Decisão: América faz jogo do ano hoje na Arena das Dunas

Decisão: América faz jogo do ano hoje na Arena das Dunas

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Cascata, meia do América

‘Confiança’ e 'tranquilidade' foram os dois vocábulos mais repetidos ao longo da semana no noticiário do América. Às vésperas "do jogo mais importante da história centenária do clube" - palavras do vice-presidente de futebol Eduardo Rocha - jogadores, comissão técnica e dirigentes tentam transparecer calma e serenidade, mas sabem da missão complicadíssima que o time de Leandro Campos terá neste domingo (13), às 16h, na Arena das Dunas.

Ao América resta apenas a opção de golear o time baiano por quatro gols de diferença ou devolver o 3 a 0 do jogo da ida, disputado em Juazeiro-BA, para evitar o fiasco que seria disputar a Série D do Campeonato Brasileiro pela segunda temporada consecutiva em 2018. É a primeira vez na competição que o Alvirrubro coloca em xeque o peso da sua camisa e a qualidade técnica do plantel montado para disputar a Quarta Divisão, considerado por muitos, com sobras, o melhor time do torneio. A cidade de Juazeiro é tido como berço da Bossa Nova por ter sido lá onde nasceu o compositor João Gilberto, maior nome do estilo musicial que está entre os que mais promoveram o Brasil no exterior.

Há pouco do que se detalhar sobre a escalação que Leandro Campos mandará à campo no domingo. O treinador fechou todas as atividades da semana para imprensa e torcedores. Segundo Campos, o intuito com a restrição é diminuir o fluxo de informações divulgadas pelos veículos de comunição a despeito do seu trabalho. O técnico, campeão brasileiro pelo rival ABC em 2010, acredita que a exposição de notícias pode auxiliar no planejamento da Juazeirense, que recebe pouca atenção da mídia baiana.

Sem os olhos da imprensa, Leandro Campos teve uma semana inteira para mudar a característica da sua equipe. O time precisa ser ofensivo desde o apito inicial para buscar construir a vantagem que precisa para despachar os baianos e assegurar uma das vagas na Série C do próximo ano.

Levando em consideração a filosofia de trabalho de Leandro Campos e o que foi o América ao longo desta Série D, tornar o time ofensivo para um jogo não deve ser missão simples. O América ainda não marcou mais de quatro gols nos 11 jogos disputados sob comando do treinador. No mata-mata, a média de bolas na rede é de apenas 0,8 gol por jogo. Essa estatística precisa ser quintuplicada para eliminar a Juazeirense.

Em entrevista coletiva ao longo da semana, Leandro Campos se limitou a afirmar que espera surpreender a Juazeirense com uma nova formação tática. "A tranquilidade, independente de qualquer circunstância, iria ser passada aos atletas. Fechamos os treinamentos para criar uma situação diferente, procurando surpreender o adversário com uma nova circunstância de jogo. Mas vamos entrar em campo com um time equilibrado e que vai buscar a virada", informou Leandro Campos.

Para a partida, o treinador não pode contar com o lateral-direito Guilherme e o volante Jhonatas, ambos suspensos. A tendência é que Robert seja escalado na lateral e Marcos Júnior deslocado novamente ao meio de campo. Jean Silva ainda deve ganhar a posição de Uederson no ataque. A definição do time, porém, só será divulgada minutos antes da bola rolar.

Como estímulo para o desafio imposto pela frente, o Alvirrubro se apega nas heroicas viradas conquistadas ao longo de sua história. A mais recente delas, e que ainda refresca a mente de todos os americanos, aconteceu há exatos três anos e teve um roteiro digno das mais clássicas epopeias de Homero, poeta grego autor de Ilíada.

Também no dia 13 de agosto e depois de ter perdido por 3 a 0 no jogo de ida, o América conseguiu, em pleno Maracanã, atropelar o Fluminense e escrever um dos capítulos mais importantes de sua história e de todas as edições da Copa do Brasil. Com um segundo tempo perfeito, o Alvirrubro goleou o time das Laranjeiras por 5 a 2 e ficou com uma das vagas na fase de oitavas de final do torneio mata-mata.

Duas temporadas em jogo

Precisar reverter a vantagem de três gols consolidada pela Juazeirense no jogo de ida das quartas de final é apenas uma das responsabilidades do América neste domingo. Conseguir a virada no duelo representa ao clube potiguar a garantia de se livrar a Série D do Brasileiro e mais duas semanas de calendário na atual temporada.

Ao contrário, não logrando êxito frente aos baianos, o América será obrigado a disputar em 2018, pela segunda vez consecutiva, a Quarta Divisão e ainda dará por encerrada precocemente as atividades do clube em 2017, pelo menos no que tange o futebol profissional. Em entrevista durante a semana, o volante Robson falou da importância da classificação para os próprios jogadores.

Segundo ele, a eliminação a essa altura do campeonato representa o fim da temporada para a maioria dos atletas. “Não é só o clube, ou o torcedor que precisa disso [da classificação]. A gente também precisa. Vivemos do futebol e, não havendo a classificação, vamos ficar desempregados. O fim do ano está aí e muitos de nós não conseguirá um emprego em outros clubes. Tem muita gente que também depende da gente”, comentou.

A diretoria também está anunciando uma premiação de R$ 200 para o elenco no caso de reversão do resultado contra Juazeirense, o que assegura classificação automática para Série D.

Os acordos firmados entre a diretoria do América e os jogadores expiram no próximo dia 15 de setembro. O clube espera o término da Série D para avaliar eventuais renovações e iniciar o planejamento para a próxima temporada. De acordo com o vice-presidente de futebol americano, Eduardo Rocha, há o interesse da diretoria de manter parte do elenco para a temporada 2018, porém novos acordos serão firmados mediante a classificação ou não para a Série C.