Jair Bolsonaro defende carta branca para a polícia matar bandido

Jair Bolsonaro defende carta branca para a polícia matar bandido

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Jair Bolsonaro, deputado federal: críticas ao governo Temer

Em sua passagem por Natal, na última quinta e sexta-feira (9), o deputado federal pelo Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro (PSC), expressou em seu discurso um pouco do que seria seu governo na Presidência da República, caso saja candidato em 2018 e vença o pleito. Ele não confirmou que é pré-candidato. Disse que só será se o povo quiser, elogiou fortemente a figura dos militares em quem se inspiraria para promover sua gestão e afirmou que a forma de vencer a violência e a criminalidade seria usar da própria violência e das armas.

"Ninguém vai combater a violência soltando pombinhas, abraçando a lagoa Rodrigo de Freitas ou soltando bolinha de sabão com fumaça de maconha. Violência se combate com energia ou com violência", disse durante palestra para 1.500 pessoas no Hotel Praiamar, em Ponta Negra, na Zona Sul de Natal. Horas antes, o deputado disse, em entrevista ao NOVO e à rádio 98 FM, que uma vez presidente daria "carta branca para a polícia matar bandido".

Ainda sobre segurança, Bolsonaro frisou que o entendimento dele é de que a polícia deve ter sempre armamento superior ao do bandido. Esse posicionamento político dele estava impresso também nas camisetas de grupos que defendem suas ideias, algumas com o nome dele dentro de figuras de fuzis.

O deputado veio a Natal à convite da União Nordestina de Plantadores de Cana de Açúcar, em parceria com o RADAR-RN, grupo suprapartidário de ideologia conservadora. Na palestra, cujo título era "O Futuro do Brasil", Bolsonaro mostrou-se o tempo todo de bom humor. "Eu não sou tão bom assim. Os outros é que são muito ruins", disse, sendo aplaudido aos risos e ovacionado pelos seguidores que não cansavam de gritar, chamando-o de "mito". Ele brincava com a plateia ironizando situações e criticando seus adversários políticos e até o judiciário, de quem disse extrapolar muitas vezes suas atribuições e legislar quando esta é uma prerrogativa do legislativo.

Bolsonaro pregou a honestidade, a moral, a honra, o patriotismo e a valorização da família brasileira. Disse que o país precisa de uma "chuva de honestidade" e aproveitou para ouvir a plateia completar um de seus bordões. "Podem me chamar de tudo, menos de ..."Corrupto" foi a resposta dita em coro e aos aplausos.

Divertiu-se ao fazer todos acreditarem que estava afirmando ser candidato à presidência. "Tenho certeza que ano que vem vou vestir a faixa..." Os aplausos e gritos de "mito" se intensificaram, mas ele continuou "...a faixa de campeão do Botafogo", completou aos risos, sendo ovacionado novamente. Mas tranquilizou o público: "Não vou pedir voto a ninguém. Só serei candidato se vocês assim o desejarem. Não é minha intenção sair candidato em 2018, mas pode ser uma missão de Deus", disse mostrando um pouco do lado religioso que garante ter.

O deputado tratou de assuntos polêmicos na palestra. Relembrou e voltou a criticar a campanha do Ministério da Educação (MEC), em 2011, que tratava sobre a distribuição de um kit educativo contra a homofobia nas escolas, que ele chama de kit gay, e avisou que, se fosse presidente, nomearia um general das Forças Armadas para que todas as escolas do país tivessem o mesmo rendimento que têm as escolas militares.

Bolsonaro falou de vários sonhos que diz ter. Um deles é, uma vez presidente, implantar escolas militares em todos os estados. Disse que, desde a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, as Forças Armadas vêm sendo destruídas. "Nós (militares) somos o último obstáculo para o socialismo, para a bandeira vermelha", disse referindo-se a cor dos partidos de esquerda que pregam o socialismo.

Também defendeu o projeto da “Escola sem partido”, mas defendeu maior disciplina e rigor nas escolas, de forma que os professores possam exercer maior autoridade. Os policiais também foram alvo de suas intenções. “Digo a vocês, policiais, meu linguajar pode ser pesado, mas comigo vocês vão ser gente. Aqueles dois que conferiram dois vagabundos que estavam no chão do Rio serão condecorados por mim”, pontuou referindo-se ao caso recente dos dois policiais militares que aparecem em um vídeo executando dois homens em Acari, na Zona Norte do Rio.

Pregou ainda maior rigor contra manifestações violentas. "Não podemos admitir e achar que é normal as manifestações que ocorreram em Brasília. Aquilo é terrorismo”, disse, embora seja crítico do governo Temer e venha pautando a conduta parlamentar de forma independente do Planalto: é contra a reforma da Previdência. Entre as perguntas que respondeu da plateia, frisou: “Se um dia eu for candidato, não será a ditador”.