[Opinião] Aluízio pensava a cultura como forma de mobilização

[Opinião] Aluízio pensava a cultura como forma de mobilização

Compartilhe esse conteúdo

São muitos os pioneirismos do Governo Aluizio Alves, queiram ou não aqueles que ainda hoje tentam julgá-lo.
 
Na república velha,a força inovadora veio com os governadores da oligarquia Maranhão, a partir de Pedro Velho. No fim dos anos trinta, a modernidade encontrou em Juvenal Lamartine um estadista provinciano de estilo forte, mas capaz de pensar numa educação rural, na mecanização agrícola, melhoria genética dos rebanhos e até na aviação como forma de progresso.  
 
Nos anos mais recentes foi o governador Cortez Pereira aquele que abriu as novas fronteiras econômicas, incorporando à produção de riqueza na área rural, o caju, o camarão e o côco, para só citar os itens mais importantes, olhando o desenvolvimento não com um ismo, mas algo capaz de quebrar paradigmas.
 
No resto dos anos e dos governos fomos teimosamente conservadores e pouco criativos, exceto no turismo que é indiscutivelmente um pioneirismo do governador Tarcísio Maia.
 
Mas o governo Aluizio Alves, mais do que as grandes idéias pioneiras na energia, habitação, educação - como o Instituto Kennedy para formação de professores -, marca seus anos de gestão com singularidades fora do comum para aqueles anos de uma feérica efervescência desenvolvimentista.  
 
Aluizio teve sensibilidade para pensar a questão cultural como uma forma de mobilização. Criou a Fundação José Augusto e nela agrupou a faculdade de jornalismo e o instituto de pesquisas sociais. 
 
Numa visão certamente bem sintonizada com a importância da preservação do patrimônio, fundada na intelectualidade brasileira por nomes como Gustavo Capanema, ministro da educação e cultura de Getúlio Vargas, auxiliado Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco, foi buscar um norte-rio-grandense, Oswaldo de Souza. Sobrinho do governador e escritor Antônio de Souza, para com ele implantar aqui o serviço de tombamento e conservação do patrimônio histórico do Estado. 
 
Oswaldo era conservador do quadro técnico do Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, e aceitou o convite do governador para ser posto à disposição e fazer o primeiro levantamento.
 
Foram tombados como patrimônios históricos nacionais a Fortaleza dos Reis Magos, o Palácio Potengi, o Sobradinho, nosso primeiro sobrado, as Casas da Câmara e Cadeia de Vila Flor e Acari, fixando uma consciência intelectual que até então jamais existira no Rio Grande do Norte.
 
Nos anos setenta e oitenta, marcados pela ditadura militar ainda foram realizadas várias restaurações. O governo preferia financiar as obras físicas a incentivar o teatro, o cinema, as artes plásticas, a literatura e a música temendo a liberdade de manifestação.
 
De uns anos para cá, e apesar do Estado ter a representação do Iphan, o patrimônio vem deteriorando. À espera de um programa de restauração de centros históricos, aprovado há vários anos, mas prisioneiro das gavetas oficiais.