Para onde vão as garrafinhas long neck de cerveja?

Para onde vão as garrafinhas long neck de cerveja?

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Há quem diga que a cerveja na garrafinha de vidro, aquela long neck, tem um gosto mais apurado, pela conservação não ser em alumínio ou sei lá o que. - mas, convenhamos… depois da quinta, quem é que está realmente preocupado com a finesse da bebida? -. Outras pessoas escolhem o vidro simplesmente por achar mais bonito. Sim. Já ouvi muita gente comprar, por exemplo, uma garrafinha de smirnoff com 275 ml ao invés de uma latinha de alumínio com 55 ml a mais, só pelo fato de achar mais bonito beber na boca da garrafa! Se isso não é desperdício, não sei o que é.  

Não bebo cerveja. Nunca gostei nem mesmo do cheiro. Mas, sempre suportei, afinal muitos amigos são apreciadores da bebida fermentada. Porém, conto agora quando começou meu pesadelo com as danadas pescoçudas (tradução de long necks): Era meu aniversário. Como adoro festa e sou uma ótima anfitriã (modéstia à parte), comprei 200 long necks para servir aos convidados. Tudo maravilhoso. Todo mundo adorando. Até que, no dia seguinte, aquelas duzentas garrafas se espalharam pela varanda da minha casa. Perguntei ao meu namorado o que fazer com aquilo tudo. Achei, inocentemente, que elas eram retornáveis como as maiores, de 600ml. Imagina o desespero quando soube que aquelas 200 garrafas teriam de ir para o lixo comum!? Pirei. Num aterro sanitário, aquelas garrafas durariam mais de mil anos para se decompor.

Antes de me culpar por ter financiado aquele lixo, pensei em uma solução: vamos reciclar! Deixei tudo lá, separado por quase dois meses esperando a coleta seletiva do bairro... e nada. Juntou mosquito, bicho, estresse. Tudo. E as malditas garrafas lá.

Finalmente, certo dia, voltei da faculdade e elas não estavam mais lá. Diz a lenda que o caminhão da coleta seletiva passou e levou tudo. Mas, foi quando achei que finalmente poderia me livrar do peso na consciência que descobri que as queridinhas da galera chique da balada, também são um dos maiores pesadelos da indústria recicladora.

Isso porque para muitas empresas, o custo em reciclar acaba sendo muito maior do que usar matéria-prima nova. Ou seja: fazer o vidro do zero é mais vantagem (para eles, claro!). Imagine só para uma empresa de bebidas ter que negociar com uma recicladora, sistematizar a coleta moderna e a limpeza completa dos resíduos da garrafa, garantir a triagem correta com separação de garrafas de bebidas, frascos de remédios, cosméticos e potes de conservas… etc? Com um processo tão rudimentar, a média de reciclagem de vidro no Brasil ainda é de 42%, ou 350 mil toneladas por ano.

Sem o interesse das indústrias, as long necks continuam entupindo as recicladoras. Na última que visitei, em uma viagem ao Paraná, uma montanha com mais de 300 sacos (daqueles de 100 kg) de vidro se amontoava no galpão da cooperativa de recicladores. Sem lugar para descartar nem comprador interessado, a torre de long necks continuava a crescer dia após dia, alimentada muito mais pela vaidade do que pela sede dos consumidores. Uma realidade que se espalha pelas mais diversas cidades do país.

Do outro lado da moeda, uma solução mais sustentável para quem não abre mão da sua cervejinha, mas já percebeu que até para encher a cara no fds é preciso pensar em sustentabilidade

  • De 2001 a 2012, o Brasil manteve o recorde mundial de reciclagem de latas de alumínio para bebidas, com o índice de 97,9%.
  • Atualmente, em aproximadamente 30 dias, uma latinha de alumínio para bebidas pode ser comprada, utilizada, coletada, reciclada, envasada e voltar às prateleiras para o consumo.
  • Em 2012, somente a etapa de coleta (compra de latas usadas) injetou cerca de R$ 630 milhões na economia nacional, gerando emprego e renda para milhares de pessoas.*
Vai beber? Pede litrão retornável pra galera ou deixe a vaidade de lado e compre as latas de alumínio. Por favor!