[Opinião] Em "Imagine", colunista fala de obra com defeitos na orla de Natal

[Opinião] Em "Imagine", colunista fala de obra com defeitos na orla de Natal

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Imagine que uma obra nas praias de sua cidade foi executada e, poucos meses depois, apresenta defeito. Reparos circunstanciais são feitos.
 
Imagine que, logo após o novo conserto -  este supostamente definitivo -, a intervenção torna a enquadrar vícios solicitadores de mais remessas de dinheiro público. E de jato o recurso chega.
 
Agora, imagine que, em um determinado momento, os fiscalizadores da lei percebem que os prestadores do serviço apresentaram um projeto e executaram outro, com materiais sem a devida especificação, mais leve e mais barato do que o combinado em contrato. 
 
Imagine que o órgão público realizador, quando solicitado, ao invés de colaborar, omite informações, conforme aqueles que ficavam antigamente sobre o assoalho do Rei.
 
Imagine que ninguém foi punido. Alguém pode ter tentado enganar um órgão público - se o fez, sem dúvida, conseguiu -, e este, ao invés de reclamar, suprime dados aos fiscais do direito do povo e fica por isso mesmo. Nenhuma investigação é, sequer, desencadeada. No máximo, o pedido (encarecidamente?) de correção acontece.
 
Imagine que, mais uma vez, as obras tornam a transparecer que não aguentam nem uma brisa, apesar de serem, em tese, projetadas para o convívio com o movimento das marés. E de quem é a culpa? Segundo o secretário, da maré.
 
O membro do primeiro escalão, pela quarta ou quinta oportunidade - eu também perdi a conta -, conforme a imprensa local, fala em movimentações atípicas do mar, para justificar novas irregularidades constatadas a olho nu na construção erguida. Assim, imagine que os laudos, estudos e consultorias não serviram para nada, já que detectaram tudo, menos o essencial. 
 
Pois bem, imagine que, em avaliação outra vez bancada com grana da viúva, há uma promessa de que tudo será resolvido, no próximo momento, definitivamente na vera - as outras situações foram na brinca -, com mais uma intervenção que custará mais de duas vezes tudo o que foi desembolsado anteriormente.
 
Imagine que, ao fim de toda a jornada nada barata, serão despejados mais de R$ 80 milhões de reais. Isto num período de extrema bonança econômica vivenciada pelo município e pelo país. Foi ironia. 
 
Imagine ainda que a terceira ponte, que ligará parte de Natal até a sua outra parte, a Zona Norte, custará pouco mais de R$ 40 milhões. Isto é: as obras imaginadas acima dariam para construir duas da referida conexão arquitetônica.
 
Aviso: tudo isto ocorreu. É, portanto, mais do que imaginação e se processa nas nossas franjas, ou melhor, nos calçadões da Praia do Meio e de Ponta Negra.
Mas lhe peço, caro leitor, só um pouquinho mais de sua generosa, bondosa e paciente imaginação. O autor político-administrativo da “obra” foi Carlos Eduardo Alves. Tire CEA e suponha que, em seu lugar, está Micarla de Sousa. 
 
Pois bem, como seria a reação dos agentes políticos, imprensa, ministério público, estudantes, movimentos sociais e outros entes reguladores envolvidos?
 
Imagine.