Motivos pelos quais não ando mais de ônibus em Natal

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Ou: sobre como eu virei uma caroneira profissional. E o quanto isso é ruim.

Há seis meses não andava de ônibus em Natal, mas ao contrário do que possam achar, não tenho carro, moto, tão pouco carteira de habilitação. Simplesmente, virei caroneira de carteirinha. E isso é muito ruim. 

Pode parecer cômodo, mas não é fácil. Escolho abrir mão de ir a vários lugares só para adaptar a minha rotina ao horário da carona. Um exemplo: Por sorte da vida, tenho um noivo que faz questão de me deixar e levar no trabalho, de moto ou carro. Mas, para isso, preciso chegar no meu trabalho uma hora mais cedo e sair uma hora mais tarde todos os dias. Não reclamo. Outro dia, cheguei ao cúmulo de preferir acordar às 4h50 da manhã e chegar no trabalho às 5h30 (entro às 8h) só para não precisar ir de ônibus (vale dizer que a manhã é o horário com mais assaltos aos pontos de ônibus do meu bairro).

Mas por que tudo isso? Nesses 180 dias, ainda não tinha parado para refletir sobre essa minha escolha. Simplesmente foi acontecendo. Fui evitando o ônibus, abrindo mão de um monte de coisa. Até que, na semana passada eu decidi que não ia deixar de ir para uma reunião com amigos e resolvi pegar um ônibus. Foi nesse caminho de pouco mais de meia hora que me peguei pensando o quanto andar de carona (mesmo com todas as restrições) é bem melhor do que andar de ônibus.  E o quanto isso é ruim. Ecológica, pscicológica, social e economicamente falando. Resumindo: Por medo, deixo de usar um transporte público (bem mais sustentável!), ir a vários lugares na hora e dia que quiser e ainda gasto mais ajudando no combustível da carona. Mas, não é só:  

 

MEDO - Esse foi o primeiro fator que me fez parar de andar de ônibus. Moro em um dos bairros com maior índice de assaltos a ônibus de Natal (alguém adivinha?). Os assaltos nas paradas também são constantes. Tive a sorte de nunca ter sido vítima quando andava diariamente pelos 33, 37,44 e 83 da vida e achei que pegar carona (deixar de andar de ônibus) era o melhor jeito de preservar a minha sorte. 

SDDS PLANEJAMENTO - No mesmo dia em que peguei o ônibus após seis meses, consegui outras três caronas. Uma delas foi decisiva para minha ida à reunião. Um casal de amigos prometeu me pegar na parada de ônibus que desci. Pode parecer frescura, mas de onde saltei até o local onde meus amigos estavam, teria de caminhar mais de 2km. E, acredite, o ônibus que peguei era o que me deixava mais perto! Junta isso ao fato de que era fim de tarde e o trajeto não era nem um pouco movimentado...

HÁBITOS NOTURNOS - Se durante o dia a inseguranca já é enorme, imagina a noite quando o ponto de ônibus da minha rua é assim? Não dá.

LATA DE SARDINHA - Nunca fui de exigir conforto, mas só quem passa pelo trauma de pegar um circular da UFRN no final da tarde e depois um 33 entupido de gente, sabe o que é se sentir sufocada.  

PONTUALIDADE ZERO - Gosto de ser pontual, mas é impossível conseguir isso se você depende de um transporte público aqui em Natal. Um dia o ônibus passa 6h, outro dia 6h20 e você atrasa...outro dia passa 5h50 e você perde.   

No fim das contas, depois de todo esse tempo longe dos ônibus, ainda não sei o que é pior: abrir mão do transporte público, barato e sustentável pelas caronas que limitam sua vida e te fazem a pessoa mais cara de pau do mundo ou se arriscar diariamente no sistema de transporte público de Natal. Fico com o sentimento de que a minha liberdade (e olha que nem quero muita coisa) está sendo privada pela ineficácia dos serviços básicos. Não é culpa de uma pessoa ou órgão só. Vai além. 

Falta combater a raiz do problema. Se me sinto insegura é porque não tem polícia nas ruas, mas também não tem educação de qualidade nas escolas públicas (e privadas, por que não?). Não tem estrutura nas paradas de ônibus, mas também não tem investimento em outros meios de transporte. Se tem gente matando por causa de um celular, é porque falta emprego ou faltam políticas públicas para que a pessoa não precise roubar para sustentar um vício. Achar um único culpado no meio de tanta coisa errada seria um ato heróico da minha parte, mas acomodar-se diante da situação não é a melhor alternativa, confesso. Por isso, não indico que você vire caroneiro nem que arrisque sua vida por aí. Indico que a gente abra os olhos para enxergar as coisas além do que é superficial.       

O que você acha? Esqueci alguma coisa? Deixa nos comentários! 

Turista retira tubarão da água em Fernando de Noronha e é mordida

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Na tarde desta segunda-feira (6), uma turista que visitava a Praia do Sueste, em Fernando de Noronha, resolveu pegar um filhote de tubarão com a mão para que seu namorado fizesse imagens dele. O animal reagiu, mordeu o dedo da turista que por pouco não se feriu gravemente.

O casal terá de pagar o valor de R$20 mil em multa emitida pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelo Parque Nacional Marinho, reserva ambiental onde o crime aconteceu.

Cada um teiaá que pagar R$ 5 mil pelo ato de molestar animais, entretanto o valor da multa dobrou porque o crime aconteceu em uma área de preservação.

Confira o vídeo: 

Tartaruga é resgatada viva com nadadeiras amputadas em Tabatinga

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Dois golfinhos e cinco tartarugas, uma delas encontrada com duas nadadeiras amputadas, foram resgatadas no litoral potiguar neste último fim de semana. Os resgates foram realizados pela equipe do Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB-UERN) em parceria com o Laboratório de Morfofisiologia dos Vertebrados da UFRN e o Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAN).

Os chamados começaram ainda na manhã do dia 28 quando a equipe foi solicitada para o atendimento de um golfinho fêmea morto no município de Baía Formosa, litoral Sul do Rio Grande do Norte. O animal foi encontrado com mordidas de tubarão, provável causa da morte, mas também teve os olhos retirados por ação humana.

Na Praia da Cotia e também na Praia de Búzios, em Nísia Floresta, duas tartarugas-verde foram encontrada mortas com sinais de fibropapilomas, doença de pele comum em algumas espécies marinhas.

Ainda no sábado, outra tartaruga-verde com marcas de pesca nas duas nadadeiras foi resgatada sem vida na Praia da Redinha, em Natal. O caso mais impactante, porém, foi de uma tartaruga da espécie Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda).  Encontrada viva na praia de Tabatinga, município de Nísia Floresta/RN, ela teve as duas nadadeiras amputadas, possivelmente após ficar presa em redes de pesca. O animal foi medicado e agora está sob cuidados veterinários no Centro de Reabilitação do projeto.

Parque da Cidade vai oferecer aluguel de bicicletas

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A partir desta terça-feira, o Parque da Cidade inaugura um novo serviço oferecido aos visitantes: o aluguel de bicicletas infantil e adulto, com marchas ou sem marchas. A tenda fica instalada no estacionamento Sul, na Av. Omar O'Grady e vai facilitar a vida de quem quer pedalar no parque, mas não tem como levar a bike.

A Live Bike vai funcionar todos os dias das 6h as 9h e das 14:30h às 17:30h. Os valores são os seguintes: R$12,00 por uma hora em bicicletas com marchas; R$10,00 por uma em bicicletas sem marchas; R$8,00 por 1/2 hora em bicicletas com marchas e R$6,00 por 1/2 hora em bicicletas sem marchas.

Os valores são os mesmos para bikes infantis. Os interessados fazem um cadastro no primeiro aluguel e comprometem-se a cumprir as normas de segurança e convivência estabelecidas pelo parque. 

O que eu vi do lado de fora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz

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Os primeiros raios de sol ainda apareciam tímidos no céu quando cheguei na redação do NOVO, de onde sairia em direção à Penitência Estadual de Alcaçuz, cenário de um motim de mais de 14h que terminou com a morte de 26 presos. Era a primeira vez que cobria algo assim. 
 
Minha missão era acompanhar, do lado de fora do presídio, o dia de atendimento aos detentos feridos e a retirada dos corpos. Isso significava ficar lado a lado com o sofrimento e a angústia de centenas de mães, esposas e filhos que aguardavam qualquer informação sobre seus familiares encarcerados, tentando reportar isso com a sensibilidade de quem, definitivamente, não estava ali para explorar a dor do outro em troca de alguns cliques.
 
Já nas primeiras conversas informais, vi que não seria uma missão simples. Os depoimentos eram impactantes e perturbadores. Um vídeo filmado por presos, divulgado nas redes sociais horas antes, fez com que uma mãe reconhecesse o corpo decapitado do filho e uma esposa a cabeça (solta do corpo) do marido em meio ao amontoado de cadáveres no cenário do massacre. Outra mãe não tinha coragem de ver a tal filmagem, mas intuitivamente acreditava que seu filho estava entre os mortos. 
 
Aliás, era com a intuição, as inúmeras especulações e alguma rara comunicação com o lado de dentro do presídio através de celulares (mesmo com a presença de bloqueadores de sinal) que os familiares tinham que se contentar ao longo de todo o dia, já que fontes com informações oficiais eram quase tão escassas quanto a sensibilidade de algumas equipes de reportagem.
 
Assim que cheguei para o dia de cobertura, me recomendaram “não entrar na onda das mulheres”. Resisti o máximo que pude. Mas, não pude deixar de ser solidária e emprestar meus ouvidos para que elas pudessem desabafar. Elas queriam (e precisavam) ser ouvidas, mas isso não significava que gostariam de ser expostas nos veículos de comunicação. 
 
“Nos tratam como vagabundas que não tem o que fazer. Eu trabalho amanhã cedo, tenho minha casa e meu filho para cuidar e uma vida social que não tem nada a ver com isso aqui. Não admito que o fato de estar aqui atrás de informações sobre meu marido seja motivo para me julgarem assim”, disse uma que fez questão de não ser identificada, mas que precisou ir de equipe em equipe de imprensa pedindo que “pelo amor de Deus” sua imagem não fosse utilizada.
 
Mortos
 
Meu último momento no entorno do presídio foi acompanhando a saída do comboio que levaria os corpos até o ITEP. Uma multidão se aglomerava próxima ao portão por onde sairiam dois rabecões e três caminhonetes. Ouvi alguém pedir “em respeito aos mortos” aplausos quando os carros passassem. As palmas ensaiadas cessaram segundos após iniciadas, dando lugar ao choro generalizado. “Olha só isso! Estão levando os corpos nas caçambas, como se fossem lixo! Isso não é justo”, gritava uma mulher ao fundo, enquanto tentava ser consolada. Duvido que metade dos haters que se orgulham de entoar nas redes sociais que "bandido bom é bandido morto" teria, ali naquele momento, coragem de olhar nos olhos dela e repetir a frase. Nessa hora, não sei se por falta (ou presença) de profissionalismo, não contive uma lágrima que mal caiu pelo meu rosto e já teve que ser secada. Era hora de acompanhar a chegada dos corpos no ITEP, do outro lado da cidade.
 
Sabia que seria difícil. Mas, não imaginei que ver os corpos (enrolados em sacos mortuários) sendo transferidos para um caminhão frigorífico fosse mais fácil de encarar do que o cheiro que aquela cena exalava. A morte tinha uma essência horrível e apavorante, que entranhou nas minhas narinas até o dia seguinte. 
 
“Jamais esquecerei. Parece que continua em mim”, desabafei. “E vai continuar para sempre. Jornalistas nunca esquecem cheiros”, me alertou um amigo e colega de profissão.

Após naufrágio, ONG's pedem que população alerte mudanças na orla

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Após naufrágio de uma embarcação no Litoral Norte potiguar, no último dia 23 de dezembro, IBAMA está mobilizando organizações que atuam em monitoramento do ambiente costeiro marinho para monitorar  indícios de prejuízo à vida marinha. Confira a nota da ONG Amjus, que atua em São Miguel do Gostoso:

 

À COMUNIDADE EM GERAL,

Peixes boiando ou na praia, aves marinhas, botos, golfinhos, baleias ou peixes-boi encalhados podem ser vistos na praia... Ou mesmo manchas de óleo... Caso vejam, por favor, nos avise!!

No dia 23 de dezembro ocorreu um naufrágio de uma embarcação, na costa na direção do Município de Guamaré, transportando depósitos com combustível, óleo diesel, segundo informações.

Proprietário e IBAMA ainda estão em impasses para resolver a situação mas já há indícios de vazamentos de óleo, visíveis na superfície da água, que poderá contaminar e pôr em risco a vida de animais marinhos, sendo afetados principalmente a feita que segue do município de Guamaré à Caiçara do Norte, estando São Miguel do Gostoso no meio dessa faixa.

De acordo com os estudos feitos não há risco de que o óleo chegue às praias, mas poderão chegar os animais contaminados. Então, IBAMA mobilizou organizações que atuam em monitoramento do ambiente costeiro marinho para somar no Plano de Ação de atendimento a esta fauna marinha em risco.

Para isso apurar um olhar mais atento da presença de cardumes anormais de peixes boiando ou na praia, aves marinhas debilitadas, tartarugas marinhas, botos, golfinhos, baleias e peixes-boi encalhados.

Bem como prestar atenção para a presença de manchas de óleo boiando na água ou na praia.

Pedimos a população que, ao ser visto esses sinais em área da orla de São Miguel do Gostoso, IDENTIFIQUEM O LOCAL e entrem em contato com a #AMJUS por meio dos números 99160-3927 / 99189-4686 / 98147-8289 ou 99619-6386 e comunique para que procedimentos sejam tomados junto à rede de proteção.

Em caso de visto esses sinais em municípios vizinhos e não consigam contato local, NOS LIGUEM e ajudaremos no contato! Também podem ligar diretamente para PCCB/UERN/UFRN/CEMAM nos telefones: (84) 9.9939-0471 / (84) 9.9143-5522 ou (84) 9.8155-4754 / (84) 9.9906-1381