Uma noite no único albergue para pessoas em situação de rua de Natal

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Ainda é dia quando as primeiras pessoas começam a chegar ao pequeno edifício de dois pavimentos no final de uma importante rua do centro da cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte. A passos lentos, muitos chegam sem nada nas mãos, carregando apenas a esperança de conseguir um lugar para passar a noite. É assim dia após dia no Albergue Municipal de Natal.

Alternativa encontrada para suprir as necessidades básicas de quem não tem uma casa para morar, o Albergue é mantido pela Secretaria de Trabalho e Assistência Social e conta, entre outros funcionários, com a presença de psicólogos, assistentes sociais e pedagogos.

As regras são claras: só entra quem tem o nome na lista e é preciso chegar cedo para ter prioridade no acesso, que começa às 19h. A fila, formada até quatro horas antes, chega a ter 90 pessoas em dias de grande movimentação. Apesar disso, apenas 58 (50 homens e 8 mulheres) têm garantido o direito de ter uma cama para dormir, um banheiro compartilhado com chuveiro e duas refeições (a janta e o café da manhã).

Os perfis são diversos, mas a presença masculina predomina. Famílias com crianças não são bem-vindas. Idosos também não. “O albergue só atende pessoas entre 18 e 59 anos. Pessoas que ingeriram bebida alcoólica ou estão sob o efeito de drogas são barradas na portaria. É uma maneira de desestimular o uso”, explica a pedagoga Selma Maria Dantas, que há dois anos trabalha no Albergue.

Ter o nome na lista e ser chamado pelo porteiro do albergue é o sonho diário de dezenas de frequentadores daquela região da cidade. Marcela Bezerra e Eduardo Santos sonhavam com isso naquele dia.

Atentos a cada nome anunciado, o casal, junto há oito meses, guardava a esperança de que dessa vez sobrariam vagas para os dois e a suspensão de quinze dias que Marcela recebeu após doar as sobras do jantar servido pelo Albergue para alguém que ficara do lado de fora fosse anulada. Pouco antes do portão fechar, por volta das 20h, a esperança do casal e da meia dúzia de pessoas que ainda estão do lado de fora vai sendo substituída pelo sentimento de raiva e frustração.

O som do cadeado e da porta de entrada sendo fechados é a sentença final: Marcela e Eduardo não conseguem entrar. Resta agora procurar um lugar para passar a noite.

Leia o texto completo AQUI

Turista retira tubarão da água em Fernando de Noronha e é mordida

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Na tarde desta segunda-feira (6), uma turista que visitava a Praia do Sueste, em Fernando de Noronha, resolveu pegar um filhote de tubarão com a mão para que seu namorado fizesse imagens dele. O animal reagiu, mordeu o dedo da turista que por pouco não se feriu gravemente.

O casal terá de pagar o valor de R$20 mil em multa emitida pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), órgão responsável pelo Parque Nacional Marinho, reserva ambiental onde o crime aconteceu.

Cada um teiaá que pagar R$ 5 mil pelo ato de molestar animais, entretanto o valor da multa dobrou porque o crime aconteceu em uma área de preservação.

Confira o vídeo: 

Tartaruga é resgatada viva com nadadeiras amputadas em Tabatinga

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Dois golfinhos e cinco tartarugas, uma delas encontrada com duas nadadeiras amputadas, foram resgatadas no litoral potiguar neste último fim de semana. Os resgates foram realizados pela equipe do Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB-UERN) em parceria com o Laboratório de Morfofisiologia dos Vertebrados da UFRN e o Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAN).

Os chamados começaram ainda na manhã do dia 28 quando a equipe foi solicitada para o atendimento de um golfinho fêmea morto no município de Baía Formosa, litoral Sul do Rio Grande do Norte. O animal foi encontrado com mordidas de tubarão, provável causa da morte, mas também teve os olhos retirados por ação humana.

Na Praia da Cotia e também na Praia de Búzios, em Nísia Floresta, duas tartarugas-verde foram encontrada mortas com sinais de fibropapilomas, doença de pele comum em algumas espécies marinhas.

Ainda no sábado, outra tartaruga-verde com marcas de pesca nas duas nadadeiras foi resgatada sem vida na Praia da Redinha, em Natal. O caso mais impactante, porém, foi de uma tartaruga da espécie Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda).  Encontrada viva na praia de Tabatinga, município de Nísia Floresta/RN, ela teve as duas nadadeiras amputadas, possivelmente após ficar presa em redes de pesca. O animal foi medicado e agora está sob cuidados veterinários no Centro de Reabilitação do projeto.

Parque da Cidade vai oferecer aluguel de bicicletas

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A partir desta terça-feira, o Parque da Cidade inaugura um novo serviço oferecido aos visitantes: o aluguel de bicicletas infantil e adulto, com marchas ou sem marchas. A tenda fica instalada no estacionamento Sul, na Av. Omar O'Grady e vai facilitar a vida de quem quer pedalar no parque, mas não tem como levar a bike.

A Live Bike vai funcionar todos os dias das 6h as 9h e das 14:30h às 17:30h. Os valores são os seguintes: R$12,00 por uma hora em bicicletas com marchas; R$10,00 por uma em bicicletas sem marchas; R$8,00 por 1/2 hora em bicicletas com marchas e R$6,00 por 1/2 hora em bicicletas sem marchas.

Os valores são os mesmos para bikes infantis. Os interessados fazem um cadastro no primeiro aluguel e comprometem-se a cumprir as normas de segurança e convivência estabelecidas pelo parque. 

O que eu vi do lado de fora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz

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Os primeiros raios de sol ainda apareciam tímidos no céu quando cheguei na redação do NOVO, de onde sairia em direção à Penitência Estadual de Alcaçuz, cenário de um motim de mais de 14h que terminou com a morte de 26 presos. Era a primeira vez que cobria algo assim. 
 
Minha missão era acompanhar, do lado de fora do presídio, o dia de atendimento aos detentos feridos e a retirada dos corpos. Isso significava ficar lado a lado com o sofrimento e a angústia de centenas de mães, esposas e filhos que aguardavam qualquer informação sobre seus familiares encarcerados, tentando reportar isso com a sensibilidade de quem, definitivamente, não estava ali para explorar a dor do outro em troca de alguns cliques.
 
Já nas primeiras conversas informais, vi que não seria uma missão simples. Os depoimentos eram impactantes e perturbadores. Um vídeo filmado por presos, divulgado nas redes sociais horas antes, fez com que uma mãe reconhecesse o corpo decapitado do filho e uma esposa a cabeça (solta do corpo) do marido em meio ao amontoado de cadáveres no cenário do massacre. Outra mãe não tinha coragem de ver a tal filmagem, mas intuitivamente acreditava que seu filho estava entre os mortos. 
 
Aliás, era com a intuição, as inúmeras especulações e alguma rara comunicação com o lado de dentro do presídio através de celulares (mesmo com a presença de bloqueadores de sinal) que os familiares tinham que se contentar ao longo de todo o dia, já que fontes com informações oficiais eram quase tão escassas quanto a sensibilidade de algumas equipes de reportagem.
 
Assim que cheguei para o dia de cobertura, me recomendaram “não entrar na onda das mulheres”. Resisti o máximo que pude. Mas, não pude deixar de ser solidária e emprestar meus ouvidos para que elas pudessem desabafar. Elas queriam (e precisavam) ser ouvidas, mas isso não significava que gostariam de ser expostas nos veículos de comunicação. 
 
“Nos tratam como vagabundas que não tem o que fazer. Eu trabalho amanhã cedo, tenho minha casa e meu filho para cuidar e uma vida social que não tem nada a ver com isso aqui. Não admito que o fato de estar aqui atrás de informações sobre meu marido seja motivo para me julgarem assim”, disse uma que fez questão de não ser identificada, mas que precisou ir de equipe em equipe de imprensa pedindo que “pelo amor de Deus” sua imagem não fosse utilizada.
 
Mortos
 
Meu último momento no entorno do presídio foi acompanhando a saída do comboio que levaria os corpos até o ITEP. Uma multidão se aglomerava próxima ao portão por onde sairiam dois rabecões e três caminhonetes. Ouvi alguém pedir “em respeito aos mortos” aplausos quando os carros passassem. As palmas ensaiadas cessaram segundos após iniciadas, dando lugar ao choro generalizado. “Olha só isso! Estão levando os corpos nas caçambas, como se fossem lixo! Isso não é justo”, gritava uma mulher ao fundo, enquanto tentava ser consolada. Duvido que metade dos haters que se orgulham de entoar nas redes sociais que "bandido bom é bandido morto" teria, ali naquele momento, coragem de olhar nos olhos dela e repetir a frase. Nessa hora, não sei se por falta (ou presença) de profissionalismo, não contive uma lágrima que mal caiu pelo meu rosto e já teve que ser secada. Era hora de acompanhar a chegada dos corpos no ITEP, do outro lado da cidade.
 
Sabia que seria difícil. Mas, não imaginei que ver os corpos (enrolados em sacos mortuários) sendo transferidos para um caminhão frigorífico fosse mais fácil de encarar do que o cheiro que aquela cena exalava. A morte tinha uma essência horrível e apavorante, que entranhou nas minhas narinas até o dia seguinte. 
 
“Jamais esquecerei. Parece que continua em mim”, desabafei. “E vai continuar para sempre. Jornalistas nunca esquecem cheiros”, me alertou um amigo e colega de profissão.

Após naufrágio, ONG's pedem que população alerte mudanças na orla

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Após naufrágio de uma embarcação no Litoral Norte potiguar, no último dia 23 de dezembro, IBAMA está mobilizando organizações que atuam em monitoramento do ambiente costeiro marinho para monitorar  indícios de prejuízo à vida marinha. Confira a nota da ONG Amjus, que atua em São Miguel do Gostoso:

 

À COMUNIDADE EM GERAL,

Peixes boiando ou na praia, aves marinhas, botos, golfinhos, baleias ou peixes-boi encalhados podem ser vistos na praia... Ou mesmo manchas de óleo... Caso vejam, por favor, nos avise!!

No dia 23 de dezembro ocorreu um naufrágio de uma embarcação, na costa na direção do Município de Guamaré, transportando depósitos com combustível, óleo diesel, segundo informações.

Proprietário e IBAMA ainda estão em impasses para resolver a situação mas já há indícios de vazamentos de óleo, visíveis na superfície da água, que poderá contaminar e pôr em risco a vida de animais marinhos, sendo afetados principalmente a feita que segue do município de Guamaré à Caiçara do Norte, estando São Miguel do Gostoso no meio dessa faixa.

De acordo com os estudos feitos não há risco de que o óleo chegue às praias, mas poderão chegar os animais contaminados. Então, IBAMA mobilizou organizações que atuam em monitoramento do ambiente costeiro marinho para somar no Plano de Ação de atendimento a esta fauna marinha em risco.

Para isso apurar um olhar mais atento da presença de cardumes anormais de peixes boiando ou na praia, aves marinhas debilitadas, tartarugas marinhas, botos, golfinhos, baleias e peixes-boi encalhados.

Bem como prestar atenção para a presença de manchas de óleo boiando na água ou na praia.

Pedimos a população que, ao ser visto esses sinais em área da orla de São Miguel do Gostoso, IDENTIFIQUEM O LOCAL e entrem em contato com a #AMJUS por meio dos números 99160-3927 / 99189-4686 / 98147-8289 ou 99619-6386 e comunique para que procedimentos sejam tomados junto à rede de proteção.

Em caso de visto esses sinais em municípios vizinhos e não consigam contato local, NOS LIGUEM e ajudaremos no contato! Também podem ligar diretamente para PCCB/UERN/UFRN/CEMAM nos telefones: (84) 9.9939-0471 / (84) 9.9143-5522 ou (84) 9.8155-4754 / (84) 9.9906-1381