[Opinião] Saúde, Educação e Segurança são determinantes para governo

[Opinião] Saúde, Educação e Segurança são determinantes para governo

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Não é agouro, Senhor Redator. Se fosse, era preciso antes ser um mau desejo. E não é. Todos sabem - os médicos e os gestores que lidam todas as horas do dia com a questão: ao propor o decreto de calamidade pública na saúde, antes de ser denúncia, seria um apelo.
 
Ora, é como se o governador Robinson Faria, com todo direito, pois em nome do povo que governa, puxasse o paletó do presidente Michel Temer e mostrasse como andam os serviços desaúde por aqui, a exemplo de todo este país. 
 
Somos melhores que os outros? Não. Mas, o que nos cabe é o que nos diz respeito. A saúde, ao lado da segurança e da educação são as forças mais determinantes na construção ou desconstrução de uma imagem pública.
 
Um bom e um mau governo assim se caracterizam quando, submetidos ao crivo da sociedade, não exercem as três funções que a própria Constituição preconiza como deveres de Estado. Neles não cabem nem as especulações de uma privatização em nome de melhor eficiência.
 
E são forças determinantes porque são universais. Porque a insegurança desassossega a todos, dos ricos aos miseráveis. A saúde, porque apenas 30% da população em média dispõem de um plano de assistência médica. E a educação que ainda pode ser resumida naquela frase de Darcy Ribeiro, pronunciada há décadas, numa antevisão trágica da juventude: se não construirmos mais escolas hoje, amanhã vai faltar para construirmos cadeias. E parece que chegamos ao ápice da tragédia brasileira. 
 
Para fazer o melhor governo da história político-administrativa do Rio Grande do Norte como sonhou durante sua campanha, e confessou de viva voz seu sonho, o governador Robinson Faria terá que melhorar a vida de cada um dos norte-rio-grandenses. E uma vida melhor para todos passa por saúde, segurança e educação. Expectativas inerentes ao ser humano, parte da própria expectativa que move qualquer ser racional na busca de construir um futuro menos desigual e, portanto, mais justo. 
 
Um dos vícios mais desumanos da sociedade moderna é a falsa modernização da pobreza. E o que parece contraditório é justo o que mais lhe flagra. Não adianta dotar o homem da capacidade de ter celular e conectá-lo com o mundo inteiro se a sua pobreza o mantém do mesmo modo isolado, sem poder chamar a polícia e tê-la prontamente em sua defesa; a saúde, para mitigar a sua dor, e ter seu filho numa boa escola pública capaz de prepará-lo para ter uma profissão e profissionalizar-se. 
 
A modernidade na desigualdade é o engodo a mascarar a miséria mais injusta porque cercada de progressos por todos os lados. O homem sem direitos é uma ilha de desamparo e solidão. Vive só o homem sem os direitos da cidadania assegurados pela Constituição.
 
O desafio de quem governa não é dourar a pílula e apascentar o povo. É ser sincero e justo no trato das urgências. Um dia a revolta, hoje calada, pode explodir. E será tarde, muito tarde, para armar o circo e distribuir o pão...