SAGA, o grande negócio que está por trás do entretenimento

SAGA, o grande negócio que está por trás do entretenimento

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Publicitário Victor Cavalcante, idealizador do evento: do hobby ao empreendedorismo 

Ginásio do IFRN, 2005. Cerca de 600 pessoas se reúnem no local para uma feira sobre cultura pop japonesa. A divulgação era pesada, através de exaustivos scraps no Orkut e o plano de marketing era atrair o maior número de jovens possível. 

Doze anos depois, Victor Cavalcante está no palco da Universidade Potiguar (UnP) palestrando para uma plateia de estudantes da Escola de Comunicação e Artes sobre como aquele evento idealizado por ele consegue atrair hoje cerca de 7 mil pessoas do Rio Grande do Norte e de estados vizinhos a cada uma das três edições anuais, que custam em média R$ 230 mil, cada.

O SAGA Entretenimento, feira de cultura pop focada no mercado oriental, hoje é bem mais que essa simples descrição e ao longo dos anos conseguiu transpor seu conteúdo para várias plataformas, como um site de entretenimento, um canal no youtube, um programa de rádio e mais recentemente uma marca de camisetas geeks.

Atraindo cerca de 7 mil crianças e jovens por edição, o SAGA conseguiu ainda o impressionante feito de ser realizado apenas com recursos próprios de vendas de ingressos e alugueis de estandes para expositores de todo o país, até o ano passado, quando finalmente cedeu às leis de incentivo fiscal, aprovando um projeto de captação nas três esferas: federal (Lei Rouanet), estadual (Lei Câmara Cascudo) e municipal (Lei Djalma Maranhão).

“Seria muito egoísmo conversar com o público somente de seis em seis meses apenas para pedir a eles que comprem o ingresso do SAGA e passar o restante do tempo calado”, justifica Victor, de 29 anos, sobre a necessidade de manter o canal de comunicação o ano inteiro ativo. 

Hoje os jovens que formam o público alvo do evento também se informam sobre seus jogos, animes e séries favoritas através das redes do SAGA, o que já levou a produtora SAGA Entretenimento a conduzir até mesmo campanhas publicitárias locais para o mercado geek, como a realizada há pouco tempo para um novo modelo de notebook em uma loja específica de informática.

“É como no cinema, onde o maior faturamento vem da pipoca. A gente começou a pensar que nosso foco não poderia ser o ingresso”, complementa Victor, comentando sobre a importância dos estandes de produtos pop nas edições do SAGA. 

De acordo com pesquisas da própria produtora, em 2015, por exemplo, cada jovem que frequentou o SAGA gastou em média R$ 90, além do valor do ingresso, durante os dois dias de evento, valor esse direcionado ao produto geralmente de maior procura, as camisetas nerds.

“E nos últimos anos até isso tem sido um desafio, porque se antes esse público encontrava camisas apenas nas feiras, hoje as principais lojas de fast fashion do país possuem coleções fixas de Star Wars, Harry Potter e personagem de quadrinhos”, opina Victor, informando que a maioria dos expositores procede de outros estados brasileiros.

Para ele, essa popularização de eventos e artigos nerds/geeks se deve ao próprio momento em que o movimento cultural vive. “É cool hoje em dia ser nerd, mas nos anos 90 essas pessoas eram as excluídas do colégio, vistas como pombões”, comparou, arrancando risada da plateia.

Com marca própria, o SAGA acontece anualmente em três momentos: o próprio evento original, em abril, depois um repeteco dele em outubro, o RE: SAGA, e entre os dois há espaço também para o SAGA ARENA, especializados em eSports, principalmente a febre mundial League Of Legends (LoL).

Trabalhando com contratos temporários para manter toda a equipe necessária aos eventos, o SAGA chega a empregar até 60 pessoas diretamente na produção dos eventos. “Indiretamente são mais de 200 profissionais”, conta sobre a feira que há cerca de três anos se mudou para o estádio Arena das Dunas.

SAGA Entretenimento
SAGA Entretenimento começou como feira sobre cultura pop japonesa

FACEBOOK

Tendo ligação direta com o seu público, que é formado principalmente por adolescentes na faixa dos 15 anos, Victor considera o Facebook como seu principal canal de comunicação com os jovens, e para isso criou até mesmo dois mascotes responsáveis por todas as interações online com o público, a "Mah-chan" e o "Chico-kun".

“Muitas vezes sou eu respondendo cheio de emoticons e falando de forma fofa com um senhor de 40 anos, que quer informações sobre como montar um estande no evento, mas essa é a Mah-chan, ela é fofa e assim responde as pessoas no Facebook”, brinca.

Orçando uma média de R$ 2 mil apenas em publicidade pela rede social nas primeiras campanhas pelo Facebook em 2013, Victor comenta que, após as constantes modificações de algaritmo, uma campanha de mesma proporção precisa custar em média R$ 10 mil.

“Mesmo que a página tenha um bom envolvimento, o poder de alcance do Facebook organicamente hoje em dia é muito baixo, então precisamos aumentar e muito o investimento de alcance”, explica Victor, que mesmo assim não deixa de anunciar em outras mídias mais tradicionais, como outdoors.

O anúncio em TV é comumente veiculado apenas na TV fechada, visando atingir diretamente o público alvo do evento, audiência de canais, como Cartoon Network, Warner Channel e HBO.

Originalmente publicitário, Victor largou definitivamente a profissão desde 2012, quando percebeu que não dava para conciliar a vida em agências com a organização do SAGA.

“Cara, e pensar que tudo isso começou em 2002, quando eu comecei a me interessar por japonês, por causa dos muitos animes que assistia, e então fui estudar um pouco”, brinca, concluindo sua palestra para os alunos naquele dia.