Nordeste é prioridade para crescimento do Brasil

Nordeste é prioridade para crescimento do Brasil

Compartilhe esse conteúdo

“A solução do Brasil passa pela solução do Nordeste”. É no que acredita o economista Marcos Nóbrega, palestrante da edição do NOVO RN de ontem (26), promovido pelo NOVO Jornal. O evento é um almoço com empresários, lideranças políticas e outros representantes da sociedade e teve como tema “Um olhar diferenciado sobre a crise”.

A afirmação vem com algumas constatações: se o Nordeste fosse um país, seria a quarta maior população das américas e o quinto do continente em dimensão territorial; o poder de compra na região atingiu 450 bilhões de dólares, mesmo PIB do Peru e República Tcheca; a classe média atingiu 42% da população; a região representa 13,5% do PIB nacional.

Nos anos 1970, uma moça do interior foi trabalhar como empregada doméstica na casa do especialista e chegou a achar que um pote de iogurte de morango era, na verdade, um produto de limpeza. A história contada por Nóbrega ilustra o atraso da região naquela época. Hoje é possível consumir iogurte, inclusive produzido no Rio Grande do Norte. “Nós temos uma identidade”, diz. 

De acordo com o especialista – que é pós-doutor pelas Universidades de Harvard e Lisboa e professor da Universidade Federal de Pernambuco –, o que permanece atrasado no Nordeste é o modelo (clássico) de desenvolvimento que se tem para a região, ainda baseado na solução hídrica.

“A ruptura disso se dá nos anos 1950, quando o economista Celso Furtado chega e diz: o problema não é falta de água. O problema é fundiário, de industrialização”, alerta.
Outro ponto que merece atenção é o desenvolvimento com base em produtos primários. Para ele, isso é reproduzir um modelo de 500 anos. 

“Até 20 anos atrás o maior ICMS de Pernambuco era cana e algodão. Se você tem uma sociedade que se desenvolve com base nisso, não tem saída. Vai reproduzir pobreza”, alerta, citando o filósofo e teórico social brasileiro Mangabeira Unger, professor da Universidade de Havard, quando diz que é preciso acabar com o “pobrismo”. Os dados mostram que o Nordeste não é pobre. 

Ele também critica o centrismo do país. “Nós não precisamos passar pelo modelo industrial de São Paulo para encontrar nossas alternativas. Você não precisa reproduzir um modelo de chão de fábrica, exportador primário. Isso é o passado”, conclui, ao mostrar que existem alternativas. A estratégia é pensar de forma global o país, a região e o estado. 

Nóbrega antecipa que uma alternativa é investir em setores menos voláteis ao ciclo econômico, como hospitais, saneamento, educação, iluminação pública e energia.
Para o economista o Nordeste é um potencial de consumo e quem desejar entrar no mercado brasileiro de forma robusta tem que pensar em entrar pelo Nordeste. 

Em sua opinião, essa imagem de oportunidade precisa ser vendida. “A gente vende bem o Nordeste do frevo, mulheres maravilhosas, água quente, praias fantásticas. Mas a gente tem que ver o Nordeste como um lugar de gente séria, de empresários capazes de gerir e gerar receita e desenvolvimento. Esse é o nosso grande desafio”, aponta.

Dessas oportunidades, elenca Private Equity (tipo de atividade financeira realizada por instituições que investem em empresas), hub logístico e principalmente o turismo, beneficiado com a desvalorização do real ante o dólar, já que viajar para o exterior ficou mais caro.

Dentre os participantes do evento, estava diretoria do NOVO Jornal, representado por Fernando Lessa e Leandro Mendes, além do idealizador da atividade Cassiano Arruda e dos conselheiros Everton Dantas e Carlos Magno, que conduziu o debate e considerou um dos melhores já realizados pela empresa. 

“O palestrante foi claro, direto, didático e a plateia interagiu”, avaliou Carlos Magno. “É importante discutir os problemas do estado, buscar soluções. O jornal exerce papel importante como mediador”, completou o jornalista. 

Marcos Nóbrega também fez avaliação positiva do almoço, observando que o empresariado potiguar é otimista. A mesa de convidados reuniu o vice-presidente da Fiern, Antônio Thiago Gadelha; diretor de operações de Sebrae, Eduardo Viana; diretor da Ecomax, Vicente diretor-presidente da Ecocil e ex-senador, Fernando Bezerra; gerente executivo do Sesi, José Nilson de Sá Neto; os advogados André Elali, Evandro Zaranza, José Henrique Azevedo e Kalina Flor; representando a UnP, Marcos Peixoto; prefeito de São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado; do Boticário, Antônio Gentil; o ex-secretário de Planejamento do RN, Vagner Araújo.