Preciso falar que sou Ultramaratonista

Preciso falar que sou Ultramaratonista

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Desculpe o transtorno, preciso falar que sou ULTRAMARATONISTA.

 

Vai chover hoje! Não é assim que falam quando uma coisa improvável vai acontecer? Pois, estou eu aqui.

Para quem não sabe, no dia 29 de outubro, eu participei de uma ultramaratona de 50Km na Cidade de Bombinhas em Santa Catarina. Uma prova de corrida trail, mesclando muita serra e praia, um cenário lindo, de cair o queixo.

Faz tempo que eu queria fazer meu depoimento sobre essa prova, mas a correria do dia-a-dia me afastou. Vou começar contando do treinamento.

Esse ano em maio, eu tive a síndrome da mulher atleta, que me deixou sem energia e desmotivada para correr. Fiz a inscrição dessa ultramaratona como forma de incentivo para que eu pudesse superar essa maldita síndrome. Não foi fácil, comecei meu treinamento ainda um pouco sem energia. Meu corpo demorou a responder. Meus longões não passaram de 33 km, pois quando meu corpo aguentou uma carga maior de treino, já era tarde demais, já estávamos na véspera da prova. Meu técnico estava confiante, e eu estava bipolar, tinha dias que estava super segura e tinha dias que estava achando que seria impossível conseguir completar essa prova. Por várias vezes pensei em trocar minha inscrição dos 50Km para os 21Km, mas, confesso que estava com preguiça de viajar pra correr 21km.

Quando cheguei na cidade, já de cara me senti super bem. Fiz uma boa viagem, consegui levar meus lanches de aeroporto, e até o momento nada tinha feito mal ao meu estômago (tenho a síndrome do intestino irritável – quase a mulher síndrome, neah? É síndrome de tudo rsrs).  Minha nutricionista, Adriana Gurgel, também foi correr, estava comigo e de olho na minha alimentação, eu sempre como menos do que devo em pré prova. Um dia antes da largada fiz um treino e me senti super bem, naquele momento eu soube que se o meu estômago cooperasse eu faria uma boa prova.

Dia da prova, sai do hotel as 5:00 da manhã, ainda escuro, sozinha, pedindo proteção durante o trajeto da prova.  Peguei o ônibus da organização e fui para o ponto de largada, que era em outra cidade. Cheguei na largada faltando 45 minutos para o início da prova, estava com muito frio, não me sentia nervosa, estava ansiosa, mas bem tranquila, sem medo. Só queria fazer uma boa prova, chegar bem na meta e virar ultramaratonista.

Logo no começo da prova notei que erámos 6 meninas no pelotão da frente, mas eu tinha que me segurar, eu sabia que ali eu tinha que ter a mente tranquila pois ainda iria correr 50Km, era começo de prova.  Posicionei-me na quinta colocação, a sexta colocada estava logo atrás de mim e as quatro primeiras eu não via mais nem o rastro. E eu fui ali fazendo minha prova, encaixando minha alimentação de acordo com meu plano alimentar, eu sabia que meu maior inimigo ali era meu estômago e não podia bobear, eu queria aquele quinto lugar pra mim. E tudo foi dando certo. Os 12 primeiros Kms da prova não passavam, era só de subida, uma subida atrás da outra. Depois veio uma parte só de lama, tinha chovido muito véspera da prova, devo ter levado umas três quedas. Quando chegou na beira mar, mais ou menos, no km 25 eu vi a quarta colocada, não acreditei.  Chutei a bota, eu fui atrás dela, passei, agora eu era a quarta colocada geral na prova, nessa hora, entramos novamente na trilha, cruzei com uma cobra gigante e eu só pensava no orgulho que eu ia dar para minha família e para o meu coach. Estava correndo para ser a quarta colocada, não queria mais ser a quinta, fiquei com uma dor no pescoço de tanto que olhei para trás. No Km 35 tinha um posto de abastecimento (comida e água), chegando lá quem eu vejo? A terceira colocada fazendo seu reabastecimento. Os meus olhos brilharam, peguei na minha mochila e ainda tinha água e eu não podia perder a chance de ser a terceira colocada. A vontade de parar e comer foi grande, mas passei direto, eu tinha um resto de água, batata e isotônico, não podia parar, não podia perder a oportunidade.

Estava me sentindo bem, conseguindo fazer uma corrida constante, estava em um bom ritmo, não me sentia cansada, as pernas ainda estavam soltas e minha energia estava a mil. Mas, ainda tinham 15 km e eu não podia bobear, nesse momento pegamos outra beira mar, e eu dei toda minha energia, fui embora, correndo forte, eu sabia que ali elas não me pegariam mais, porém o que eu não imaginava era que ali no km 44 eu encontraria a segunda colocada, primeira coisa que me veio na cabeça “vou chorar”, eu a estava vendo, notava que ela estava cansada, e eu estava bem. Eu iria pegá-la e peguei. Mais uma vez, dei o gás e passei dela. E foi só aí, perto do km 44, que me senti cansada, mas eu já tinha chegado até ali e tinha que correr para segurar meu incrível segundo lugar. E assim cheguei na meta. Ultramaratonista e vice campeã, foi muita emoção para um dia só. Senti muito orgulho de mim, da minha determinação. Senti-me muito agradecida a todos que contribuíram com a minha jornada e imensamente feliz por concluir mais um objetivo da minha vida.

Obrigada. Obrigada e obrigada. Foi bom demais.