Lava Jato tem deixado marcas profundas na fisionomia política

Lava Jato tem deixado marcas profundas na fisionomia política

Compartilhe esse conteúdo

O maremoto político produzido pelas delações dos executivos da Odebrecht entornou o caldo e de tudo restou Marina Silva liderando a pesquisa para a presidência em 2018.
 
Segundo o Datafolha, a ex-senadora, no confronto direto, tem dez pontos a mais do que Lula e a sua rejeição, comparada com o líder petista, aponta 29 pontos a menos.
 
Mesmo assim, e avisou há semanas Marcos Coimbra, Lula não está morto: é o principal adversário de todos os candidatos independentemente de partidos. 
 
A pesquisa implode, a priori, certas previsões que pareciam inabaláveis, mesmo neste ponto distante da luta e totalmente inercial, como a posição do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Perderia hoje para todos: Marina (48% a 25%), Lula (38% a 34%, sua melhor posição), quadro que se repete contra Aécio Neves.
 
Lula é o campeão de rejeição com 44%, 14 pontos a mais do que Aécio e 31 para Alckmin. Marina é a menor rejeição (15%) e venceria a campanha para Lula hoje por 11%.
 
Números de pesquisa não são representações de uma realidade que muda a cada circunstância política. Principalmente em cenário altamente movediço. Ninguém sabe se Lula será candidato, hoje a enfrentar graves acusações. Se os tucanos são tão incólumes quanto se acham. Se Geraldo Alckmin vai chegar a 2018 livre dos desgastes hoje são tão condenados pela sociedade, e se a própria Marina manterá a sua boa imagem de pureza, o lastro de sustentação que parece mantê-la numa alta cotação. 
 
A Operação Lava Jato tem deixado marcas profundas na fisionomia da classe política a ponto de produzir sua degradação. O caricato substituiu os traços dos rostos que antes ilustravam o cenário do teatro, desfigurando quase todos os seus personagens.
 
O próprio presidente Michel Temer parece enfrentar a dificuldade de ter presidido o PMDB, seu partido, e os milhões do seu Fundo Partidário, como se nada soubesse do que acontecia com seus deputados, senadores e vários dos seus ministros. 
 
Em seis meses de governo, as denúncias derrubaram seis ministros e envolveram quase todos os que ainda estão nos seus postos, exceto o ministro Henrique Meirelles, pra citar o mais importante de todos. Não impede, necessariamente, o curso do governo com as suas reformas, principalmente a da previdência, mas municia a oposição.
 
Principalmente o PT, com a vantagem de poder manter a sua retórica que, se não limpa os rostos petistas, serve para lambuzar o rosto dos que antes lhe acusavam. 
 
Como escreveu o colunista da Folha, Celso de Barros, o espetáculo que parece ter sobrado da delação da Odebrecht mostra que depois da esquerda é a direita que agora já começa a pagar o duro preço de uma crise que na verdade nunca esteve apenas no âmbito da crise econômica.
 
O que inunda a alma brasileira não aconteceu por erro de gestão dos governos de Dilma Rousseff. Aconteceu bem antes. E dos seus descaminhos, como advertiu Barros, não escapou nem mesmo o Supremo Tribunal.