320 empregos diretos, pode começar ainda neste ano. Tal medida contribui para a redução dos custos de produção, segundo ele. “Esse filme a gente já viu. Em 2005, quando chegou a primeira empresa para instalar parque eólico aqui, o preço da energia que viabilizava o empreendimento era da ordem de R$ 230 o megawatt/hora. Hoje a eólica compete com a produção hidrelétrica custando R$ 140, R$ 150 o MW/h. Isso em 11 anos”, lembrou. A assinatura do protocolo não significa um contrato final entre as partes, mas deverá definir obrigações de ambas as partes.
 
Em 2016 o governo recebeu a visita de representantes da empresa Bras Solar, que pertence a um grupo chinês. No encontro, os empresários discutiram possibilidade de concessão de incentivos fiscais e de infraestrutura para viabilizar uma fábrica em São José de Mipibu. O governo não confirmou se a empresa com a qual vai assinar o compromisso bilateral é a mesma. 
 
Na audiência de 2016, o sócio-gerente da Bras Solar, RongHou Liu, apresentou entre outros pleitos,  a isenção de ICMS pelo Governo do Estado. As informações foram divulgadas à época pelo próprio governo do estado. A previsão era de que a fábrica gerasse 150 empregos diretos e 200 indiretos, com um faturamento inicial de R$ 200 milhões anuais. RongHou Liu  afirmou que o empreendimento teria potencial para chegar a um faturamento de R$ 600 milhões por ano quando atingisse o auge da produção. 
 
Presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates considerou que o estado precisa atrair fornecedores e fabricantes para impulsionar a produção de energias. Para ele, a chegada de fabricantes também obrigaria o estado a melhorar a estrutura portuária, já que, apesar de atender a demanda regional, em primeiro momento, os empreendedores também querem exportar no futuro.  
 
“O Rio Grande do Norte consegue dar um atendimento à região Nordeste, pois está numa região central, você consegue atender esses mercados. Ao mesmo tempo, a instalação dessas fábricas exige uma logística para exportação, porque daqui elas podem levar equipamentos ao Caribe, África e América do Sul”, conclui.