O dia em que bandidos invadiram a minha casa

O dia em que bandidos invadiram a minha casa

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O Rio Grande do Norte vive há um ano a pior crise do seu sistema penitenciário. Apenas em 2016, mais de 200 detentos conseguiram fugir das cadeias públicas. Uma média de três fugas a cada dois dias. Em São Paulo, cidade com maior população carcerária do país, durante 2015 apenas uma fuga foi registrada. O fato é que a segurança pública pode parecer apenas um monte de números, mas a verdade é que tudo deixa de ser só estatística quando um desses foragidos aparece dentro da sua casa, como aconteceu comigo:

Marina! O tom de voz que minha mãe me chamou naquela noite ainda me embrulha o estômago até hoje. Na hora, me veio tudo na cabeça: meu pai estava passando mal, Dudu (meu cachorro) tinha destruído alguma almofada do sofá, o arroz tinha queimado, algum plantão da Globo. Tudo. Menos, o que de fato estava acontecendo.

Dei um pulo, levantando da cadeira e indo em direção à sala. Não precisou. Minha mãe, ainda com o mesmo tom de desespero, veio ao nosso encontro. – “Olha só isso!”. Três palavras que formavam um misto de desespero, vergonha, medo e desconforto com toda a situação.

Foi quando vi um rapaz desconhecido atrás dela com algo brilhante nas mãos. Logo ficou claro: era uma arma e estavam assaltando a nossa casa!

Eu, meu noivo, o casal de amigos que me visitava naquela noite e minha mãe rendidos ali, na área da piscina que tanto me animei para reformar dias antes. Sob a mira da arma, fomos escoltados para dentro de casa. Eramos três mulheres e três homens na casa. Fora os dois intrusos. O medo da violência e de não saber o que poderia acontecer nos sufocava.

Ficamos trancados no banheiro até que eles achassem que era a hora de ir embora. Foram minutos de humilhação. Seis pessoas e dois cachorros num pequeno banheiro da suíte dos meus pais, espremidos entre o vaso sanitário e o box do chuveiro, silenciados pelo medo. O desespero tomou conta de todos. Não havia espaço para pensar em mais nada, se não a nossa sobrevivência.

Uma batida na porta. O rapaz que nos rendeu queria que alguém abrisse o portão para que eles pudessem sair com o amontoado de coisas que eles tiravam dos nossos armários, bolsas e estantes. Olhei para minha mãe: em choque. Meu noivo atônito após ser ameaçado com uma arma na cabeça. Meu pai com o olho ainda sensível depois de descobrir que a córnea que ele havia transplantado estava passando por um processo de rejeição. Meus amigos, coitados, tendo que passar por tudo aquilo na minha casa.

Eu vou! Sai do banheiro sem imaginar se voltaria ou o que aconteceria comigo. 

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