7 anos de Novo jornal. É uma honra fazer parte dessa história

7 anos de Novo jornal. É uma honra fazer parte dessa história

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Nesta semana, comemora-se os 7 anos do Novo Jornal. E eu, como um bom menino, colunista disciplinado que nunca falhou com o envio de um texto e colaborador com profundo espírito de equipe e poderoso senso de dever teria que escrever a respeito deste natalício tão importante para a vida da cidade, dos seus partícipes e, por consequência, na minha vida. Porém, contudo, no entanto e todavia, surgiu um fato que não poderia passar sem registro: minha coluna de hoje sai no dia do aniversário da minha mulher. Nesse caso, o Novo Jornal vai ter que me desculpar, chegar um pouquinho de lado e aceitar que dividirá o tema da coluna com aquela com quem decidi compartilhar mais do que palavras, mas a própria vida. 
 
O convite para escrever no Novo Jornal veio em 2010 e foi aceito de imediato, com muita honra. Quando o editor Carlos Magno formulou o convite, disse: “Estamos chamando você porque sabemos que você tem leitores”. Fiquei feliz. E hoje tenho mais leitores ainda, graças ao Novo. Não foi um caminho fácil. Foi preciso muito trabalho antes de ser possível escrever para um veículo impresso que circula todos os dias, que conta com algumas dezenas de profissionais envolvidos em sua elaboração. Esta era uma chancela que havia muito eu perseguia. Porque a Internet tudo aceita, mas um jornal diário carrega consigo toda a bagagem e tradição da imprensa nacional. O que se escreve e se registra numa publicação respeitada tem maior comprometimento do autor para com seus leitores, ainda que aquelas palavras venham a embrulhar pescados no dia seguinte. 
 
Lembro a primeira vez que tentei escrever para um jornal da cidade. Era o texto “Galado”, cometido no ano de 2001, vetado no Diário e no Jornal de Hoje por conter um palavrão. A crônica tinha se espalhado na Internet e eu havia perdido a autoria. O episódio serviu de motivação para que eu publicasse meu primeiro livro, que aliás, acabou resultando numa editora com mais de 130 livros publicados. Curioso saber que, anos depois, foram os livros que me conduziram a um jornal, não o contrário. Ou seja, aquela negativa dos jornais de 2001 acabaram me guiando até o Novo em 2010. Curiosa a lógica da vida. 
 
Ainda como estudante, escrevi em jornais escolares como o “Boca Livre” do Colégio das Neves e o “40 graus”, jornal que circulava em várias escolas. Na faculdade de jornalismo, publiquei na “AZ Revista”, fanzine que me acolheu, capitaneado por Caio Vitoriano, Paulo Celestino, Cristiano Medeiros e George Rodrigo. E, paralelamente à publicação dos 3 primeiros livros, colaborei como colunista do portal Diginet (lembram?). Dessa maneira, fui arregimentando os leitores que motivaram o Novo a me convidar. 
 
Fazendo um paralelo a esta trajetória, em 2010, quando aceitei o convite para escrever no jornal, Nina havia aceitado o meu convite para escrevermos outra história. Estávamos noivos e o casamento que completa 6 anos também este mês rendeu frutos maravilhosos como Isabela, um lar repleto de amor e parcerias várias. Da mesma maneira que eu precisei escrever em vários lugares, publicar 3 livros até merecer o convite para ser colunista do Novo Jornal, Nina também apareceu em minha vida num momento em que eu já cogitava seriamente uma vida de homem solteiro em que bastar-se seria a meta principal de uma vida sozinha, mas feliz. Minha mãe, à época, já nem pedia que eu casasse, mas que eu engravidasse alguém para que ela pudesse ter um neto. Não foi preciso, mãe. Pode ficar sossegada.  
 
Sempre gostei de publicar no Novo Jornal, publicação que, apesar da orientação editorial conservadora e bem à direita, nunca perdeu o espírito “zuêro” e foi capaz de estampar, por exemplo, as charges geniais de Ivan Cabral por tanto tempo, além de dar voz e vez a opiniões dissonantes e plurais, como a de vários dos seus colunistas fixos.  Porque se vocês repararem bem, até os comentaristas de portais de Internet têm vez, representados por um certo colunista ali... mais não digo. 
 
E as manchetes! Ah, as manchetes. Corajosas, cheias de picardia. Lembro de uma em especial, quando a Câmara Municipal criou uma série de problemas para o Prefeito Carlos Eduardo e o Novo mandou ver na capa: “Dor de cabeça grande”. Em outra antológica chamada da série “veneno escorrendo nas páginas”, escreveram um título sobre uma votação na câmara na qual o SINDIPOSTOS era parte interessada e teve o pleito atendido pelos vereadores: “SINDIPOSTOS dá o troco!” Na mesma edição, mais uma pérola, em texto que repercutia o fato de a votação ter sido decidida por um voto: “Foi a conta.” Como não respeitar? 
 
Este mesmo espírito “zuêro”, trabalhado na ousadia e alegria, posso afirmar olhando em perspectiva, é um dos pilares do meu casamento. Vejo tanta gente alardear no Facebook que está em um relacionamento sério com outra pessoa. Eu que não queria estar em um relacionamento sério. Prefiro um compromisso leve, bem-humorado, divertido e que torne a vida leve para ambas as partes. Por fim, acabamos por ser agraciados por uma filha mais gaiata que nós dois juntos e elevamos ao cubo a máxima: “procure um amor que goste de cachorros”.
 
No Novo Jornal, minha relação não é lá de muita seriedade. Muitas vezes, me acusam de ser debochado, de brincar com coisa séria, mas é através do humor que extraio a reflexão, que proponho crítica social, que demonstro o outro lado da ópera bufa que teimamos chamar de vida. 
 
E segue o baile. Um amigo disse outro dia uma expressão que tenho utilizado à exaustão: “sou jovem há mais tempo”. E como todos nós que temos sido jovens há cada vez mais tempo, o Novo Jornal chega a seu sétimo ano de existência. Nina e eu também continuamos a correr (no caso dela, inclusive, literalmente) atrás da realização de objetivos, transformando sonhos em metas e escrevendo nossa trajetória juntos. Fico feliz com o que estamos construindo e pelo momento que vivemos com a certeza de que neste ritmo, ainda que passe muito tempo, seguiremos sendo jovens e é essa alegria, energia e jovialidade que me faz amá-la ainda mais. 
 
Não fique com ciúmes, Novo Jornal. Você também é legal. mas é que Nina deixa todo mundo na poeira. Que bom que você já está acostumado a ser o segundo.