“Ibama prejudica desenvol-vimento do RN”, diz Robinson Faria

“Ibama prejudica desenvol-vimento do RN”, diz Robinson Faria

Compartilhe esse conteúdo

O governador Robinson Faria (PSD) criticou duramente a atuação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Rio Grande do Norte, ontem (15), durante sua palestra no NOVO RN. “O Ibama está prejudicando a economia do estado. Atrapalhando o desenvolvimento, na contramão do que o governo (estadual) vem fazendo”, afirmou para uma plateia de cerca de 50 pessoas.

As críticas do governador vieram após intervenção do jornalista Cassiano Arruda Câmara, colunista do NOVO, a respeito da atuação de órgãos federais, como Ibama e Ministério Público do Trabalho (MPT), este último  que supostamente prejudicaria programas governamentais como o Pró-Sertão.

O NOVO publicou reportagem sobre o assunto no último domingo (6). De acordo com empresários do setor, somente após a implantação do programa, os órgãos passaram a questionar o formato, em que empresas âncoras contratam os serviços de pequenas facções para fornecimento de peças de roupa. O questionamento sobre terceirização das atividades causaria insegurança jurídica para os empreendedores. “Nós estamos bastante preocupados. Foi uma ideia do governo passado que deu certo.

No interior, mesmo nessa seca, tem pleno emprego. Em várias cidades do Seridó, só não trabalha quem não quer, porque tem trabalho nas confecções. Mas os órgãos federais não estão colaborando”, afirmou o governador, a respeito do assunto.

Após a palestra, à reportagem, Robinson disse que não defende a falta de fiscalização, mas que os órgãos não atrapalhem, por questões ideológicas, o desenvolvimento do estado. Ele destacou que o representante do Ibama no estado havia “comemorado”, em entrevista, o fato de ter impedido a construção de 12 hotéis na costa potiguar. Para o governador, isso não é motivo de comemoração, pois empregos que deixam de ser gerados fecham janelas de oportunidade para o desenvolvimento no RN.

 “Ninguém quer causar dano ambiental. Não estou acima da lei, não quero infringi-la e não peço isso. Mas se você olhar a costa do Brasil inteiro, muitos projetos iguais aos aprovados nos outros estados foram negados aqui. Há um tratamento diferente da parte da lei ambiental federal”, apontou.

O governador cobrou “bom senso” dos órgãos federais e diálogo deles com os representantes do estado e da sociedade civil.

O empresário Arnaldo Gaspar, do Sindicato da Construção Civil do RN (Sinduscon) defendeu a organização da sociedade civil organizada estadual na busca de resoluções para o problema.

“Não é possível que uma minoria organizada mande na vontade de uma sociedade inteira”, defendeu. Ele citou, por exemplo, o caso da Via Costeira, que foi criada para desenvolver o turismo do estado, através da instalação de hotéis, mas há vários anos tem novas construções embargadas. “Nós precisamos construir mais 12 ou 14 hotéis. Criar mecanismos para que as pessoas não usem os terrenos de forma especulativa, mas use de acordo com a razão social da época da criação. Com isso, governador, nós iríamos destravar o litoral da Redinha até São Miguel do Gostoso”, apontou.

O diretor-geral do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), Rondinelli Oliveira explicou o caso do hotel BRA, que está há vários anos com a construção paralisada, é um exemplo emblemático. Ele disse que após ter sido embargada a obra, todos os órgãos ambientais se reuniram para tentar resolver a situação e somente o Ibama foi contrário, defendendo a demolição do que já fora construído. O caso continua na Justiça

O diretor considerou que apesar de a área da Via Costeira ser frágil ambientalmente, também deve ser levada em conta a razão de sua construção (para o desenvolvimento turístico). “Toda e qualquer atividade causa impacto, mas existe uma matriz que calcula o que é positivo e negativo. E o que é negativo a gente mitiga ou recompensa. Esse tipo de raciocínio é o que está faltando por parte de algumas pessoas do Ibama. No Idema sempre temos cobrado bom senso”, salientou.

Participando do evento, o suplente de senador e presidente do Centro de Estratégias e m Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates (PT),  se prontificou a ajudar na intermediação a nível federal e abrir um diálogo entre o órgão e os entes estaduais. O governador reforçou que, sendo necessário, vai até Brasília em busca de uma solução.