[Opinião] Estados e municípios reproduziram erros de Brasília

[Opinião] Estados e municípios reproduziram erros de Brasília

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As ramificações e desdobramentos nos estados e municípios dão toda magnitude e extensão da crise que parece pouco provável ter uma única causa, a má gestão do governo federal naqueles finais de 2014 quando o PT sacrificava todas as precauções para conquistar um segundo mandato presidencial, o segundo de Dilma Rousseff.
 
Também nas esferas estaduais e municipais estavam sendo reproduzidos e multiplicados os erros. Não é coisa nascida de casos pontuais lá em Brasília.
 
A constatação não isenta o governo Dilma Rousseff. Mais do que omisso, foi irresponsável duas vezes: não presidiu o país, ocupada em ganhar um novo mandato e quando lhe foi sugerido por Lula a volta de Henrique Meirelles ao comando da economia, bem antes da convenção partidária, viu no seu nome um concorrente, caso acertasse as contas públicas.
 
Nem por isso, registre-se, era menor, pelo visto, o desmantelo nos estados e municípios já acomodados às transferências federais. 
 
É verdade que já um aspecto conjuntural era inegável: na medida em que cresce em todo o país o desemprego cai o consumo e, portanto, a arrecadação. Mas, não justifica o número exagerado de governos e prefeituras literalmente falidos.
 
No Nordeste, segundo dados revelados nos últimos dias, em metade dos governos e dos municípios não há previsão para o pagamento do 13º salário no limite legal de 20 de dezembro, a não ser com atraso de novembro e, quem sabe, também dezembro. 
 
Na prática, o limite prudencial não foi um freio capaz de parar as despesas com pessoal, mas também as despesas de custeio. A falência financeira do Rio de Janeiro serviu pelo menos para livrar os nordestinos da acusação de descontrole e incompetência, assim como o estado falimentar de Minas e Rio Grande do Sul, estados tradicionalmente ricos.
 
O que houve foi um descontrole que se tornou geral revelado pela crise que retirou de Brasília os socorros que jorravam de última hora. 
 
Agora o grande desafio não é só estancar a crise, mas monitorar a retomada do crescimento da economia com o teto da despesa pública que não pode aumentar nos próximos vinte anos.
 
Não é uma tarefa tão fácil como parece na retórica do Planalto. Não é pouco complexo manter os limites e não sucatear ainda mais a saúde, a educação e a segurança. E não garanti-las é correr o grave risco de elevar o nível de insatisfação da sociedade e jogá-la nas ruas em inquietações desestabilizadoras. 
 
É pouco provável que o Governo Michel Temer, com essa equipe de ministros que até agora tem tentado, possa cumprir e realizar bem a tarefa a tarefa a que se impôs.
 
Tem faltado ao governo ser capaz de transmitir estabilidade. Da posse até hoje caíram seis ministros em condições sombrias e suspeitas e, nos últimos dias, passou a fazer parte do cardápio de graves denúncias dos executivos da Odebrecht. Um governo sem sossego, repassando desassossego e a desassossegar toda Nação.