Onde começam os direitos de uma pessoa trans?

Onde começam os direitos de uma pessoa trans?

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Todos os dias no Brasil, jovens morrem nas mãos da intolerância, do ódio e do preconceito. Esses jovens são perseguidos, espancados, e maltratados fisicamente e psicologicamente apenas pela condição sexual. Grande parte dos casos, a tortura começa dentro da própria casa e só se estende às ruas. 
Nunca tinha presenciado um caso mais grave de LGBTfobia (como chamamos a fobia à  lésbicas, gays, bissexuais e transexuais/travestis), até que no último dia 12 algo tão temido aconteceu: violência gratuita contra nós LGBTs. Aqui em Natal, muitos jovens vão ao Carrefour, localizado na Zona Sul da cidade, para socializar, jogar conversa fora e se divertir com os amigos. Existia, até então, certo tipo de sentimento de segurança, por ser um supermercado e ter segurança. Infelizmente esse sentimento não existe mais.
O ocorrido não foi comigo (não sei se consigo colocar como “felizmente”), foi com a parte mais oprimida, mais marginalizada, a qual mais sofre: as trans. A sociedade, extremamente conservadora e ignorante, acha que uma mulher trans é só um homem gay que quer se vestir como mulher, porém será sempre homem. Eu não sei como uma mulher trans deve se sentir com isso, preferia que fosse até uma estivesse escrevendo isso no meu lugar. Quando isso aconteceu no Carrefour, essas ideias tornaram-se atitudes, no momento em que uma mulher trans usou o banheiro feminino do local, logo o ódio das pessoas sobressaiu.  Mas ela é uma mulher, qual banheiro ela devia utilizar? Sabem quais “argumentos” eu mais ouvi/li dessas pessoas as quais se sentiram “desrespeitadas”, só porque uma pessoa entrou numa cabine de um banheiro pra fazer uma necessidade física? “Onde estão nossos direitos?”, foi isso que mais li nos comentários feitos em diversas páginas. Eu queria responder a cada uma dessas pessoas, onde estão os direitos das pessoas trans? Onde estão as oportunidades que são arrancadas todos os dias? Onde está o mínimo respeito? 
Se fossem apenas palavras, talvez fosse menos traumatizante, contudo não foi só isso. Um homem, chamado Gustavo, proprietária de uma das lojas da praça de alimentação do lugar, não achando o bastante xingar, ameaçar de morte e gritar as pessoas, ele pegou uma faca e atacou pessoas que ali estavam apenas para se divertir. No fim de tudo, ele foi escoltado até seu carro e foi embora. Agora eu pergunto: “onde estão nossos direitos?”, será que temos o direito de fazer pessoas infelizes? De ameaçar, agredir e até matar? Até onde vai seu direito?
 
 
Armando Batista