Pedrinho, o Conca potiguar, é uma das 'jóias' do Fluminense em Xerém

Pedrinho, o Conca potiguar, é uma das 'jóias' do Fluminense em Xerém

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A marcação estava apertada no meio de campo. Pedrinho criou uma solução inesperada. Daquela dos grandes camisas 10. Um chapéu de categoria pra cima do marcador e um passe magistral de letra em profundidade, tirando a defesa adversária de cena para deixar o companheiro Paulinho cara a cara com o goleiro, que cometeu pênalti. O lance aconteceu na vitória por 4 a 2 do Fluminense contra o Figueirense e foi um dos mais brilhantes da Copa São Paulo de Futebol Júnior desta temporada, que aconteceu em janeiro. E o autor é “potiguar”.
 
Pedro Henrique Cavalcanti Pimentel, o Pedrinho, tem 19 anos de idade e nasceu em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, mas veio para Natal, onde reside sua família, já aos dois anos de idade. Durante a Copinha, ele encantou os olhos dos torcedores tricolores nas arquibancadas. Hoje, é visto como uma jóia nas categorias de base do Fluminense, onde está desde os 16 anos. 
Pedrinho vive o melhor momento de sua carreira: virou titular no time sub-20 das Laranjeiras. Até o final do ano passado, vivia uma situação mais complicada: chegou a sequer ser relacionado para a Copa RS, por ser terceira opção na posição. Hoje, o meia, de estilo franzino, e categoria no pé esquerdo tem tido o seu talento reconhecido.
 
E o início de tudo foi pelos campos de Natal, onde teve sua primeira formação como jogador de futebol. Deu os primeiros chutes na bola na escolinha do Cepe, aos seis anos de idade, antes de chegar ao ABC aos 12. No Alvinegro, passou quatro anos e fez a última escala antes de chegar ao Flu.
 
“Eu joguei um campeonato pelo ABC aqui no Rio de Janeiro. Era um campeonato chamado Copa Rio Sub-17. Na época eu tinha 16 anos, era um dos mais novos do grupo. Foi nessa competição que o Fluminense me viu em campo e me chamou pra jogar aqui. Negociou tudo com o ABC”, lembra o meia em entrevista à reportagem do NOVO.
 
Primeiro, Pedrinho ficou em período de teste no Tricolor carioca antes de acertar contrato, no início do ano passado. O ABC recebeu, ao todo, R$ 200 mil com a venda da jóia (cinco parcelas de R$ 40 mil).  
 
O Flu hoje tem 80% do passe do jogador - 10% pertencem a ele mesmo e os outros 10% ao empresário Alex Fabiano. Pedrinho tem contrato com o clube das Laranjeiras até o ano de 2020.
Franzino, o meia se destaca pelo talento com enfiadas de bola e cobranças de falta. Pedrinho atua como meia central, estilo camisa 10, usa a agilidade e o drible como ferramentas, mas tem a assistência como grande arma.
 
O apoio da mãe e da avó
 
De Guaratinguetá, Pedrinho só tem a certidão de nascimento. O resto da vida ele passou na capital potiguar antes de ir para o Rio de Janeiro. O meia veio com a mãe morar com os avós na capital potiguar - e eles foram fundamentais na carreira como jogador.
 
“Meus avós sempre me incentivaram a jogar bola”, lembra o meia, que não conhece o pai.
A avó, em especial, foi um amuleto na carreira do jogador. Desde novo, ele acreditava que poderia chegar longe no mundo do futebol e, assim, investiu na carreira.
“Sempre sabia que poderia chegar. Minha família também. A minha avó me levava para todos os cantos. Todos os jogos ela acompanhava, sempre estava lá”, lembra Pedrinho.
 
Apesar do talento com a bola nos pés, o estudo sempre foi tratado como prioritário da vida do jogador. Por isso, nunca teve problema para conciliar as duas vertentes quando mais novo.  “Sempre o estudo foi em primeiro lugar, mas dava tempo de fazer os dois juntos”, conta.
 
Até por esse apoio familiar que tinha quando estava em Natal, o início na capital carioca foi difícil. Ainda adolescente com 16 anos, o jogador deixou a capital potiguar para viver numa das maiores cidades do mundo. “No começo foi muito difícil, mas fiz muitas ami zades aqui que me ajudaram a superar. Com o tempo o cara se acostuma”, avalia o jogador.
 
No Fluminense, uma nova realidade
 
Quando Pedrinho saiu do ABC para o Fluminense, o patamar da carreira do meia mudou completamente. Era uma transição natural, já que representava a saída para uma cidade conhecida mundialmente, para atuar nas categorias de base de um dos principais clubes do país. E aos 16 anos de idade.
 
Se a adaptação do atleta em campo demorou um degrau a mais, a estrutura oferecida ao meia foi uma mudança radical ao que ele estava acostumado quando atuava em Natal. 
 
“Aqui tem todo um trabalho com suplementação, uma equipe de psicólogas. Além disso, tem a própria estrutura do Centro de Treinamento, também. Aqui tem seis campos, o CT é bem grande”, conta. 
Outra vantagem são as competições disputadas pelo Fluminense, que tem seu time nas categorias de base chamado para os principais certames do país - e fora dele.
 
Numa dessas competições, Pedrinho teve a oportunidade de atuar no continente africano. Ele jogou em julho do ano passado o Torneio de Durban, na África do Sul, com o time sub-19. Lá, duelou contra o Mazembe (Congo), Rangers (Escócia) e a seleção sub-19 da África do Sul.
 
E diante do time escocês o jogador fez o que considera sua melhor partida com a camisa do Tricolor das Laranjeiras - superior ao lance magistral na Copa São Paulo de Juniores deste ano.
“Aqui no Fluminense o jogo que mais me marcou foi no ano passado, num Campeonato na África. Ganhamos por 4 a 3 do Rangers, da Escócia. Eu fiz dois gols e dei duas assistências na partida. Fui eleito o melhor da partida. Ganhei troféu e tudo”, conta Pedrinho. 
 
Um dos gols foi de falta, uma das especialidades do potiguar e também do principal ídolo dele, que inclusive já vestiu a camisa do Fluminense, mas não da melhor maneira.  O “potiguar” tem o meia-atacante Ronaldinho Gaúcho, um dos maiores jogadores da história do futebol, como principal referência nas quatro linhas. “Ele é meu ídolo”, diz.
O próximo passo na carreira é chamar a atenção do técnico Abel Braga no time principal do Fluminense. Ele, por enquanto, não tem pressa. Aos 19 anos, desfruta do melhor momento da sua vida profissional.
 
“Eu acho que no ano que vem eu subo para compor o elenco profissional. Se Deus quiser”, acredita o meia.  No final de 2016, sem disputar a Copa RS, o jogador já treinou com o elenco principal do Flu para completar equipes nos coletivos. Agora a intenção é voltar - mas de vez.