'Livres', mais um partido no Rio Grande do Norte

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Defender o liberalismo e um estado menor, através da terceirização e privatização de serviços públicos é o objetivo do partido Livres. A legenda, que surge a partir de uma reestruturação do PSL, já conseguiu sua primeira representante na Câmara Municipal de Natal, semana passada: a professora Eleika Bezerra, que deixou o PSDC para ingressar nos quadros da nova legenda. A pretensão da diretoria é lançar candidaturas próprias para o legislativo municipal já em 2016, entre elas a de reeleição de Eleika, e também deverá ter candidato a prefeito. 
 
No Rio Grande do Norte, o Livres é comandado pelos coordenadores dos movimentos de rua que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff desde o ano passado. Juntos em Natal, esses movimentos formaram o grupo chamado “Força Democrática”, que agora assumem um partido. O PSL (Livres) é presidido no estado pelo consultor financeiro Karol Diniz, que ficou conhecido por dar entrevistas em nome da organização dos protestos na capital potiguar. Os integrantes da legenda são profissionais liberais, empresários, servidores públicos, entre outros. “Aceitamos todo mundo. A única exigência é não defender partidos de esquerda. A esquerda representa o estado máximo e nós defendemos o estado mínimo”, reforça Diniz. Ele ainda não sabe quantos estão filiados ao partido. Até novembro do ano passado eram 2800. “O que sabemos é que tivemos mais de 100 requisições de filiação nas primeiras 24 horas após o anúncio da nova direção”, apontou. O anúncio ocorreu na última quarta-feira (30).
 
O partido passou a ser comandado entre janeiro e fevereiro deste ano pelo Instituto Liberal, de São Paulo, que desde 1983 atua com vários tipos de publicações, realização de colóquios, seminários e discussões para promover o liberalismo no país. O presidente do instituto é Rodrigo Constantino, economista e escritor que assina colunas em jornais como O Globo. À frente da coordenação política, responsável pelo convite aos potiguares para se filiarem ao PSL, está o gaúcho Fábio Ostermann, autor e palestrante nas áreas de política e economia. 
 
Karol Diniz afirma que o partido defende basicamente o estado mínimo – a diminuição da estrutura da máquina pública, através da redução da necessidade do número excessivo de impostos para dar mais liberdade aos cidadãos. “O governo tem que ser pequeno. Quanto menor for o governo, menor é a burocracia. Quanto menor a burocracia, menor a corrupção”, avaliou o líder partidário no RN. Para Diniz a corrupção ocorre princi-palmente por causa dos entraves e da demora própria da estrutura pública, que é pesada e burocrática. “Ela (corrupção) existe justamente para pular etapas, não ter que se submeter à burocracia. Se a gente diminui a burocracia, diminui a corrupção”, disse ele.
 
O Livres defende a privatização de empresas e serviços públicos e usa exemplos de programas do próprio governo federal como argumento. O Programa Universidade Para Todos (Prouni), por exemplo. “Veja que programa lindo. O Estado não precisa executar. Se o governo investisse os recursos que investe na universidade pública em programas como esse, muito mais gente poderia estar na universidade, com uma qualificação melhor e sem ensino de ideologia. Isso é uma chaga para nós. Será preciso muitos anos para reverter isso”, afirma.
 
Para Diniz, é através de um estado menor que o cidadão se torna livre para tomar suas próprias decisões. O Livres ainda  não tem nomes de políticos tradicionais no estado, além da vereadora Eleika Bezerra da capital. A ideia da legenda é ser diferente dos outros partidos, diz o presidente estadual. O foco não é em filiação de políticos tradicionais. “Ela é o único político. Foi convidada justamente por ser uma das poucas unanimidades morais entre os políticos eleitos no RN”,  diz o presidente.
 
Líderes das ruas pretendem ir para os gabinetes
 
O Livres deverá ter candidatos a prefeitos nas principais cidades do estado, afirmou o presidente da legenda em Natal, Arthur Dutra. De acordo com ele, os possíveis nomes ainda serão debatidos em nível interno, mas a ideia é lançar candidaturas em Natal, Mossoró, Parnamirim e Caicó. “Muitas pessoas ficaram empolgadas com a proposta do partido e já disseram que querem se candidatar”, diz. 
 
Quem estava nas ruas agora quer alcançar os gabinetes do Executivo e do Legislativo. Durante as manifestações, parte dos integrantes do partido afirma-vam que não tinham interesse na vida política. Meses depois, entretanto, afirmam que a entrada na vida partidária foi uma consequência da militância. “A política é o espaço em que a gente tem a oportunidade de não só reclamar, mas concertar. É a única forma que a legislação permite”, argumenta Karol Diniz, declarando ainda que os novos políticos não deixarão a militância das ruas.  
 
Arthur Dutra comenta que “ninguém foi atrás de partido”, mas que as filiações foram feitas a convite de pessoas do Instituto Liberal, que já conheciam e tinham contato com a militância local.
 
Por enquanto o partido ainda se chama PSL e pode entrar em processo de refundação (quando poderá mudar de nome) entre 2016 e 2017. As principais mu-danças ocorrem internamente. O PSL está organizando suas bases nos estados e municípios e reformulando suas propostas e programa ideológico.
 
Questionado se seria difícil convencer o eleitorado potiguar e atraí-lo para suas ideais, Arthur Dutra acredita que não. “A gente pretende mostrar resultados práticos. Mostrar o exemplo da Petrobras, que foi pilhada por partidos e políticos porque é uma estatal. Se fosse privada isso não aconteceria.” ,  conclui. 
 
A vereadora Eleika Bezerra disse que deixou o PSDC porque o partido estava sofrendo algumas alterações com as quais ela não concordava. Ela afirmou que foi procurada pelos jovens do Livres e resolveu apostar nas propostas deles de uma nova política. “Eu estou querendo apostar numa nova geração. Porque essa que está aí já está cheia de vícios. Estou confiando num potencial jovem  que quer o Brasil com uma nova cara. O tradicional está muito comprometido. Tem que se apostar em algo diferente”, disse ao NOVO.
 
Professora e militante da área da educação, Eleika disse que se sentiu especialmente atraída ao novo partido por causa das propostas de um novo pacto federativo e de liberdades individuais. 
 
“A gente tem que pensar na liberdade, começando pelo próprio cidadão, passando pelos municípios, pelos estados e pela União. Hoje a gente está começando de trás pra frente. O indivíduo está superfragilizado, os municípios e estados estão fragilizados e temos um estado ineficiente, ímprobo e sufocante. O cidadão fica na dependência dele. É preciso liberdade. A virtude está no centro”, afirmou Eleika, até agora, único nome conhecido do Livres.