Fotógrafos se unem para registrar a natureza em São Miguel do Gostoso

Fotógrafos se unem para registrar a natureza em São Miguel do Gostoso

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Registrar as peculiares paisagens de uma das praias mais exóticas e exuberantes do litoral do Rio Grande do Norte: São Miguel do Gostoso. Essa foi a missão encarada por dois amigos, um pedagogo e jornalista e um designer e fotógrafo, que se uniram para fazer a diferença.

O projeto Olhares, de autoria dos amigos Heldene Santos e Tiago Luciano, começou de uma conversa sobre fotografias e hoje já começa a ganhar forma, inclusive na produção de um livro.

“Nossas riquezas naturais vêm sofrendo mudanças constantes e também sendo temas de diversos diálogos em instâncias de proteção à natureza. Fotografar nos permite ver detalhes que, de outra forma, não perceberíamos, como a existência e modo de vida de espécies, os ecossistemas e as formas de relação das pessoas com esse meio”, conta Tiago.

Os registros são feitos tanto por câmeras profissionais como por smartphones, pois para eles “não são os olhares que definem as imagens, mas as imagens que definem a direção dos olhares”.

Além de fotógrafos, os amigos ainda são ativistas ambientais e voluntários na Ong AMJUS (Associação de Meio Ambiente, Cultura e Justiça Social), responsável pela proteção das tartarugas marinhas em São Miguel do Gostoso e suas áreas de desovas e a articulação com os órgãos de gestão integrada.

Através do Olhares, eles pretendem usar a fotografia como arte e registro da natureza em permanente transformação, além da relação das pessoas com esse meio ambiente. “Nós crescemos em São Miguel do Gostoso e são muitas as transformações vividas desde a infância. Algo ficou menos e algo ficou mais belo. Escolhemos permanecer aqui porque é a nossa casa e, portanto, o mundo mais próximo. Somos moradores e ativistas sociais e ambientais com interesses voltados ao bem deste município e registrar tudo isso faz parte do nosso modo de se relacionar com esse meio também”, conta Heldene.

O LIVRO

“A ideia do livro é tornar esses registros fotográficos acessível às pessoas e também criar um registro cultural com as pessoas que vivem e que visitam São Miguel do Gostoso”, conta Tiago.

Durante o processo de construção do livro, eles também vão trabalhar no contato com as pessoas e exposições, “até mesmo para que isso nos permita algumas interpretações de como as pessoas da comunidade farão a leitura e releitura dessas imagens”.

Ainda não há data para publicação ou lançamento do livro. Mas o livro mostrará espécies da fauna e flora local, a relação dos jovens com a proteção às tartarugas marinhas, a relação do pessoal com ambiente área dessas desovas, do homem e da mulher com o mar, com a pesca e com a agricultura, com a arquitetura natural e aspectos que também ainda vamos delimitando com o tempo por uma questão de organização.

Para Heldene, o município tem um meio ambiente natural bem diversificado. Por exemplo, atualmente a cidade vive o desenvolvimento urbano crescente, mas também tem guardado em seu interior comunidades tradicionais e culturas populares. “Esse trabalho vai registrar esse tempo atual e dessa forma fixar uma memória que permitirá releituras em diversas perspectivas, seja história, antropológica, artística em qualquer tempo atual e futuro”, conclui.